O próximo Papa deveria “dar continuidade ao que o Papa Francisco iniciou, ou seja, dar prioridade aos pobres e comprometer-se com uma ecologia integral centrada nas pessoas. […] A sinodalidade também deve ser buscada”.
São estas algumas das características que defende o cardeal-eleitor do Luxemburgo Jean-Claude Hollerich, numa entrevista publicada pela agência Aleteia, sublinhando que todas as visões dos restantes cardeais devem ser escutadas com atenção.
Hollerich, que falava na última sexta-feira, 25, véspera do funeral do Papa Francisco, disse que, depois de um pontífice oriundo da América Latina, seria possível pensar num sucessor oriundo da África ou da Ásia. Contudo, acrescentou, mais importante do que a geografia, serão as personalidades, com as suas competências e capacidades.
Neste sentido, disse valorizar um Papa que seja “um unificador, certamente”, uma vez que “Pedro é o ministério da unidade na Igreja”. Concretizando, o arcebispo de Luxemburgo disse gostar que seja “um homem simples que consegue conectar-se com as pessoas e que as sabe ouvir”, “tanto as da esquerda como as da direita”. Que seja “um Papa que vive o Evangelho, que apresenta o rosto do Evangelho de Cristo para o mundo inteiro”. “Isso é difícil de encontrar; mas creio que Deus também dará ao futuro Papa a graça [inerente ao ministério]. Desejo-lhe tudo de bom”.
Colocado perante a questão inciada por Francisco de descentralizar mais a Igreja, o cardeal entende que esse caminho deverá continuar a ser trilhado, já que, afirmou, “em certas questões, temos que dar respostas diferentes em diferentes culturas”. Porém, acrescentou, só “em certas questões! Não em tudo relacionado com a fé. Não podemos dizer: ‘acreditamos nisto na Alemanha, mas não na França’”.
Hollerich é de opinião que a questão da ordenação de homens casados acabará por voltar à tona, porque, observou ele, “teremos uma enorme escassez de padres. O acesso aos sacramentos deve ser a prioridade da Igreja”. Mas sobre isto esclareceu: “Esta é a minha opinião pessoal, que também posso mudar. Nada do que digo é definitivo. É o que penso no momento. Ouvindo meus colegas, que têm outros argumentos e outras experiências, admito poder mudar as minhas opiniões e posições”.
Questionado sobre se a atual situação mundial poderá influenciar a eleição do Papa, o cardeal acha que será um mundo mais difícil, com a emergência das guerras, com os desenvolvimentos e impactos da Inteligência Artificial e com as dificuldades que afetarão o futuro de tantos jovens. “Mas a Igreja – fez notar Hollerich – pode trazer algo a este mundo. … As pessoas precisam de palavras de esperança. E quem mais pode dar-lhes isso? Um materialista não pode dar palavras de esperança”.
Daí que o purpurado entenda que “precisamos de um papa da paz, um papa que nos lembre aquilo que a política esquece. Precisamos de uma autoridade moral que diga algo além de “compre armas”. Podemos evitar a guerra estando fortemente armados. Mas nunca conquistaremos a paz com armas. Precisamos de mudar os corações”, concluiu.
Nesse sentido, seria também um continuador do Papa Francisco que, no entender do cardeal luxemburguês, além de “Papa da paz”, “sofreu muito com os riscos da guerra, o que o afetou fisicamente”.










