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Papa Francisco saúda a presidente da associação italiana La Tienda di Gionata. Foto reproduzida a partir do sítio do New Ways Ministry
Papa Francisco saúda a presidente da associação italiana La Tienda di Gionata. Foto reproduzida a partir do sítio do New Ways Ministry

Organizações apelam

“Que o legado de Francisco nos inspire a continuar a luta pela dignidade dos fiéis LGBTQIA+”

| 23/04/2025

Francisco tocou milhões de fiéis em todo o mundo, e “especialmente aqueles e aquelas da comunidade LGBTQIA+”, tendo sido “um farol de esperança para muitos”, sublinha a associação portuguesa Rumos Novos – Católic@s LGBTQIA+ em Ação, numa mensagem de reação ao falecimento do Papa. E deixa um apelo: “que o legado de Francisco de empatia e respeito nos inspire a continuar a luta pela dignidade e pelos direitos de todas as pessoas, especialmente dos fiéis LGBTQIA+, no seio da Igreja”.

” As suas palavras de empatia, como ‘Quem sou eu para julgar?’, ainda que recebidas com resistência por parte de setores mais conservadores da Igreja, são sinais de esperança para muitos e muitas que há tanto tempo se sentem à margem e, esperamos, plantaram sementes importantes para um futuro de maior empatia, esperança e respeito”, pode ler-se na nota à imprensa da Rumos Novos, enviada ao 7MARGENS.

A associação reconhece que, embora tenha tido “divergências em relação a algumas das suas posições sobre questões LGBTQIA+”, apreciou os esforços do Papa Francisco “na promoção de uma Igreja mais inclusiva, acolhedora e misericordiosa, inclusive no que diz respeito à comunidade LGBTQIA+”.

Referindo-se à publicação da declaração Fiducia supplicans ou ao esclarecimento de que “pessoas transexuais podem ser batizadas e atuar como padrinhos ou madrinhas” como “iniciativas de uma inclusão não integral”, a organização lamenta ainda outras iniciativas como a aprovação da declaração Dignitas Infinita, “que classifica as cirurgias de redesignação sexual e a teoria de género como graves violações à dignidade humana”.

“O Papa Francisco procurou equilibrar, através de uma linguagem nova e não de uma reforma doutrinária, o acolhimento pastoral com a doutrina católica, infelizmente, não conseguiu alterar os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica respeitantes às pessoas LGBTQIA+ de fé”, conclui a declaração da Rumos Novos, afirmando esperar “que a memória de Francisco seja uma bênção e fonte de esperança para as profundas mudanças de que a Igreja necessita”.

Na mesma linha, o diretor executivo do New Ways Ministry (grupo católico sediado nos EUA que defende a equidade, inclusão e justiça para pessoas LGBTQ+) afirmou na passada segunda-feira, 21 de abril, que “com palavras simples e gestos gentis, o Papa Francisco conduziu poderosamente a Igreja Católica a tornar-se um lar mais acolhedor para pessoas LGBTQ+”.

“Francisco não foi apenas o primeiro papa a usar a palavra ‘gay’ ao referir-se às pessoas LGBTQ+, como também foi o primeiro papa a falar com elas com amor e ternura. As suas gentis palavras de boas-vindas a essa comunidade, tradicionalmente marginalizada na Igreja, repercutiram-se em todo o mundo. A sua recomendação aos ministros pastorais e líderes eclesiásticos para que acompanhassem, ouvissem e dialogassem com as pessoas LGBTQ+ abriu portas que haviam sido seladas pela homofobia e transfobia de pontífices anteriores”, sublinha Francis DeBernardo.

Francis DeBernardo (à esquerda do Papa) foi recebido no Vaticano em outubro de 2023. Foto New Ways Ministry

Francis DeBernardo (à esquerda do Papa) foi recebido no Vaticano em outubro de 2023. Foto © New Ways Ministry

 

O líder da organização norte-americana, que teve oportunidade de se encontrar pessoalmente com o Papa Francisco, lembra também que houve áreas “em que o seu acolhimento não foi tão amplo como poderia ter sido”, nomeadamente a da identidade de género e das questões transgénero, em que “o pontífice aderiu estritamente ao binário de género masculino-feminino, referindo-se a qualquer nova compreensão da identidade de género como ‘ideologia de género’ ou ‘colonização ideológica’”. No entanto, destaca, “a sua incompreensão e caracterização errónea da identidade de género não impediram o Papa Francisco de estender a mão com compaixão às pessoas transgénero, pedindo continuamente que as pessoas respeitem a dignidade humana inerente destas minorias”.

Já Joe Stanley, presidente do Conselho Pastoral dos Católicos LGBT+ de Westminster (Inglaterra), também fez questão de recordar as palavras de Francisco durante o voo de regresso do Brasil em julho de 2013: “Se uma pessoa é homossexual, busca o Senhor e é de boa vontade, quem sou eu para julgar?”. Reconhecendo que “a humildade, a compaixão e o respeito expressos nesta frase não alteraram, é claro, os ensinamentos da Igreja”, o representante da organização não tem, no entanto, dúvidas: “marcaram uma importante mudança de tom em relação aos seus predecessores. Dessas palavras, extraímos grande encorajamento no nosso compromisso de vivenciar plenamente o nosso lugar no corpo de Cristo”.

 

 

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