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Uma família une as mãos. Foto Pixabay

Iniciativa do Instituto das Cooperadoras

Que desafios enfrentam as famílias? Um inquérito e um congresso vão ajudar a responder… e a encontrar soluções

| 25/02/2025

“Salvemos a família e salvaremos o mundo”, dizia o padre Joaquim Alves Brás, fundador do Instituto Secular das Cooperadoras da Família (ISCF). Um século depois da sua ordenação como padre, as mais de 200 leigas consagradas que hoje integram o instituto consideram que essa frase não poderia estar mais atual. Mas, conscientes dos enormes desafios que as famílias enfrentam nos tempos que correm, as Cooperadoras sabem que é preciso tornar também atuais os modos de “salvá-las”. Por isso, decidiram assinalar este centenário promovendo um inquérito online e um congresso internacional que vai ajudá-las nessa missão.

“A intuição do padre Joaquim Alves Brás de cuidar da família foi, de facto, certeira. Passados cem anos, permanece atual, completamente contemporânea”, considera Juan Ambrosio, teólogo e membro da comissão científica do congresso, que irá decorrer em Fátima nos próximos dias 17 e 18 de maio. “E é de louvar este esforço que as Cooperadoras fazem para continuarem a cuidar das famílias… Não de um ideal de família que ficou no passado, mas das famílias que temos hoje e que são de hoje”, sublinha, em declarações ao 7MARGENS.

É através das várias Obras fundadas pelo padre Joaquim Alves Brás que as Cooperadoras da Família continuam a desempenhar essa missão: a Obra de Santa Zita, o Centro de Cooperação Familiar (com vários equipamentos de apoio à infância e a idosos), e o Movimento por um Lar Cristão (movimento de espiritualidade conjugal e familiar, em que as famílias se entreajudam material, moral e espiritualmente). Todas juntas, estas Obras formam a chamada Família Blasiana. Presentes de norte a sul do país, e também em Itália, Espanha, Brasil e Angola, as Cooperadoras gerem ainda a Escola Profissional de Agentes de Serviço e Apoio Social (ASAS) e dinamizam o movimento juvenil “Focos de Esperança”.

Em todos esses lugares e projetos, as Cooperadoras esperam poder aplicar os frutos do congresso internacional que estão a organizar. Subordinado ao mote “Atravessados pelo Amor e pela Esperança” – Cuidar as Famílias com(o) o Padre Brás”, a iniciativa pretende revisitar o legado deixado pelo fundador o ISCF, e olhar a família contemporânea e os desafios que esta enfrenta, “sem perder de vista os documentos do Papa Francisco sobre a temática”, particularmente a exortação apostólica Amoris laetitia.

Para isso, a iniciativa trará a Portugal especialistas na área do pensamento sobre a família como Claudia Leal Luna, do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família (Roma) e Lydia Jiménez González, diretora do Instituto Secular Cruzadas de Santa María e presidente do Conselho Diretivo da Universidade Católica de Ávila (Espanha). A elas, juntar-se-ão nomes nacionais como o dos sociólogos Alfredo Teixeira e Eduardo Duque, e também várias famílias que partilharão os seus testemunhos.

O programa da iniciativa.

Questionário disponível até 9 de março

Ao sociólogo e padre Eduardo Duque caberá a tarefa de analisar e apresentar os resultados do inquérito que o ISCF – em parceria com a Universidade Católica Portuguesa (UCP) – está a promover. Intitulado “A família na sociedade contemporânea”, o questionário visa recolher perceções e opiniões sobre o conceito de família, as mudanças que ocorreram ao longo do tempo e a relevância das famílias no contexto atual.

“Conhecer a realidade das famílias parece-nos fundamental para que se possam identificar de uma maneira mais certeira os desafios e oportunidades que estas enfrentam e podermos procurar as maneiras mais ajustadas de as continuar a cuidar”, explica Juan Ambrosio. O inquérito, ao qual todos são convidados a responder, está disponível online até ao dia 9 de março. “Já recebemos mais de três mil respostas, mas queremos ainda mais. Queremos chegar ao maior número de pessoas possível, sejam crentes ou não crentes, para termos uma perceção da família que não seja enviesada. Por isso, temos procurado divulgar o inquérito também fora das redes do Instituto”, assinala o professor da Faculdade de Teologia da UCP.

Além da apresentação durante o congresso, as conclusões deste estudo “serão também partilhadas com as universidades e outros institutos que trabalham os temas da família” e as intervenções de todos os oradores serão registadas para futura publicação em livro. “Mais do que uma iniciativa para dentro da Família Blasiana, aquilo que queremos é que esta iniciativa possa ser um contributo que o Instituto dá também para o estudo da família”, destaca Juan Ambrosio.

Inquerito do ISCF sobre a familia. Foto DR

O questionário visa recolher perceções e opiniões sobre o conceito de família, as mudanças que ocorreram ao longo do tempo e a relevância das famílias no contexto atual. Foto: Direitos reservados

Já não se pode usar a expressão “família” no singular

Para o teólogo, que também será um dos oradores no congresso, não restam dúvidas: “A família continua a ser uma daquelas instituições que é suporte da experiência humana, do conhecimento humano, da identidade humana”. Mas é preciso encará-la como “uma realidade antropológica universal e poliédrica”, porque se por um lado “sempre que olhamos para a história da Humanidade, qualquer que seja o período, a geografia ou a cultura, encontramos a família”, por outro “já não se pode utilizar essa expressão no singular, porque o que nós temos são famílias, muito diferentes entre si”.

E um dos “grandes desafios” que o Instituto enfrenta é o de “saber acolher novas realidades familiares, muito à luz do que é dito naquele documento que continua a levantar inúmeras questões dentro da Igreja, que é a exortação apostólica Amoris laetitia“.

Outro desafio é o de ajudar essas famílias a lidar com os seus próprios desafios, nomeadamente “as dificuldades em encontrar casa e em arranjar vagas nas creches para pôr as crianças, particularmente nas grandes cidades, e também na questão do que fazer com os nossos idosos”.

É ainda essencial, conclui Juan Ambrosio, “fazer com que esta experiência familiar não seja uma experiência que promova individualismos egoístas, fechada sobre si mesma, mas que seja, de facto, uma experiência de humanidade que se abra à cultura do encontro e do cuidado”. Só desse modo se cumprirá a intuição do padre Joaquim Alves Brás, e este congresso visa contribuir para isso.

Assim, o convite para participar é dirigido a casais, educadores, padres, consagrados e “todos, todos, todos”, jovens e adultos, que se preocupam com as questões da família. As inscrições podem ser feitas através do formulário disponível no sítio oficial das Cooperadoras e são limitadas às vagas existentes.

 

A celebração do centenário continua, e a missão também

Balões alusivos ao centenário da ordenação sacerotal do padre Joaquim Alves Brás. Foto ISCF

Balões alusivos ao centenário da ordenação sacerdotal do padre Joaquim Alves Brás. Foto © ISCF

Ainda antes do congresso, e já durante o mês de março, as várias localidades onde estão presentes as Cooperadoras da Família (Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Elvas, Faro, Guarda, Portalegre, Casegas, Viseu e Fátima) vão assinalar o centenário da ordenação sacerdotal do padre Joaquim Alves Brás com uma missa de ação de graças junto às datas em que este nasceu (20/03/1899) e morreu (13/03/1966).

Após o congresso, no dia 20 de julho, uma peregrinação da Família Blasiana a Fátima irá marcar o encerramento do Ano Jubilar. É no dia anterior, a 19 de julho, que se completam exatamente 100 anos sobre a ordenação do fundador do ISCF. Mas a missão das Cooperadoras não chega ao fim: há muitas famílias – e um mundo inteiro – para salvar.

(Imagem de destaque: Uma família com as mãos unidas. © Pixabay)

 

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