
Foto: Patriarca Teodoro de Alexandria. © Site Orthodox Times
O Patriarca Teodoro de Alexandria tornou públicas duras críticas ao Patriarca Porfírio da Sérvia pela sua “insensibilidade” em relação à invasão russa da Ucrânia e à interferência do Patriarcado de Moscovo em África, nas áreas geográficas de tradicional obediência a Alexandria.
O Orthodox Times de hoje, 26 de julho, publica trechos da carta em que Teodoro responde à missiva que Porfírio lhe enviara a 22 de julho, solicitando-lhe que tomasses medidas para obter a libertação do ex-abade do Mosteiro de Lavra Kyiv-Pechersk, preso pelas autoridades ucranianas a 1 de abril [ver 7MARGENS] sob pretexto de que desenvolveria atividades pró-russas naquele mosteiro.
Na verdade, desde o início da guerra, o ramo da ortodoxia ligado a Moscovo reagiu ao apoio sem reservas à invasão russa dado pelo Patriarca Cirilo de Moscovo, procurando demarcar-se do Patriarcado de Moscovo e declarou a autonomia, ainda que o corte desse laço histórico não tenha sido isento de ambiguidades. As tensões vinham de trás, quando, após a derrocada do regime soviético, se constituiu uma Igreja Ortodoxa Ucraniana de cariz nacional e “autocéfala” (independente), que o Patriarcado de Alexandria tem apoiado. O processo de “ocupação” do mosteiro pelas forças do Governo Zelensky, a prisão do Metropolita Paulo e a sua substituição pelo arquimandrita Abraão (nomeado pelo primaz da Igreja Ortodoxa autocéfala da Ucrânia, o Metropolita Epifânio de Kyiv) continua envolto em alguma nebulosa. O Orthodox Times de 30 de março noticiava que o passo decisivo para este último desenvolvimento foi a adesão do arquimandrita Abraão, do mosteiro de Lavra, à Igreja Ortodoxa autocéfala da Ucrânia, tendo, após essa adesão, sido nomeado abade por Epifânio.
Respondendo à carta do Patriarca Porfírio da Sérvia, o Patriarca de Alexandria, lembra que aquele “de modo algum tem demonstrado a mesma sensibilidade para com os milhares de cristãos ortodoxos da África que são envenenados espiritualmente pelo Patriarcado de Moscovo com a invasão predatória e despudorada de instituições eclesiásticas que estão geográfica, pastoral e espiritualmente sob a jurisdição do Patriarcado de Alexandria”. E acrescenta dirigindo-se a Porfírio: “Lamentamos observar que, perante este acto completamente injusto, anti eclesiástico e anticanónico, você não mostre a mesma sensibilidade que tem revelado quanto ao caso do Metropolita Paulo (…). Você tem permanecido em silêncio, apesar de meus repetidos apelos, que envolvem não apenas a uma pessoa, mas milhares de africanos ortodoxos.









