
A Última Ceia de Jesus celebrada também com mulheres, na visão do polaco Bohdan Piasecki (1998).
Colocar as mulheres numa situação de plena igualdade face aos homens dentro da hierarquia da Igreja Católica é o apelo deixado pelo movimento internacional Nós Somos Igreja ao Papa Francisco. Numa carta aberta, divulgada nesta quinta-feira, 27 de junho, propõe-se a inclusão plena das mulheres já a partir do Sínodo sobre a Sinodalidade em outubro próximo.
O texto começa por referir que a exclusão das mulheres da liderança da Igreja, bem como da ordenação eclesiástica vai contra a mensagem de inclusão total pregada por Jesus Cristo, para além de ser altamente discriminatória e privar a Igreja Católica dos benefícios que a participação ativa das mulheres poderia trazer. A argumentação refere ainda: “Todos receberam o mesmo Batismo, o mesmo Espírito e a mesma vocação. A exclusão das mulheres para responder a esse chamamento é prejudicial à sua dignidade e inaceitável no século XXI.”
O documento relembra a atitude de comunhão proclamada já inúmeras vezes pelo Papa Francisco, dirigindo-lhe o apelo para que não permita que as mulheres permaneçam numa situação de subalternização face aos homens no momento da tomada de decisões no seio da Igreja. Para além disso, recorda o papel central que as mulheres podem desempenhar no Sínodo, aproveitando para lançar um pedido de transparência total face aos relatórios que se encontram a ser elaborados sobre as “mulheres diáconos” e que sairão, previsivelmente, em 2025.
“Jesus tratou as mulheres como iguais e teve muitas mulheres discípulas”; o facto de a “inferioridade natural” das mulheres ser hoje totalmente inaceitável; o apoio mundial que existe à ordenação de mulheres; o facto de a Comissão Bíblica Pontifícia não ter encontrado, num documento de 1976, nada que impeça nas Escrituras a ordenação de mulheres; e o contundente ‘não’ da carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis, de 1994, que se baseia “no poder e não nas Escrituras” são outras razões invocadas para fundamentar o apelo dirigido ao Papa.
A carta finaliza com um renovado apelo à inclusão das mulheres na assembleia do Sínodo em Outubro deste ano.









