AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

O Papa Leão XIV conversa com jornalistas a bordo do avião papal com destino a Beirute. Foto © Vatican Media.
O Papa Leão XIV conversa com jornalistas a bordo do avião papal com destino a Beirute. Foto © Vatican Media

No Líbano

Papa dá lição sobre o que significa ser pacificador e antevê Páscoa especial em 2033

| 30/11/2025

 

Mal tinha acabado de aterrar na capital do Líbano, este domingo, o Papa Leão XIV já estava a falar às autoridades civis, políticas e religiosas sobre o significado de ser construtor da paz, talvez o tema mais destacado do seu ainda curto pontificado. Para trás tinham ficado quatro dias na Turquia, onde o tema central foram os 1700 anos do Concílio de Niceia e da urgência, hoje, dos desafios da unidade dos cristãos.

Em Beirute, o Papa começou, no seu discurso, por aludir às belezas naturais e às riquezas culturais do Líbano, mas rapidamente passou para aquilo que disse ser uma qualidade dos libaneses. “Sois um povo que não sucumbe e que, diante das provações, sabe sempre renascer com coragem. (…) A vossa resiliência é uma característica imprescindível dos autênticos promotores da paz”, apontou. 

E foi com essa base que enunciou o que se propunha fazer, no discurso que trazia preparado: refletir com os responsáveis do país, a começar pelo presidente da República ali presente, sobre “o que significa ser um pacificador em circunstâncias muito complexas, conflituosas e incertas”.

Justificou a necessidade de o fazer com “uma espécie de sentimento de impotência e pessimismo” que “parece ter levado a melhor”, em quase todo o mundo. “As pessoas  – explicou – parece já nem sequer conseguirem perguntar-se o que podem fazer para mudar o rumo da história. Aparentemente, as grandes decisões são tomadas por poucos e, muitas vezes, em detrimento do bem comum, o que parece ser um destino inevitável”.

A um país com uma sociedade civil “vivaz, bem formada, rica em jovens capazes de expressar os sonhos e as esperanças de todo um País”, Leão XIV apelou a que o Líbano possa falar uma única língua: a língua da esperança, que faz com que todos se unam para recomeçar sempre de novo”. A capacidade de recomeçar, com resiliência e na esperança, seria, então, a primeira caraterística dos pacificadores.

Mas não basta recomeçar. Os pacificadores apostam também em percorrer “o árduo caminho da reconciliação”, já que “existem feridas pessoais e coletivas que para poderem cicatrizar exigem longos anos, às vezes gerações inteiras”. “Se não forem tratadas, prosseguiu o bispo de Roma, se não se trabalhar, por exemplo, na cura da memória, na aproximação entre aqueles que sofreram ofensas e injustiças, dificilmente se alcançará a paz”. 

Se a reconciliação, entendida como capacidade de “viver juntos, em comunhão”, seria uma caraterística dos pacificadores, a segunda sugerida pelo Papa, a terceira seria a capacidade de não fugir, de procurar construir a paz não fora, noutra realidade geográfica, mas dentro do país. “A Igreja não se preocupa apenas com a dignidade daqueles que se deslocam para países diferentes do seu, mas deseja que ninguém seja obrigado a partir e que todos aqueles que o desejem possam regressar em segurança”, acrescentou.

Na viagem aérea entre Istambul e Beirute, o Papa teve uma rápida conversa com jornalistas, que deu apenas para duas perguntas de jornalistas turcos, que quiseram saber como vê ele o papel do Estado turco na guerra na Ucrânia e na Palestina. Leão XIV sublinhou as vantagens da Turquia: o exemplo da boa convivência entre a maioria muçulmana e a minoria cristã e a experiência de diálogo entre as partes, no início da invasão da Ucrânia pela Rússia. Sublinhou ainda, relativamente ao Médio Oriente, da posição comum do Vaticano e da Turquia quanto à defesa de “dois estados” para o atual conflito na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. 

Por iniciativa do Papa, foi referido algo que pode vir a ter repercussão significativa no mundo cristão: a possibilidade de um evento na Páscoa de 2033, quando se completarem 2.000 anos sobre a Paixão, morte e ressurreição de Jesus. 

A ideia surgiu no dia 29, sábado de manhã, no encontro ecuménico entre responsáveis de igrejas cristãs, que Leão XIV considerou “Importante e muito bonito, pois cristãos de diferentes tradições estiveram presentes e puderam participar deste momento”.

“A ideia foi bem recebida; ainda não fizemos o convite, mas existe a possibilidade de celebrarmos, por exemplo, este grande evento da Ressurreição em Jerusalém”, acrescentou o Papa.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This