
À frente da Conferência Europeia de Rabinos está Pinchas Goldschmidt, que foi o rabino-chefe de Moscovo até decidir deixar o cargo, no ano passado, depois de ter criticado a invasão russa da Ucrânia. Foto © CER.
A controversa e histórica decisão já tinha sido anunciada em maio deste ano, e agora tornou-se mesmo realidade: a Conferência Europeia de Rabinos (CER) transferiu a sua sede de Londres para Munique, cidade berço do Partido Nazi.
Fundada na capital britânica em 1956 com o objetivo de “reavivar as “comunidades vencidas no continente europeu”, foi aí que a CER – que reúne mais de 700 líderes judaicos de toda a Europa – funcionou até à semana passada.
Mas o Brexit levou a organização a procurar um novo lar no continente, explica o Religion Media Centre, e depois de uma conferência bem sucedida em Munique, no ano passado, o presidente da Baviera, Markus Söder, convidou a CER a instalar-se ali permanentemente.
O que a alguns pareceu uma ideia estranha, ou mesmo ultrajante, materializou-se na passada terça-feira, 19 de setembro, dia em que decorreu a primeira reunião de membros da CER na sua nova sede, a poucas ruas de onde, há precisamente cem anos, Adolf Hitler ganhou destaque pela primeira vez com seu fracassado “Putsch da Cervejaria”. Não muito mais mais longe, pode ser encontrado o memorial aos 11 atletas israelitas assassinados por terroristas palestinianos nas Olimpíadas de 1972.
À frente da CER está Pinchas Goldschmidt, que foi o rabino-chefe de Moscovo até decidir deixar o cargo, no ano passado, depois de ter criticado a invasão russa da Ucrânia e sido forçado ao exílio [ver 7MARGENS].
O conflito é, de resto, uma das principais questões que preocupam a conferência hoje em dia. “Duas comunidades judaicas estão a ser destruídas: uma delas na Ucrânia e a outra está na Rússia”, alertou Goldschmidt, em declarações ao Religion Media Centre.
Residem atualmente em Munique 9.000 judeus, muitos deles vindos da antiga União Soviética, e Pinchas Goldschmidt acredita que muitos mais lhes seguirão o exemplo. O rabino vê a cidade como “um farol para a vida judaica na Europa” e sente a “responsabilidade de servir esta comunidade”, estando já previstas diversas iniciativas sobre questões relevantes para o mundo judaico, nomeadamente a liberdade de prática e tradição religiosa.
Até porque outra das preocupações é o aumento do antissemitismo na Europa em geral, e na Alemanha em particular. Mas Florian Herrmann, chefe da Chancelaria do Estado da Baviera e Ministro dos Assuntos Federais e da Comunicação Social, assegura: “Mantemos a nossa promessa de proteger a vida judaica na Baviera. ‘Nunca mais’ é a nossa razão de ser e o mandato eterno para todos na política e na sociedade.”









