A escassas horas de expirar o período de vigência do tratado entre a Federação Russa e os Estados Unidos da América para conter a proliferação de armas nucleares, o Papa Leão XIV encorajou esta quarta-feira, 4 de fevereiro, “todos os esforços construtivos a favor do desarmamento e da confiança recíproca”.
O Papa, que falava no final da audiência geral das quartas-feiras, fez igualmente um “apelo urgente” a que não se renuncie a este tratado “sem procurar garantir-lhe uma continuidade concreta e eficaz”.
“A situação atual – vincou o Pontífice – exige que se faça tudo o que for possível para impedir uma nova corrida aos armamentos, que ameaça ainda mais a paz entre as nações”.
“É mais urgente do que nunca substituir a lógica do medo e da desconfiança por uma ética partilhada, capaz de orientar as escolhas para o bem comum e de fazer da paz um legado salvaguardado por todos”, finalizou.
O assim chamado Novo START (New Strategic Arms Reduction Treaty) foi assinado em abril de 2010 pelos presidentes Obama e Medvedev, tendo entrado em vigor a 5 de fevereiro do ano seguinte. Estabeleceu limites ao número de ogivas nucleares estratégicas e aos sistemas de lançamento de mísseis intercontinentais. O acordo estabeleceu aquele que foi considerado um dos sistemas de verificação mais extensos alguma vez negociados, incluindo inspeções no local, trocas contínuas de dados e notificações governamentais sobre testes de mísseis e movimentos de armas.
Ao expirar o Novo START, nesta quinta feira, 5 de fevereiro, é a primeira vez, desde os anos 1970, que se verifica uma ausência de limites legais vinculativos sobre as forças nucleares estratégicas russo-americanas, o que está a suscitar preocupações, não apenas da parte da Santa Sé.
Recorde-se que a Rússia se desvinculou deste tratado há dois anos – através da figura da “suspensão”, que não implica “denúncia” – no quadro dos desenvolvimentos da guerra ofensiva que desencadeou contra a Ucrânia. Mas garantiu, na altura, que não infringiria os limites acordados.
Em reações recentes, o presidente Trump, citado pela BBC, terá menosprezado o fim do tratado, dizendo que se faria “um melhor”. Do lado da Rússia, também não parece haver pressa na negociação. Até porque, ainda segundo a BBC, “tanto os Estados Unidos como a Rússia estão a modernizar as suas forças nucleares e a ampliar as suas capacidades estratégicas”. “Uma nova corrida armamentista está já em curso”, refere uma especialista em armamento nuclear, citada na notícia.
Prémio da Fraternidade humana para projetos no Afeganistão e Palestina

O Papa Francisco com o xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro de 2019, depois da assinatura do documento sobre a fraternidade humana. Foto © Eissa Al Hammadi/Ministry of Presidential Affairs.
A fraternidade humana representa “o que há de mais precioso e universal na nossa humanidade”, visto ser “o laço indestrutível que une todos os seres humanos, criados à imagem de Deus”, afirma o Papa Leão XIV na mensagem para o Dia Internacional da Fraternidade Humana, que se evoca esta quinta-feira, 5 de fevereiro, com o sétimo aniversário da assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã Ahmed el-Tayeb.
Os laureados de 2026 do prémio com o mesmo nome são Zarqa Yaftali, que é diretora da Fundação de Investigação Jurídica para Mulheres e Crianças, dedicada a promover e apoiar os esforços da sociedade civil para incluir as mulheres na tomada de decisões a nível nacional no Afeganistão; a organização palestina Taawon, que apoia crianças e mulheres em necessidade no território e na diáspora; Ilham Aliyev, presidente da República do Azerbaijão; e Nikol Pashinyan, primeiro-ministro da República da Arménia.
Segundo o Papa, trata-se de “semeadores de esperança num mundo que, com muita frequência, constrói muros em vez de pontes”, que escolheram “o árduo caminho da solidariedade em vez do mais fácil da indiferença”.
Leão XIV diz, na mensagem, não poder ignorar que muitos irmãos e irmãs estão a sofrer os horrores da violência e da guerra, o que faz com que a necessidade da fraternidade “não [seja] um ideal distante, mas uma urgência”. E lembra a mensagem da Fratelli Tutti: “o que se destrói em cada guerra é o próprio projeto de fraternidade inscrito na vocação da família humana”.
Ainda que muitos considerem que o sonho de construir a paz juntos seja “utopia de outro tempo”, o Pontífice insiste que a fraternidade humana é “uma realidade vivida, mais forte do que todos os conflitos, todas as diferenças e todas as tensões”. É uma possibilidade que deve ser realizada por meio de um compromisso diário e concreto com o respeito, a partilha e a compaixão”, acrescenta.
“Palavras não bastam”, sublinha o Papa, ao recordar o que disse, em dezembro último, precisamente ao Comité do Prémio Zayed, e tinha já observado na Exortação Dilexite: “permanecer no mundo das ideias e discussões, sem gestos pessoais frequentes e sinceros, será a ruína de nossos sonhos mais preciosos”.
Também no passado domingo, ao saudar os organizadores e atletas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina, que terão início esta sexta-feira, o Papa resgatou a tradição da trégua olímpica, antigo costume que acompanha a realização dos Jogos.
“Espero que todos aqueles que têm a paz entre os povos no coração e que ocupam cargos de autoridade saibam realizar, nesta ocasião, gestos concretos de distensão e diálogo”, disse Leão XIV no final do Angelus. Estes grandes eventos desportivos, acrescentou, constituem uma forte mensagem de fraternidade e reavivam a esperança num mundo em paz.










