
Bombardeamentos em zonas civis são cada vez mais frequentes do lado de Israel. Foto © Ashraf Amra | UNRWA
“Outro dia de horror”. Foi assim que Philippe Lazzarini, o responsável da Agência da ONU de apoio aos refugiados na Palestina descreveu o ataque que Israel levou a cabo contra uma escola na Faixa da Gaza e que provocou, segundo o próprio, “dezenas de feridos, entre os quais mulheres e crianças.
A situação continua dramática no terreno, com o aumento dos ataques a infra-estruturas não militares da parte de Israel, que tem levado ao aumento das críticas da parte da comunidade internacional, incluindo Francesca Albanese, relatora especial da ONU sobre a situação nos territórios palestinos, que acusou Israel de “genocídio dos palestinianos”.
Localizada no centro da cidade de Gaza, a escola al-Tabi’een, atacada na noite de sexta-feira (9), acolhia cerca de 250 deslocados, a maioria mulheres e crianças, segundo fontes da comunicação social do governo do Hamas, no poder em Gaza desde 2007, citadas pela RFI. O porta-voz da agência de defesa civil local, Mahmud Basal, informou que houve vários bombardeamentos e que o ataque causou “a morte de 93 pessoas, incluindo onze crianças e seis mulheres”, deixando dezenas de pessoas feridas.
O Exército israelita afirmou na rede social X que tanto a escola como a mesquita, que fazia parte da escola e foi bombardeada à hora da oração da manhã este sábado, serviam “como instalações militares para o Hamas e a Jihad Islâmica” [outro grupo armado em Gaza]. Segundo as forças de Israel, o local era um “esconderijo para os terroristas e comandantes do Hamas”, a partir do qual vários ataques eram planejados e preparados. O exército israelita ainda afirma ter usado munições precisas e ter tomado outras medidas para evitar atingir civis.
Do lado palestiniano, as autoridades relatam imagens de horror no local. “As equipas de resgate não conseguem reconstituir um corpo inteiro a partir dos restos humanos. A cena é extremamente difícil, para ser honesto, é um massacre”, informou Mahmud Basal. “Isto lembra-nos os primeiros dias da guerra na Faixa de Gaza”, comparou o porta-voz da agência de defesa civil.
Estes ataques, cuja real extensão não pode ser verificada de forma independente, serão dos mais violentos desde o início do conflito em outubro do ano passado.
Entretanto, e no que diz respeito a mais reações, a Turquia denunciou “um novo crime contra a humanidade” e o Qatar pediu uma “investigação internacional urgente” sobre o que aconteceu. A Arábia Saudita também condenou o ataque e apelou ao fim dos “massacres” em Gaza, enquanto o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, disse que ficou “horrorizado”.
Horrified by images from a sheltering school in Gaza hit by an Israeli strike, w/ reportedly dozens of Palestinian victims.
At least 10 schools were targeted in the last weeks. There’s no justification for these massacres
We are dismayed by the terrible overall death toll. 1/2
— Josep Borrell Fontelles (@JosepBorrellF) August 10, 2024
A França também “condenou com firmeza” o ataque. O ministério francês da Relações Internacionais declarou nas redes sociais que Israel deve “respeitar o direito internacional humanitário”. Paris também reiterou o seu pedido de libertação dos reféns detidos na região e de um “cessar-fogo imediato diante da urgência humanitária em Gaza”.
#Gaza | La France condamne avec la plus grande fermeté la frappe israélienne qui a visé, le 9 août, l’école Tabeen dans la ville de Gaza.
Déclaration intégrale ➡️ https://t.co/qZD7EY7S7N pic.twitter.com/t0la05pEQh
— France Diplomatie🇫🇷🇪🇺 (@francediplo) August 10, 2024










