#o_avesso_da_casa
Ozias Filho
o silêncio corta
a cidade de domingos
e nunca mais é segunda-feira
Integrado no desafio Quanto tempo tenho que esperar para que a realidade se torne extraordinária?, do Photobook Clube Lisboa, no contexto pandémico da covid-19, que se alastra dramaticamente em todo o mundo, ceifando milhares de vidas, resolvi centrar a minha atenção na CASA, sua ausência, sua presença. A CASA em que vivo, as várias casas onde estou, a CASA maior que é o planeta. A CASA vazia, deserta, virada ao avesso. O confinamento em CASA pode representar uma prisão ou um confronto connosco e mesmo a liberdade, o nosso direito de ir e vir, que agora não se vive na plenitude, guarda ressaibos de saudade. Já vivemos esta experiência e voltamos agora a vivê-la, com um novo estado de emergência, sempre na expectativa de que fique por aqui.
Este #o_avesso_da_casa, título do meu ensaio fotográfico/poético, segue pistas, que estão longe de ser respostas. Não procuro respostas, mas sim um processo de catarse criativa que me obrigue a continuar a fazer perguntas. As imagens aqui apresentadas relacionam-se com esta casa e cada partícula deste ensaio tem as suas linguagens próprias e múltiplas. Neste ensaio usei a aplicação Kodak Mobile Film Scanner, ferramenta utilizada para digitalizar películas (negativos de cor e p/b ou diapositivos). Sendo uma aplicação para telemóvel, proporcionou-me uma nova postura, leve, algo descomprometida com a técnica habitual e necessária às máquinas fotográficas tradicionais. Você está perante esta CASA que me rodeia, uma CASA PERSONAGEM. Eu sou PERSONAGEM desta CASA. Onde mora a sua CASA?






