Redefinir a missão dos embaixadores do Papa, vulgarmente conhecidos por núncios apostólicos, e dar mais consistência à escola que os forma, na Cúria Romana, são dois dos pontos mais salientes de um quirógrafo – espécie de decreto – do Papa Francisco publicado esta terça-feira, 15.
Tendo por título “O Ministério Petrino”, o documento traz no subtítulo o seu objetivo: “a reforma da Pontifícia Academia Eclesiástica”, que é a “escola diplomática da Santa Sé”, em funcionamento há 300 anos, como lembra o quirógrafo, e que forma não apenas os representantes formais do Papa, mas todo o pessoal que exerce funções diplomáticas, quer nas nunciaturas, quer nas representações da Igreja em organizações internacionais, quer nos serviços centrais da Igreja.
Especificamente sobre a Academia, o Papa estabelece que, “dada a sua natureza de instituição académica destinada à formação especial dos diplomatas pontifícios”, ela seja parte integrante da Secretaria de Estado, atuando ao nível dos segundo e terceiro ciclos (mestrados e doutoramentos).
A formação e a investigação promovidas na sua área específica de Ciências Diplomáticas deve ter “uma estreita ligação com as disciplinas eclesiásticas, com o método de trabalho da Cúria Romana, com as necessidades das Igrejas locais e, em sentido mais amplo, com a obra de evangelização, a ação da Igreja e a sua relação com a cultura e a sociedade humana”.
Quanto ao perfil de formação, o Papa entende que o diplomata a formar deve estar constantemente empenhado numa “formação sólida e contínua”. Não basta a aquisição de conhecimentos teóricos, sendo necessário “desenvolver um método de trabalho e um estilo de vida que lhe permitam compreender plenamente a dinâmica das relações internacionais e interpretar adequadamente os objetivos e as dificuldades que uma Igreja cada vez mais sinodal deve enfrentar”.
Neste contexto, o documento põe em evidência “qualidades” fundamentais que o diplomata da Santa Sé deve ter, como a proximidade, a escuta atenta, o testemunho, a atitude fraterna e o diálogo. “Estas qualidades, acrescenta o texto, devem ser conjugadas com a humildade e a mansidão, para que o presbítero e, em particular, o diplomata pontifício, possa viver o dom do sacerdócio recebido à imagem de Cristo Bom Pastor”.
É de notar que este quirógrafo surge numa altura em que um dos dez grupos temáticos criados pelo Papa para aprofundar temas específicos não aprofundados nas assembleias sinodais se prepara para apresentar resultados (o que se prevê acontecer até ao fim de junho próximo). Trata-se do Grupo 8, coordenado pelo cardeal indiano Oswald Gracias, que se destina a refletir sobre o papel dos núncios na sociedade dos nossos dias e, eventualmente, propor medidas ao Papa.
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