
Nos EUA, a eletricidade produzida a partir do solar crescerá 39 por cento, depois de ter crescido 15 por cento este ano. Este incremento, conjugado com a redução do recurso ao carvão, colocará o conjunto vento+solar (com 688 mil milhões de kwh) à frente do carvão (599 kwh). Foto © Filograph.
Em 2024, a eletricidade produzida a partir de energias renováveis (vento e solar) nos EUA vai pela primeira vez superar a energia elétrica produzida a partir do carvão. A previsão da Administração da Informação de Energia americana (EIA, na sigla em língua inglesa) foi divulgada no dia 16 de dezembro e aponta como principais fatores desta alteração os subsídios do Governo federal, a redução no preço da instalação das renováveis, o aumento da legislação antipoluição e a política energética dos Estados.
Se a antevisão da EIA estiver correta, a eletricidade produzida a partir do solar crescerá 39 por cento, depois de ter crescido 15 por cento este ano. Este incremento, conjugado com a redução do recurso ao carvão, colocará o conjunto vento+solar (com 688 mil milhões de kwh) à frente do carvão (599 kwh). O crescimento da quantidade de energia elétrica produzida a partir do solar faz com que esta fonte (228 kwh) esteja quase a igualar a produção da fonte hídrica (266 khw).
As más notícias dizem respeito à ligeira expansão do uso do gás natural para a produção de eletricidade (sendo aquela fonte de energia responsável por 42 por cento do total) e, ainda mais pernicioso para o planeta, o aumento da exploração do petróleo que deverá conhecer um crescimento de 14 por cento, elevando a média diária para mais de 13 milhões de barris.
Este crescimento da produção de petróleo contraria o acordo final da 28ª Cimeira das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28) que aponta para a redução da exploração e da utilização dos combustíveis fósseis. Recorde-se que, na sequência da carta apostólica Laudate Deum do Papa Francisco, mais de 50 instituições religiosas, representando cerca de 1.500 milhões de pessoas em todo o mundo, subscreveram uma carta, dinamizada pelo movimento católico Laudato Si’ e pela rede inter-religiosa GreenFaith, em que fazem um apelo conjunto à adoção de um tratado internacional pela não proliferação dos combustíveis fósseis. Por outro lado, durante a COP28 várias organizações católicas exigiram o fim do recurso aos combustíveis fósseis, tendo Josianne Gauthier, Secretária-Geral da CIDSE (uma das organizações subscritoras), declarado: “Os decisores na COP28 devem concordar unanimemente em eliminar inequivocamente os combustíveis fósseis e estabelecer um plano abrangente para analisar os progressos em relação ao Acordo de Paris no futuro”.










