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Senado brasileiro veta liberalização do uso de armas

| 20/06/2019

Senado brasileiro veta liberalização do uso de armas

by | 20 Jun 19 | Destaque 2, Newsletter diária - título, Últimas

Papa condena hipocrisia dos que vendem armamento, enquanto católicos dos EUA criticam insuficiência da posição dos bispos

Inscrições no chão em memória das 17 vítimas do tiroteio numa escola de Parkland (EUA), em Fevereiro de 2018. Foto © Fabrice Florin-Mill Valley/Wikimedia Commons

 

O decreto assinado em Maio pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que flexibilizava a posse e o porte de armas no país (uma das suas promessas na campanha eleitorial que o viria a tornar vencedor da votação de Outubro de 2018), foi rejeitado pelo plenário do Senado brasileiro, que o enviou para a Câmara dos Deputados.

Esta decisão, tomada terça-feira, 18 de Junho, surge num momento em que, quer no Brasil, quer nos Estados Unidos, se intensificam de novo os debates sobre o livre acesso ao porte e uso de armas.

Tema marcante da agenda mediática e política de ambos os países, o direito à legítima defesa é um dos argumentos indicados pelos apoiantes deste tipo de iniciativas. “As pessoas precisam de meios próprios para defender a sua família e a sua propriedade. A arma gera segurança, gera proteção da vida. O Brasil precisa de se proteger”, declarou o senador Telmário Mota, do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), citado pela RTP a partir da agência Lusa.

Apesar de serem nações com enormes dimensões, os números da violência levada ao extremo impressionam. No Brasil, em 2017, 63.880 pessoas foram assassinadas e nos Estados Unidos (EUA) houve no ano passado mais de 35 mil homicídios, segundo o centro Brady, em informações citadas pelo National Catholic Reporter.

Aquela entidade norte-americana sem fins lucrativos orientada para a defesa do controlo de armas e a violência armada estima que em cada dia de 2018 morreram sete crianças ou adolescentes vítimas de violência armada.

A existência de uma cultura da violência (nas televisões, nas redes sociais, no comportamento com os outros) é levada ao extremo nos Estados Unidos, onde ataques premeditados em escolas e outros espaços públicos ou tiroteios nocturnos já tiraram a vida cedo de mais a muitas crianças e jovens.

Perante este cenário, começam a surgir movimentos cívicos e/ou religiosos que apelam e que se mobilizem com o intuito de parar a cultura da violência e das armas.

A reacção da Igreja à chamada “idolatria” das armas é considerada insuficiente ou quase inexistente por muitos norte-americanos.

“Em relação aos tiroteios em massa, eu tenho ficado atónita com o relativo silêncio da Igreja”, afirmou ao National Catholic Reporter Susan Reynolds, professora de estudos católicos na Escola de Teologia Candler, da Universidade de Emory.

Tobias Winright, teólogo na Universidade de Saint Louis, referiu ao mesmo órgão de informação que alguns bispos, em particular o de Chicago, emitiram importantes opiniões a propósito de vagas de tiroteios em massa, mas a mensagem da hierarquia católica norte-americana “precisa de ser mais organizada” e de transmitir mais a ideia “da urgência desse problema”.

 

“Hipocrisia” de falar de paz e vender armas é “pecado”

No passado dia 10 de Junho, o Papa Francisco falou sobre o tema do comércio de armas, aquando da recepção no Vaticano aos participantes na reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais e denunciou a incoerência entre os apelos à paz e a manutenção em paralelo do comércio de armamento, particularmente em países europeus.

“Gritam as pessoas em fuga apinhadas em navios, em busca de esperança, sem saber que portos poderão recebê-las na Europa, uma Europa que, no entanto, abre os portos para embarcações que vão carregar armamentos sofisticados e caros, capazes de produzir devastações que não poupam nem as crianças”, declarou o Papa, citado na página digital do Instituto Unisinos.

“Se os corações dos homens são insensíveis, não o é o coração de Deus, ferido pelo ódio e pela violência que se pode desencadear entre as suas criaturas, sempre capaz de se comover e cuidar deles com a ternura e a força de um pai que protege e que orienta. Mas às vezes penso também na ira de Deus que se abaterá contra os responsáveis dos países que falam de paz e vendem armas para fazer essas guerras. Essa hipocrisia é um pecado”, afirmou.

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