Por um dia, milhões de pessoas na sul da Ásia esqueceram guerras, desigualdades, problemas. Convictos de que o bem triunfa sempre sobre o mal, os hindus celebraram esta sexta-feira, 14 de março, o Holi – ou festival das cores – que assinala precisamente essa vitória, a chegada da Primavera, e a oportunidade de renascer.
Com origem na mitologia hindu, o Holi coincide com a última lua cheia de inverno e é feriado nacional na Índia, sendo também celebrado no Nepal e no Sri Lanka. Mas a sua popularidade tem vindo a estender-se também a outros países do sul da Ásia, e até da Europa.
A celebração faz-se sobretudo com festas ao ar livre, em que, ao som de canções folclóricas e sucessos de Bollywood, as pessoas dançam e atiram pós coloridos umas às outras. Cada cor tem uma simbologia própria, com o vermelho a destacar-se por ser associado ao amor, à eliminação do mal e à felicidade, o azul por representar a tranquilidade e proteção divina, e o amarelo por lembrar o sol e o início de um novo ciclo.

Turistas juntam-se às celebrações do festival Holi. Foto reproduzida a partir do perfil de X @airnewsalerts
Outras tradições associadas ao festival Holi incluem iguarias típicas, como o “gujiya” caseiro (mistura de nozes e passas envolta em massa doce), a “malpua” (panquecas doces fritas), os “kachoris” (pães recheados) e os “laddoos” (bolas feitas de coco, trigo ou farinha de grão-de-bico).
O festival não fica completo se não se beber o tradicional “bhang”, feito de folhas frescas de cannabis. Alguns dias antes do início das festividades, muitos hindus dedicam-se à a demorada tarefa de separar os brotos e as folhas da planta e triturá-los até formar uma pasta, que depois é adicionada a doces tradicionais ou misturada com leite de amêndoa adoçado, explica o sítio da Deutsche Welle.
Em algumas regiões, o festival começa dias antes. É o que acontece em Barsana e Nandgaon, duas cidades no estado de Uttar Pradesh, onde além de serem lançados pós coloridos para o ar, faz parte da tradição as mulheres baterem com varas de bambu nos homens, que por sua vez protegem as cabeças com uma espécie de escudos. Recria-se assim a lenda segundo a qual o deus Krishna, que vivia em Nandgaon, queria brincar com a sua amada Radha Rani, de Barsana, borrifando-a com cores. Mas quando Krishna e os amigos chegaram àquela cidade, terão sido recebidos com varas empunhadas por Radha Rani e as suas amigas, que assim os expulsaram. Em retaliação, os homens de Barsana encharcam as mulheres com cores vibrantes feitas de flores de Palash, que produzem um líquido cor de açafrão.

Em Barsana, faz parte da tradição as mulheres baterem com varas de bambu nos homens, que por sua vez protegem as cabeças com uma espécie de escudos. Foto reproduzida a partir da conta de X @VeereshKum9526
A juntar-se aos habitantes locais, inúmeros turistas mergulharam por estes dias no espírito alegre do Holi, deleitando-se com as cores, música e tradições que dão vida às cidades indianas.
(Imagem de destaque: Crianças celebram o festival Holi. © PavanPrasad/ Pixabay)
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