
Num mundo marcado por conflitos e injustiças, a busca pela paz torna-se cada vez mais urgente.
A paz, na visão cristã, vai além da ausência de guerra. Ela é um estado de harmonia e justiça, refletindo o amor de Deus por toda a criação. Trata-se de paz justa, que significa ausência de violência e, também, a presença de condições sociais, económicas e políticas que sustentam a paz e o florescimento humano e impedem que os conflitos se tornem violentos ou regressem à violência. A paz justa pode ajudar a humanidade a ultrapassar a guerra.
A não-violência ativa, por sua vez, vai além da simples recusa de usar a força; é um compromisso proativo com a justiça e a dignidade humana.
Os cristãos são chamados a ser construtores da paz, seguindo o exemplo de Jesus, que pregou o amor aos inimigos e a reconciliação. A Pax Christi, como movimento internacional, trabalha para promover esses valores através de diversas iniciativas, incluindo a educação para a paz, a advocacia política e a solidariedade.
Lançada pela Pax Christi International, a Iniciativa Católica para a Não-Violência visa renovar o compromisso da Igreja com a não-violência. Esta iniciativa procura integrar a não-violência nas práticas pastorais e na formação teológica, promovendo uma cultura de paz em todos os níveis da sociedade. Neste contexto, foi criado o Instituto Católico para a Não-violência, em Roma, com o intuito de facilitar a investigação, os recursos e as experiências sobre a não-violência aos líderes, comunidades e instituições da Igreja Católica. O Papa Francisco apoia fortemente esta iniciativa, destacando que a não-violência deve guiar as nossas ações e relações interpessoais.
Novo instituto em Roma para formar católicos na não-violência ativa
A não-violência deve ser encarada como uma espiritualidade, um modo de vida, um método de mudança e uma ética universal relacionada com as escrituras, a tradição cristã, os ensinamentos da Igreja, um novo quadro ético e a vida e missão da Igreja (educação, formação, ministério, vida pastoral, etc.). A Igreja pode integrar a não-violência evangélica em toda a sua vida e trabalho; um novo quadro moral de “não-violência ativa e paz justa” pode permitir que a Igreja institucional, enquanto autoridade moral, seja mais consistente com a criatividade não-violenta do Evangelho; e a Igreja pode aprender com as religiões do mundo e estabelecer parcerias com elas para difundir e ativar a não-violência em todo o mundo.
Na realidade social atual, marcada por conflitos e injustiças, os cristãos podem desempenhar um papel crucial, promovendo a Educação para a Paz e a não-violência, implementando programas educativos que ensinem os princípios da não-violência e da resolução pacífica de conflitos, lutando por Políticas Justas, junto de governos e instituições para promover políticas que respeitem a dignidade humana e procurem soluções pacíficas para os conflitos, e apoiando as Vítimas da Violência, ajudando-as a reconstruir as suas vidas e promovendo a justiça restaurativa.
A não-violência ativa e a paz justa são não apenas ideais a serem perseguidos, mas práticas concretas que podem transformar a realidade social atual.
Maria Margarida Saco é vice-presidente da Pax Christi Portugal, formadora em Direitos Humanos e Educação para a Paz, Discurso de Ódio e Narrativas Alternativas, Informação para Jovens. Trabalhou na área da juventude coordenando projetos e campanhas de sensibilização sobre Discurso de Ódio, Literacia Digital, Educação para a Paz e Não -Violência e Educação para os Direitos Humanos.










