
Aspeto da assembleia de 2023 do Sínodo sobre a sinodalidade antes do início dos debates: daqui a um mês começa a segunda parte. Foto © António Marujo/7MARGENS
A segunda e última sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade será inaugurada com uma solene eucaristia na Praça de S. Pedro, presidida pelo Papa, no dia 2 de outubro, anunciou a Sala de Imprensa do Vaticano, esta segunda-feira, 2 de setembro, poucas horas antes de Francisco partir para uma viagem a quatro países asiáticos. [ver 7MARGENS]
No mesmo local, em 27 de outubro, o Papa presidirá também à missa de encerramento daquele que será provavelmente o maior acontecimento do mundo católico em 2024.
Entretanto, a preparação da fase final do Sínodo tem prosseguido, com iniciativas ao nível continental, tendo por base as sínteses elaboradas pelas respetivas conferências episcopais, bem como pelo documento preparatório (Instrumentum Laboris), dado a conhecer no início de julho, intitulado “Como ser igreja sinodal em missão?”.
Segundo um levantamento publicado em agosto pelo site da Associação Católica de Informação da África (ACI-Africa), as conferências episcopais regionais – em colaboração com clérigos, religiosos, religiosas e leigos – promoveram encontros em vários continentes para preparar a sua participação na sessão em Roma.
Em concreto, a Federação das Conferências Episcopais da Ásia promoveu um encontro em Banguecoque, de 4 a 7 de agosto, com a participação de 38 delegados de igrejas locais espalhados por 17 países, numa região do planeta em que a Igreja Católica é minoritária e tem o desafio de dialogar com uma grande diversidade de religiões e de culturas. [Para sensibilizar os membros da Igreja para a sinodalidade, foi recentemente lançado o site SynodAsia]
Na América do Sul, que é talvez a região onde o processo sinodal mais avançado se encontra, o Celam (Conselho Episcopal da América Latina e do Caribe) realizou, de 9 a 11 de agosto, um congresso de três dias em Bogotá, na Colômbia, que teve perto de duas mil pessoas a participar, 200 das quais presencialmente. Temas como o significado da missão, o papel das mulheres e as estruturas da Igreja foram objeto de estudo.
Em declarações citadas pela ACI Africa, o arcebispo de Caracas, Raúl Biord, disse ser necessário aprofundar a relação entre sinodalidade e missão, na linha do que vem enfatizado no Instrumentum Laboris, de modo a superar o que entende ser “a pobreza das propostas” que “reduzem a missão à pastoral missionária”.
A diversidade é importante?

Indígenas na eucaristia de abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia. Foto © Arlindo Homem
No caso da África, o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM, da sigla em inglês), juntamente com a Iniciativa Sinodal Africana (ASI), organizou já em abril, em Nairobi, um encontro de dois dias, no qual 50 delegados de igrejas locais debateram a especificidade da experiência e da contribuição povos africanos na evangelização do continente, reconhecendo, ao mesmo tempo, “a importância de fortalecer a identidade cristã na região”.
O cardeal Fridolin Ambongo, presidente do SECAM, revelou que, nos trabalhos, “houve consenso entre os delegados de que África deve abraçar a experiência das pequenas comunidades cristãs, bem como os ricos princípios filosóficos do Ubuntu, que destacam os valores da família, da fraternidade e da solidariedade”.
Quanto à Europa, o encontro decorreu em Linz, na Áustria, na última semana (de 29 a 31 de agosto), sob a liderança do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, a participação de alguns presidentes de conferências nacionais de bispos e outros representantes de igrejas locais. Uma temática debatida no encontro foi a da diversidade de realidades e experiências a todos os níveis da vida da Igreja. A especialista em Teologia Pastoral e membro do Sínodo, Klara-Antonia Csiszar, que também participou no encontro de Linz, já antecipava que essa iria ser uma problemática central, quando perguntava, no trabalho publicado pela ACI Africa: “Atribuímos importância à forma como a diversidade pode ser percebida na Europa. (…) Que mensagem tem esta diversidade para a Igreja na Europa, o que significa para as nossas igrejas locais, [e] que voz a Igreja na Europa desempenha na sinfonia da Igreja universal?”
O site Katolisch.de, da Igreja alemã, publicou uma curta reportagem sobre o encontro europeu, na qual o bispo Franz Lackner, presidente da Conferência Episcopal Austríaca, procurava responder à questão da teóloga. Ele afirma querer que os debates na Igreja Católica do futuro sejam “um campo de flores, não uma monocultura”. O caminho da sinodalidade empreendido pelo Papa Francisco, ou seja, uma nova cultura de diálogo e consulta conjunta na Igreja, continuará, “independentemente do que realmente aconteça”, afirmou.
Lackner referiu-se à deceção que se terá apossado de alguns cristãos que tinham expectativas excessivamente altas, dizendo que é necessária uma “visão realista”, para que haja progressos. Ele mostra-se convencido de que o Papa Francisco, que já surpreendeu muito, não vai faltar com novas surpresas, no que se refere à reforma da Igreja.










