
Ilustração de Hermes Mangialardo, reproduzida do vídeo.
“Hoje continua a haver mulheres que sofrem violência. Violência psicológica, violência verbal, violência física, violência sexual”, diz Francisco na sua mensagem d’O Vídeo do Papa, uma pequena mensagem que ele grava mensalmente para a Rede Mundial de Oração do Papa e que neste mês é dedicada às mulheres vítimas de violência.
“É impressionante o número de mulheres espancadas, ofendidas e violadas. As diferentes formas de maus-tratos que muitas mulheres sofrem são uma covardia e uma degradação para toda a humanidade. Para os homens e para toda a humanidade”, afirma o Papa, no vídeo.
“Os testemunhos das vítimas que se atrevem a quebrar o silêncio são um grito de socorro que não podemos ignorar. Não podemos olhar para o outro lado”, acrescenta Francisco na mensagem, concluindo a pedir: “Rezemos pelas mulheres que são vítimas de violência, para que sejam protegidas pela sociedade e o seu sofrimento seja considerado e escutado por todos.”
O vídeo é acompanhado por ilustrações animadas do artista e professor de design de animação italiano, Hermes Mangialardo, que pretende contar a história de uma mulher vítima de violência que encontra coragem para escapar do túnel do abuso graças à sua própria força e à ajuda da comunidade.
Na informação do Vaticano que acompanha o vídeo, recordam-se estatísticas da ONU relativas a Novembro de 2020: todos os dias, 137 mulheres são mortas por membros das suas próprias famílias; as mulheres adultas representam quase metade das vítimas de tráfico de pessoas em todo mundo; globalmente, uma em cada três mulheres já sofreu violência física ou sexual (e 15 milhões de meninas adolescentes, de 15 a 19 anos, sofreram estupro em todo o mundo).
Alguns destes números são colocados também em cartazes que acompanham o vídeo. Mas há outros: na União Europeia, uma em cada dez mulheres diz ter sido assediada através da internet desde os 15 anos; as mulheres adultas são quase metade das vítimas de tráfico de pessoas, a nível mundial; 200 milhões de crianças e mulheres do sexo feminino entre os 15 e os 49 anos foram sujeitas a mutilação genital.
Em 2020, com a crise pandémica e as restrições de movimentos e a insegurança económica a ela associadas, a vulnerabilidade das mulheres à violência aumentou em todo o mundo, recorda a mesma informação: 243 milhões de mulheres e meninas foram maltratadas pelos seus companheiros.
Há 155 países com legislação sobre violência doméstica e 140 com leis sobre assédio no local de trabalho, mas isso não significa que essas leis ou as recomendações internacionais sejam aplicadas.
“O apelo do Santo Padre é muito claro: ‘Não podemos olhar para o outro lado.’ Por outras palavras, não podemos ficar de braços cruzados diante de tantos casos de violência contra as mulheres, que se manifestam de múltiplas formas, das mais visíveis e indizíveis às mais insidiosas e inconscientes”, comenta o padre jesuíta Frédéric Fornos, director internacional da Rede Mundial de Oração do Papa.
Todas essas formas de violência acontecem em resultado “de esquemas mentais arraigados e paradigmas culturais e sociais que as desvalorizam”, acrescenta o responsável, que exemplifica: “É o que vemos no Evangelho, por exemplo, na passagem da mulher adúltera, que foi acusada por todos, mas a quem Jesus deu uma nova vida.”
O padre Fornos acrescenta: “A violência contra as mulheres em todas as suas formas é um grito aos céus”. E cita o Papa Francisco em outras ocasiões: ‘Toda a violência infligida às mulheres é uma profanação de Deus, nascido de uma mulher. A salvação para a humanidade veio do corpo de uma mulher: pela maneira como tratamos o corpo de uma mulher, compreendemos o nosso nível de humanidade.’









