Há muitas formas de chegar a um encontro com Cristo. As pessoas trilham muitos percursos diferentes, alguns deles bem singulares. Pensemos nalguns destes percursos.
Desde logo há os que vão no meio da multidão. São indivíduos que não se querem expor perante os outros e por isso agem discretamente, tal e qual como aqueles que assistiram de longe à cena do Calvário.
Depois há os que arriscam expor-se perante os olhares do público e decidem mesmo chamar as atenções. Um dos exemplos mais flagrantes é o de Bartimeu, o cego de Jericó. Quando ouviu o burburinho de uma multidão que se aproximava quis saber o que era aquilo. Disseram-lhe que era um tal Jesus de Nazaré e seus discípulos. Como Bartimeu já tinha ouvido falar dele e das suas curas, berrou a plenos pulmões até conseguir a sua atenção e conseguir receber a sua cura.
Mas também existem aqueles que procuram Jesus movidos por interesse, como a mãe dos filhos de Zebedeu. O evangelista Mateus regista o acontecimento (20:20-22a): “Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o, e fazendo-lhe um pedido. E ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino. Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis.”
Não podemos esquecer os que são levados ao colo, como foi o caso do paralítico de Cafarnaum, registado no evangelho de Marcos (2:1-11): “E alguns dias depois entrou outra vez em Cafarnaum, e soube-se que estava em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. E vieram ter com ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico.”
Temos também os que são trazidos à força. João Evangelista fala-nos do caso que ficou conhecido como “a mulher adúltera” (João 8:1-11). A pobre mulher foi arrastada à força até Jesus pelos religiosos seus acusadores. Curiosamente, estes mesmos acusadores deixaram ir em paz o adúltero e preparavam-se para executar a mulher e talvez mesmo o próprio Jesus, por que no fundo toda a encenação não passava duma trama para destruir aquele nazareno que andava a perturbar o status quo religioso em Jerusalém.

“A pobre mulher foi arrastada à força até Jesus pelos religiosos seus acusadores.” Nicolas Poussin (1594–1665): Jesus e a mulher adúltera. Museu do Louvre, França. Wikimedia Commons
O caso do jovem rico relatado por Marcos dá-nos o exemplo dos que só querem ser bons religiosos (10:17-22): “E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe. Ele, porém, respondendo, lhe disse: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade. E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.”
Ainda um outro caso é o dos que precisam de encontrar um apoio para conseguir ver Jesus. Foi o que sucedeu com Zaqueu, o chefe da Finanças de Jericó, que teve que subir a uma árvore para conseguir enxergar o homem de quem se falava, pois era muito baixo: “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali” (Lucas 19:1-4).
Podemos entender que não importa muito a forma como chegamos à presença de Jesus Cristo, mas sim de que modo respondemos à sua presença.
Qual é a minha resposta pessoal à presença de Jesus? Por outro lado, estarei eu disposto a ser uma “árvore” na vida de alguém, de forma a ajudar essa pessoa para que ela consiga ver Jesus? Ou levar ao colo quem está paralisado pela vida para chegar junto dele?
José Brissos-Lino é professor universitário, investigador, Coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e director da revista teológica Ad Aeternum.










