O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), disse nesta segunda-feira, 16, em Fátima, que o processo sinodal, lançado em 2021, deve promover mudanças nos processos de “escuta, avaliação e decisão” nas comunidades católicas.
“É necessário que a reflexão não fique estéril, mas dê origem a atitudes novas e relações sinodais; que sejam revistos os processos de escuta, avaliação e decisão, com a participação de todos os implicados; que esse caminho conduza, na escuta do Espírito e do Povo de Deus, à necessária conversão de estruturas renovadas para uma Igreja verdadeiramente sinodal, na comunhão, na participação activa e na missão”, disse o bispo José Ornelas, na abertura das Jornadas Pastorais da CEP.
O também bispo de Leiria-Fátima explicou a decisão de promover estas jornadas anuais num formato diferente, considerando ser “bom e necessário que aqueles que presidem às Igrejas diocesanas sintam a necessidade e o desejo de caminhar juntos na reflexão sobre o ministério, a responsabilidade, as questões e os desafios da missão que lhes está confiada”.
“No clima sinodal que estamos a viver, estas jornadas abriram-se a representantes de toda a Igreja, por vontade e decisão dos bispos, seguindo o exemplo daquilo que se passou nas duas sessões da última Assembleia Sinodal dos Bispos de toda a Igreja, em Roma, em 2023 e 2024”, acrescentou. Na iniciativa, que decorre até quarta-feira, participam bispos, religiosos, representantes diocesanos e dos vários sectores da pastoral católica. O objectivo é debater a concretização das orientações do processo sinodal no país.
O presidente da CEP recordou o I Encontro Sinodal Nacional, que se realizou em Fátima, em 11 de Janeiro deste ano, “como acto comum da Igreja em Portugal, exprimindo a recepção e interiorização eclesial do documento final do Sínodo dos Bispos de 2021-2024”. As conclusões desse encontro estarão no centro do debate entre os participantes destas jornadas.
Aquele documento final do Sínodo, assumido pelo Papa Francisco e entregue às comunidades católicas de todo o mundo, foi apresentado por José Ornelas como “instrumento de transformação, através das atitudes de comunhão, participação activa e missão”.
Durante a sua intervenção, o bispo Ornelas evocou o “serviço corajoso, profético e transformador” do Papa Francisco, que morreu em 21 de Abril. Francisco “deixa uma memória amiga e desafiadora, com uma grande projecção e desafio, na Igreja e no mundo”, afirmou.
“No centro dessa herança encontra-se a sinodalidade como modo de ser Igreja. Ele entregou esse caminho à Igreja, confiando-o ao Espírito Santo que a move.”
O bispo de Leiria-Fátima apelou ainda, no seu discurso, a uma Igreja aberta a “todos, todos, todos”, citando as palavras de Francisco em Lisboa, na Jornada Mundial da Juventude de 2023, e desafiando todos os crentes a assumir a “missão de transformação da Igreja, pela força e a luz do Espírito, para levar ao mundo a mensagem da paz e da esperança”.
Como concretizar?

A iniciativa irá debater a concretização do processo sinodal nas dioceses e nos serviços centrais da Igreja em Portugal. Foto © Agência Ecclesia/PR
Os trabalhos, com o tema “O processo sinodal nas dioceses e na Conferência Episcopal Portuguesa”, iniciaram-se com uma reflexão sobre “Teologia e Espiritualidade Sinodal”, feita pelo bispo auxiliar de Lisboa, Alexandre Palma, actual director interino da Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
Na terça-feira será debatida a concretização do processo sinodal nas dioceses e nos serviços centrais da Igreja em Portugal. A conversa será feita através do discernimento em “grupos sinodais, seguindo o método da conversação no Espírito”, e partilhadas em plenário.
O funcionamento das equipas sinodais nas dioceses, a qualidade dos processos de escuta e discernimento, a concretização das orientações sinodais nas estruturas diocesanas e o envolvimento das pessoas distantes do processo sinodal são algumas das questões em debate.
Durante a tarde de terça-feira, a partilha será dirigida à concretização das orientações sinodais nos organismos da Conferência Episcopal, procurando caminhar para uma “transformação sinodal das estruturas nacionais” a partir de orientações como a corresponsabilidade laical, a transparência, a prestação de contas e a necessidade de avaliação para a melhoria dos processos.
Na quarta-feira, serão debatidas e apresentadas as conclusões deste encontro que serão divulgadas publicamente no final da manhã desse dia.
Em Janeiro, uma das propostas dos 36 grupos em que os participantes se dividiram foi a de criar “conselhos pastorais em todas as paróquias e/ou unidades pastorais” das dioceses portuguesas.
A XVI Assembleia Geral do Sínodo, cuja segunda sessão decorreu de 2 a 27 de Outubro de 2024, teve como tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão”; o processo começou em 2021, com a auscultação inédita de milhões de pessoas, antes da primeira sessão sinodal, que decorreu em Outubro de 2023.
O Papa Francisco promulgou o documento final, assumindo-o também como seu, sem publicar qualquer exortação pós-sinodal como costumava acontecer. Essa possibilidade está prevista na constituição apostólica Episcopalis communio, de 2018, tendo ainda convocado uma inédita Assembleia Eclesial para 2028.










