Carlos Enrique Herrera foi expulso para a Guatemala. Foto © Vatican Media
O responsável máximo do episcopado da Nicarágua, o bispo Carlos Enrique Herrera, acaba de ser expulso do país pelo regime de Daniel Ortega e desterrado para a vizinha Guatemala, naquele que é um dos mais qualificados atos de perseguição à Igreja Católica e outras confissões cristãs.
Carlos Enrique Herrera, que é bispo da diocese de Jinotega, no nordeste do país, e desde 2022 também o presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, terá sido castigado por uma oração que fez numa celebração de domingo, dia 10 de novembro, em que criticava o presidente da câmara local, uma figura muito chegada a Ortega.
Segundo relatos de fontes locais divulgados por órgãos de nicaraguenses de fora do país, ele foi levado para o aeroporto de Manágua, na terça-feira, dia 12, metido num avião com destino a cidade de Guatemala, onde, ao que se sabe, deverá ter sido acolhido pela Ordem dos Frades Menores, a que ele pertence.
O motivo de medida tão drástica foi ter feito uma crítica ao barulho oriundo de um evento promovido pela câmara, na praça fronteira ao templo em que decorria a celebração, de tal modo forte que tornou difícil ao bispo ouvir e fazer-se ouvir. Então, no momento próprio – o rito penitencial – ele fez esta oração: “Pedimos perdão ao Senhor pelas nossas faltas e também por aqueles que não respeitam culto (…) um sacrilégio que o presidente da câmara e as autoridades municipais estão a cometer. … e eles sabem a hora da missa.”
A celebração terá sido transmitida pelo Facebook, mas foi, entretanto, apagada.
Os poderes locais adotam com frequência a prática de causar perturbação às cerimónias das comunidades cristãs, organizando eventos nas imediações à mesma hora. Recentemente, na cidade de León, houve um torneio de box perto da porta da catedral, segundo o site America, dos Jesuítas dos Estados Unidos.
De acordo com informações veiculadas pela advogada nicaraguense exilada Martha Patricia Molina, que regista e publica os atos persecutórios do regime do seu país, com esta expulsão, são já quatro as dioceses que viram os seus bispos forçados a partir, três dos quais em 2024: além de Carlos Enrique Herrera, trata-se de Rolando Alvarez, de bispo de Matagalpa (e administrador apostólico de Estelí), que estava a cumprir uma pena de 26 anos de prisão; o bispo Isidoro Mora, da diocese de Siuna, por preso em dezembro de 2023 –por ter manifestado preocupação pela prisão de Alvarez; os dois acabariam por ser deportados para o Vaticano em janeiro de 2024.
Mas a repressão sobre padres e religiosos também tem sido constante. Um exemplo: dos cerca de 70 padres que tinha antes de se iniciar esta perseguição, a diocese de Matagalpa ficou reduzida, atualmente, apenas a 22. E, como o 7MARGENS noticiou há dias, o regime passou a impedir os presbíteros d e darem assistência espiritual a doentes internados que o requeiram. Outra forma de perseguição tem sido obrigar as procissões, missas de festa e outras celebrações que se costumavam fazer no exterior das igrejas e nas ruas só se possam realizar no interior dos templos.








