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Tolentino Mendonça substituiu Francisco, na celebração do Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura. Foto © Vatican Media via Agência Ecclesia.

Francisco continua internado

Tolentino leu o apelo do Papa: que os artistas façam a revolução em favor dos mais frágeis

 

O Papa agradeceu este domingo a todos os que o têm acompanhado, no seu internamento hospitalar, numa mensagem publicada pelo Vaticano. Na Basílica de São Pedro, Tolentino Mendonça substituiu Francisco, na celebração do Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura, apresentando o apelo do Papa a todos os artistas, para que se unam à Igreja numa “revolução” da beleza, em favor dos mais frágeis.

Do hospital, o Papa Francisco — no texto publicado pela sala de imprensa da Santa Sé, com a sua reflexão para o ângelus dominical — expressou o seu agradecimento pelo “afeto, a oração e a proximidade” com que as pessoas o têm acompanhado nestes dias. E acrescentou: “Assim como gostaria de agradecer aos médicos e aos profissionais de saúde deste Hospital pelos seus cuidados: fazem um trabalho tão precioso e cansativo, apoiemo-los com a oração.”

Francisco, que foi internado na manhã de sexta-feira, evoca na sua reflexão os vários conflitos em curso. “Convido todos a continuar a rezar pela paz na martirizada Ucrânia, na Palestina, em Israel e em todo o Médio Oriente, em Myanmar, no Kivu (RDCongo) e no Sudão”, escreve.

O texto associa-se à celebração do Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura. “Hoje [domingo], no Vaticano, foi celebrada uma Eucaristia dedicada em particular aos artistas que vieram de várias partes do mundo para viver os dias do Jubileu. Agradeço ao Dicastério para a Cultura e a Educação pela preparação deste evento, que nos recorda a importância da arte como linguagem universal que difunde a beleza e une os povos, ajudando a harmonizar o mundo e a silenciar qualquer grito de guerra”, indica Francisco.

“Gostaria de saudar todos os artistas que participaram: teria gostado de estar entre vós, mas, como sabem, estou aqui no Hospital Gemelli porque ainda preciso de tratamento para a minha bronquite.”

Em internamentos anteriores, o Papa presidiu à recitação do ângelus desde o Hospital Gemelli de Roma com transmissão pelos canais do Vaticano.

O diretor da sala de imprensa da Santa Sé disse hoje aos jornalistas que Francisco teve “uma boa noite de sono”, tomou o pequeno-almoço e leu os jornais, como faz habitualmente, e continua os seus tratamentos. Matteo Bruni precisou que a decisão de abdicar da recitação dominical do ângelus visou “facilitar a recuperação”.

 

A revolução da beleza

No Vaticano, o cardeal Tolentino Mendonça apresentou o apelo do Papa à revolução de todos os artistas. “Queridos artistas, vejo em vós guardiães da beleza que sabe inclinar-se sobre as feridas do mundo, que sabe escutar o grito dos pobres, dos sofredores, dos feridos, dos presos, dos perseguidos, dos refugiados. Vejo em vós guardiães das bem-aventuranças”, refere a homilia que Francisco tinha preparado para esta celebração.

O texto foi lido por José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação, na Basílica de São Pedro, que recebeu os participantes no Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura. “Vivemos num tempo em que se erguem novos muros, em que as diferenças se tornam um pretexto para a divisão em vez de serem uma oportunidade de enriquecimento recíproco. Mas vós, homens e mulheres de cultura, sois chamados a construir pontes, a criar espaços de encontro e diálogo, a iluminar as mentes e a aquecer os corações”, indicou.

O Papa refere na sua reflexão que Jesus promove uma “revolução da perspetiva”, com o seu ensinamento, que “proclama felizes os pobres, os aflitos, os mansos, os perseguidos”. “A arte é chamada a participar nesta revolução. O mundo precisa de artistas proféticos, de intelectuais corajosos, de criadores de cultura”, assinala a homilia.

“Deixai-vos guiar pelo Evangelho das Bem-Aventuranças e que a vossa arte seja anúncio de um mundo novo. Que a vossa poesia no-lo mostre! Nunca deixeis de procurar, interrogar, arriscar”, acrescenta a reflexão, lida em italiano por Tolentino Mendonça.

O Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura decorre entre 15 e 18 de fevereiro, reunindo mais de dez mil participantes de mais de 100 nações dos cinco continentes, incluindo Portugal e vários países lusófonos.

 

Imagem de destaque: Tolentino Mendonça substituiu Francisco, que continua internado, na celebração do Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura. Foto © Vatican Media via Agência Ecclesia.

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