O cardeal Michael Czerny abençoa uma refugiada ucraniana durante a sua visita a um campo de refugiados. Foto © Vatican Media
O Papa decidiu enviar o cardeal Michael Czerny à Ucrânia, como seu representante pessoal, para manifestar solidariedade às vítimas da guerra, informou o Vaticano. “Nos próximos dias, sua eminência o cardeal Czerny partirá novamente em direção à Ucrânia, a pedido do Papa Francisco, para mostrar a proximidade do Santo Padre àqueles que sofrem as consequências da guerra”, refere uma nota enviada aos jornalistas pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, citada pela Ecclesia.
O cardeal checo, prefeito interino do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento integral (Santa Sé) esteve junto dos refugiados, na Hungria, ao longo da última semana, tendo feito uma pequena visita a uma comunidade na Ucrânia. Agora regressa para entrar no país. Segundo a Santa Sé, Michael Czerny chega esta quarta-feira à Eslováquia – cujo primeiro-ministro se reuniu esta manhã com o Papa – seguindo depois para junto da fronteira com a Ucrânia.
O comunicado de imprensa refere que Francisco “segue esta missão com a oração” e deseja, através do seu enviado pessoal, “estar perto dos que fogem dos combates e sofrem com a violência de outros homens”.
A 6 de março, o Papa tinha enviado em missão de solidariedade os cardeais Michael Czerny e Konrad Krajewski, esmoler pontifício, junto dos deslocados ucranianos e das vítimas da guerra no país do Leste europeu.
Apesar de tudo isto, os esforços de denúncia da guerra do Papa Francisco têm-lhe colhido algumas críticas pelo facto de não se referir diretamente a Vladimir Putin nas suas declarações. O jornal L’Osservatore Romano, do Vaticano, escreveu um editorial em defesa do Papa, explicando que, na história recente, “os pontífices nunca chamaram o agressor pelo nome, não por covardia ou excesso de prudência diplomática, mas para não fechar a porta, para deixar uma fresta aberta à possibilidade de deter o mal e salvar vidas humanas”.
“Se ele puder fazer algo a nível político e diplomático, será possível precisamente porque os líderes russos sabem que ele não é um mediador tendencioso, um agente camuflado do Ocidente, com o qual entraram numa rota de colisão apocalíptica”, pode ler-se.
A Igreja Católica continua assim a colocar-se disponível para mediar o conflito entre Ucrânia e Rússia, não tendo, até agora, recebido qualquer resposta sobre essa disponibilidade, como afirmou há dias o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.









