Num mundo “onde a desconfiança, a polarização, as tensões e as divisões estão a aumentar”, hindus e cristãos, juntamente com aqueles que professam outras religiões e homens e mulheres de boa vontade podem unir-se de diferentes modos “para alimentar a paz”. Esse é o desejo expresso por George Jacob Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, por ocasião da festa de Diwali, que se assinala a 20 de outubro O cardeal estará em Fátima já esta quinta-feira, 16, para uma conferência sobre a importância do diálogo entre as diferentes religiões.
A festa de Diwali, ou Deepavali, comemora o regresso de Rama, um dos avatares do deus Vishnu, ao seu reino de Ayodhya, após ter completado um exílio de 14 anos. Também assinalado por sikhs, budistas e jainistas, Diwali significa literalmente “fileira de lamparinas de óleo”, que representam a vitória da luz sobre as trevas, ou do bem sobre o mal, da verdade sobre a mentira e da vida sobre a morte.
“Que esta festa das luzes ilumine as suas vidas e traga felicidade, unidade e paz às suas famílias e comunidades”, lê-se no texto do cardeal Koovakad, que também assinala o facto de este ano, no oitavo dia após o Diwali, se celebrar o 60º aniversário da declaração Nostra aetate, a qual exortou “os católicos de todo o mundo comprometerem-se com o diálogo e a colaboração com pessoas de outras tradições religiosas, exortando todos a ‘reconhecerem, conservarem e promoverem os valores espirituais, morais e socioculturais que se encontram neles’ a serviço da promoção da paz”.
Daí o convite aos hindus, “durante este tempo de festa”, para se unirem aos cristãos e “às pessoas de todas as religiões e de boa vontade” para refletir sobre como “fortalecer” os “esforços comuns pela paz através do diálogo e da colaboração no espírito” do documento do Concílio Vaticano II sobre as “relações da Igreja com as religiões não cristãs”.
O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso destaca que a iniciativa lançada pela Nostra aetate ao longo dos anos “evoluiu para um projeto global, generosamente apoiado e promovido por pessoas de diferentes crenças religiosas e também por não crentes, contribuindo significativamente para a paz no mundo” e que agora, no “jubileu de diamante”, a declaração conciliar continua a incentivar a renovação da promoção do “diálogo inter-religioso como caminho para a paz”.
O documento, “enraizado na ‘promoção da unidade e da caridade entre os homens’”, baseia-se no que “eles têm em comum e que os leva a viver juntos o seu destino comum”, e sugere não rejeitar “nada do que é verdadeiro e santo” nas outras religiões , “apoiar” respeitosamente “modos de agir e de viver”, “preceitos” e “doutrinas” que “refletem um raio daquela verdade que ilumina todos os homens”, e “defender e promover juntos para todos os homens a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade’”, lembra a mensagem aos hindus.
“O diálogo inter-religioso é mais necessário do que nunca” no mundo de hoje, onde aumentam “a desconfiança, a polarização, as tensões e as divisões”, sublinha ainda o responsável pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, que considera necessário, precisamente através desse diálogo, semear “as sementes da unidade e da harmonia”, enquanto no quotidiano deve crescer “a compreensão e a colaboração inter-religiosa”.
Precisamente no contexto das celebrações do 60º aniversário da publicação da declaração Nostra Aetateo cardeal George Jacob Koovakad, que assina a mensagem, estará em Fátima no dia 16 de outubro. Às 10h30, o prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso presidirá à missa na Capelinha das Aparições, seguindo-se, às 12h00, uma conferência sobre a génese, a história e a relevância atual da declaração. Haverá depois um almoço com bispos, delegados diocesanos e líderes de outras religiões, na Casa Nossa Senhora do Carmo.
Os interessados em participar deverão fazer a sua inscrição online.

O cartaz da iniciativa.










