O Papa poisará aqui os seus pés

| 4 Set 19

Logotipo oficial da viagem do Papa Francisco a Moçambique, que se inicia nesta quarta-feira, 4 de Setembro, ao final da tarde.

A agitação cresce nas ruas da cidade de Maputo. Compram-se camisetas e capulanas com fotografias do Papa Francisco. Uma bola de ansiedade cresce dentro da cidade. O país todo prepara-se para se curvar ao Papa que chega nesta quarta-feira. Nas ruas, as conversas, que se deixam levar pelo vento, murmuram a vinda de Francisco. Nos bares, enquanto a cerveja borbulha nos copos, a conversa sublinha a chegada do Santo Padre e nos mercados a conversa é mais acesa: as senhoras preparam-se em grupinhos para assistir à missa do Papa, sexta-feira.

A televisão desliza no rodapé a agenda papal, as rádios captam pelas suas antenas, no meio de ruídos, a benção que se espera da vinda de Francisco ao país e os jornais saem às ruas com a fotografia do Papa de mão levantada. A agitação cresce nas ruas da cidade de Maputo, as vassouras municipais baralham a poeira nas ruas e avenidas, as tintas camuflam a velhice dos prédios e homens montados em andaimes maquilham igrejas por onde ele passará. E a polícia, de camisas bem engomadas, procura engomar os que têm a fórmula da agitação.

A figura do Papa, que muitas vezes surge pela televisão falando línguas diferentes, aqui poisará os seus pés, falará a língua que entendemos e não nos espreitará pela sua janelinha do Vaticano; falará para todos numa janela sem dimensões. As senhoras, nesses pequenos grupos, dizem que o Papa vai beijar os pés dos nossos líderes para termos a Paz Definitiva e sem intervalo. Falam alto, no mercado, quando chega a hora do almoço. Falam do Papa à distância, combinam o local de encontro e comentam sobre as vassouras que limparam a cidade.

Os alunos secundários ainda com lições da história da Igreja preparam-se para ver de perto o Papa Francisco. Aliás, o Governo quer que todos vejamos o Papa, por isso decretou tolerância de ponto na sexta-feira.

As tintas camuflam a velhice dos prédios em todos os cantos, os padres correm de um lado para o outro como autênticos bailarinos da agitação.

Sérgio Raimundo é escritor

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