A criação no passado dia 18 de agosto da associação Dar Voz ao Silêncio obrigou os membros da ex-Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa (CI) a expressar em comunicado enviado à imprensa serem “alheios à escolha do seu anterior slogan “DAR VOZ AO SILÊNCIO” enquanto designação de uma nova “Associação de Sobreviventes” destes crimes (…).
Assinado pelos ex-membros Ana Nunes de Almeida, Catarina Vasconcelos, Daniel Sampaio, Filipa Tavares e Pedro Strecht, o breve comunicado, enviado hoje 27 de agosto às redacções, termina expressando a sua solidariedade com o sofrimento das vítimas e clarifica a situação: “Sempre solidários com o sofrimento de todos quantos passaram por estas situações, não nos seria possível, contudo, evitar demarcar-nos do uso da mesma designação sob pena de se originar qualquer tipo de dúvida entre o trabalho da ex- CI e a recém-criada “Associação”.”
A recém-criada associação, apresentada publicamente no dia 25 de agosto na cidade da Maia, escreve em comunicado enviado às redacções ser um “Movimento fundado por vítimas sobreviventes que exige a suspensão imediata e a auditoria total ao atual modelo de reparação financeira e psicológica da Igreja.” Tendo como lema “Transformar a dor em AÇÃO e o silêncio em LIBERTAÇÃO”, o comunicado começa com uma exigência: “Sobrevivente de abusos na Igreja Católica unem-se para exigir justiça e travar processo de reparação ‘imoral’. “
A associação, “nascida no Norte por iniciativa de dois irmãos, ambos vítimas sobreviventes, apela à intervenção urgente da Assembleia da República e do Governo para garantir a dupla responsabilização e o fim da revitimização.” Acrescenta ainda que a iniciativa “surge como resposta direta à profunda indignação e inconformismo com as decisões, métodos e critérios adotados pela Igreja Católica no atual processo de reparação financeira e psicológica.”










