
“Precisamos de rezar, levar a nossa dor e o nosso desejo de paz a Deus”, escreveu o cardeal Pierbattista Pizzaballa. Foto © Ricardo Perna
O patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, convidou os católicos, em particular os da Terra Santa, a fazer “um dia de oração, jejum e penitência” a 7 de outubro, data em que se cumpre um ano após os ataques do Hamas em Israel.
“O mês de outubro aproxima-se, e com ele a perceção de que, no ano passado, a Terra Santa, e não só, foi mergulhada num vórtice de violência e ódio nunca visto ou experimentado antes. A intensidade e o impacto das tragédias que testemunhamos nos últimos doze meses dilaceraram profundamente a nossa consciência e o nosso sentido de humanidade”, escreveu Pizzaballa numa carta divulgada esta quinta-feira, 26 de setembro, no sítio oficial do patriarcado latino.
“Precisamos de rezar, levar a nossa dor e o nosso desejo de paz a Deus. Precisamos de nos converter, fazer penitência e implorar perdão”, afirma o prelado, pedindo que cada um, “com o rosário ou de qualquer forma que considere adequada, pessoalmente, mas melhor ainda em comunidade, encontre um momento para parar e rezar, e levar ao ‘Pai misericordioso e Deus de toda consolação’, o nosso desejo de paz e reconciliação”.
Na missiva, Pizzaballa reitera a “condenação desta guerra sem sentido e do que a gerou, apelando a todos para que parem com esta onda de violência e tenham a coragem de encontrar outras formas de resolver o conflito atual, que levem em consideração as exigências de justiça, dignidade e segurança para todos”.
Já no início desta semana, ao participar numa mesa redonda em Roma intitulada “A paz é possível? A crise do Médio Oriente”, o patriarca de Jerusalém defendera ser necessário superar o equívoco de confundir a palavra “paz” com “solução”, e não perder a confiança em encontrar formas “criativas” de alcançar um cessar-fogo que atualmente parece “não impossível”. “Em Israel, deseja-se vencer, e a paz, neste momento, não é a vitória. Esse é um dos grandes equívocos, e não apenas na Terra Santa”, alertou.
Ainda assim, a paz permanece sempre possível, “pois é uma escolha”, assegurou Pizzaballa, e se as instituições estão paralisadas é necessário “preparar a paz”, nomeadamente nas escolas, “de baixo para cima, criando as oportunidades que podem, pouco a pouco, reconstruir a confiança”.









