
“Todos os hospitais da Faixa de Gaza estão sobrelotados e carecem de suprimentos médicos, combustível, alimentos e água”. Foto © WHO
Não é uma novidade: desde 7 de outubro que os serviços de saúde na Faixa de Gaza têm vindo a lutar com dificuldades cada vez maiores. Mas chegou o ponto em que apenas dois grandes hospitais da região “sobrevivem” e estão, eles próprios, “no meio das atuais hostilidades”. Se não forem tomadas “ações concretas urgentes” para preservar o acesso a cuidados médicos vitais e de emergência, estes entrarão em “colapso total” e “o mundo testemunhará incontáveis milhares de mortes evitáveis”, alerta o Comité Internacional da Cruz Vermelha, num comunicado divulgado esta quinta-feira, 25 de janeiro.
“Hoje, para aproximadamente dois milhões de pessoas, o Complexo Médico Nasser e o Hospital Europeu de Gaza – ambos localizados no sul da Faixa de Gaza – são os únicos dois hospitais de referência que prestam serviços avançados de emergência cirúrgica e médica com grande capacidade de camas, o que não é suficiente para os atuais feridos e doentes em Gaza”, pode ler-se no comunicado.
Assinalando que esses quase dois milhões de pessoas se encontram atualmente numa área de cerca de 60 quilómetros quadrados – menos de 20% do território de Gaza -, “em condições de vítima extremas”, a Cruz Vermelha insiste que “as partes em conflito e todos os que têm influência sobre elas devem tomar medidas imediatas para garantir a segurança dos hospitais e das pessoas que neles trabalham” e “facilitar o reabastecimento atempado de itens necessários ao funcionamento dos hospitais, incluindo medicamentos, combustível, alimentos e água”.
O chefe de escritório do Comité Internacional da Cruz Vermelha em Gaza, William Schomburg, resume assim o apelo da instituição: “Todos os hospitais da Faixa de Gaza estão sobrelotados e carecem de suprimentos médicos, combustível, alimentos e água. Muitos estão a abrigar milhares de famílias deslocadas. E agora mais duas instalações correm o risco de serem perdidas devido aos combates. O impacto cumulativo no sistema de saúde é devastador e devem ser tomadas medidas urgentes”.









