
Fotos de líderes bahá’i presos no Irão expostas numa ação de defesa dos direitos humanos levada a cabo numa praia do Rio de Janeiro, em 2011. A comunidade internacional apelou diversas vezes à libertação dos bahá’ís detidos pelos houthis. Foto: Comunidade Baha’i do Brasil.
Os últimos quatro Bahá’ís iemenitas detidos pelos Houthis foram recentemente libertados. Os quatro homens tinham sido capturados em maio de 2023, quando indivíduos armados e mascarados das autoridades Houthi de facto do Iémen detiveram 17 Bahá’ís inocentes numa violenta rusga a uma casa particular.
Abdul Elah Al Boni, Muhammad Bashir, Ibrahim Juail e Hassan Thabet foram libertados depois de terem enfrentado pressões significativas, mas sem sucesso, para renunciarem à sua fé através da participação forçada em “cursos culturais” conduzidos por agentes Houthi, que equivalem essencialmente a tentativas de doutrinação forçada.
“A Comunidade Internacional Bahá’í congratula-se com a libertação destes quatro Bahá’ís iemenitas”, afirmou Saba Haddad, Representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto das Nações Unidas em Genebra, citado num comunicado de imprensa enviado ao 7MARGENS. “Estamos aliviados com o facto de este episódio sombrio, injusto e absurdo ter finalmente terminado. Mas estes 17 Bahá’ís nunca deveriam ter sido detidos. O grupo tinha-se reunido numa casa privada para uma atividade comunitária pacífica: um direito humano fundamental protegido pelo direito internacional e pela liberdade de religião ou crença”, acrescentou.
A rusga do ano passado suscitou repetidos apelos da comunidade internacional para a libertação dos Bahá’ís detidos. Em agosto de 2023, seis membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas “deploraram” as detenções e, mais recentemente, em maio, uma poderosa coligação de relatores especiais das Nações Unidas, parlamentares europeus, embaixadores, organizações internacionais de direitos humanos e um laureado com o Prémio Nobel abordaram o assunto em conjunto com a campanha online #FreeYemeniBahais.
Treze dos 17 indivíduos detidos foram libertados nos últimos 15 meses, tendo o último, Abdullah Al-Olofi, sido libertado em junho de 2024.
Vários líderes tribais e figuras religiosas iemenitas desempenharam também um papel importante na libertação dos detidos bahá’ís. Apesar de todos os esforços em curso, a comunidade Bahá’í nas zonas controladas pelos Houthi no Iémen continua a ser perseguida e os seus membros estão privados da liberdade de realizar reuniões ou de praticar a sua fé.
“Os Houthis no Iémen têm de respeitar os direitos de todas as minorias, incluindo os grupos religiosos, de se reunirem, de prestarem culto e de servirem a sociedade como desejarem”, referiu ainda Haddad. “E nunca mais devem deter ninguém devido a preconceitos religiosos ou por outras razões sem fundamento. As autoridades houthi devem também libertar todos os outros prisioneiros inocentes que detiveram arbitrariamente. Se as autoridades Houthi querem receber respeito internacional, então elas próprias devem respeitar e reconhecer os direitos humanos básicos de todos os cidadãos iemenitas”, concluiu.









