
O “Jubileu LGBT+” irá começar no dia 5 de setembro, às 20h, com uma vigília de oração para membros da comunidade e suas famílias, que terá lugar na igreja de Jesus. Foto © Pexels
O Jubileu 2025 promete fazer jus ao “todos, todos, todos”, que o Papa Francisco tantas vezes tem repetido, e ser mais “colorido” que o habitual: pela primeira na História da Igreja Católica, será incluída na programação oficial do ano jubilar uma iniciativa destinada aos católicos LGBT+.
A notícia, avançada pelo jornal Il Messagero [ligação exclusiva para assinantes], adianta que a proposta partiu da organização italiana La Tenda di Gionata, fundada pelo padre David Esposito – entretanto já falecido – que sonhava com uma Igreja cujas comunidades soubessem “alargar a tenda” e ser “cada vez mais santuários de acolhimento e apoio às pessoas LGBT e todas as pessoas afetadas pela discriminação”.
O “Jubileu LGBT+” irá começar no dia 5 de setembro, às 20h, com uma vigília de oração para membros da comunidade e suas famílias, que terá lugar na igreja de Jesus (conhecida como Il Gesú), a primeira igreja jesuíta construída em Roma, onde está sepultado Santo Inácio de Loyola. Na tarde do dia seguinte, pelas 15h, os peregrinos LGBT+ são esperados na Basílica de São Pedro, onde atravessarão a Porta Santa, regressando depois à igreja de Jesus para uma missa, às 19h, que será presidida pelo vice-presidente da Conferência Episcopal Italiana, o bispo Francesco Savino.
Até às 17 horas desta segunda-feira, 9 de dezembro, a iniciativa ainda não surgia no “calendário dos eventos” do Jubileu 2025, mas segundo Il Messagero a proposta já foi mesmo aprovada pelo Papa Francisco, apesar de este ter tido de enfrentar “muita resistência interna”. A ideia terá chegado através do padre Pino Piva, jesuíta de Bolonha que tem trabalhado de perto com a comunidade LGBT+, e contado com o parecer positivo do cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana. Francisco terá também “chegado a acordo” com o arcebispo Rino Fisichella, vice-prefeito do Dicastério para a Evangelização e responsável pela organização do Ano Santo.
“Igreja, casa de todos, cristãos LGBT+ e outras fronteiras existenciais” é o título avançado pelo jornal italiano para esta iniciativa, que acrescenta ainda que o superior-geral da Companhia de Jesus, padre Arturo Sosa, emitiu já uma comunicação interna encorajando os organizadores a seguir em frente. “Parece-me uma coisa boa”, escreveu, recordando depois as recomendações do Papa sobre a importância de tratar com misericórdia este grupo, “que ele definiu como seres humanos com uma identidade distinta”.
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