A revista Testemunho [1], até agora sem abordagem historiográfica, confirma uma etapa valorosa do catolicismo social quanto aos esforços de inserção no mundo operário, e dá conta de todo um processo de viragem em curso na Igreja Católica em Portugal. Implicando uma nova espiritualidade, uma outra mística cristã, cultivava um fundo envolvimento da militância católica nas coisas do mundo, para transformar a história ou transfigurar a vida.
Contextualizar os seus conteúdos, considerar quem a lia, quem eram os seus destinatários, contribuirá para interpretar o impacto daquela publicação e possibilitará delinear o sentido do seu protagonismo histórico.
Quer pela projeção concedida a experiências e projetos de envolvimento cristão em mundo operário, quer pela forma como era promovido o aprofundamento dos fundamentos teóricos da dimensão social do compromisso dos militantes católicos, a Testemunho corporizou, através da sua palavra, uma perspetiva da Pastoral Operária que se cruzava com a identidade dos movimentos da Ação Católica especializada, assumindo uma “espiritualidade de presença” ou encarnada, em contraposição a uma outra espiritualidade de “pura transcendência”.
Apresentando-se, desde o seu primeiro “Editorial” como publicação com um perfil de informação, formação e documentação, a revista Testemunho emanou das conclusões da III Semana Nacional da Pastoral Operária, de 1967. A sua concretização cumpria a ambição de ocupar um espaço ligado a uma conceção orgânica sobre a Pastoral Operária, procurando a confluência e união «de todos os que se preocupam com os problemas do mundo operário»[2].

Capa do n. 1 da revista “Testemunho”, novembro /dezembro de 1969.
O primeiro número da revista reporta-se aos meses de novembro/dezembro de 1969. Com periodicidade bimensal, teve publicação regular até 1974 [3]. Embora a revista tenho perdurado para além de 1974, nesta análise consideramos somente a fase que decorre desde o seu lançamento até à Revolução de Abril de 1974. Sem que corresponda a uma etapa uniforme na identidade da revista, naquele arco cronológico não só será possível compreender determinadas dinâmicas da sociedade portuguesa, como também se poderá contribuir para a interpretação das posições e iniciativas de setores do catolicismo social e dos seus contributos para a transformação da sociedade portuguesa. É, no entanto, importante ter em consideração que o projeto da Pastoral Operária ganhou contornos significativamente diferentes e novas etapas depois da Revolução.
Apresentada como “revista bimestral de Pastoral Operária” e propriedade da Comissão Nacional de Pastoral Operária, o seu primeiro diretor foi o Pe. José Carlos Sousa, então Assistente da LOC da Diocese de Lisboa[4].
Testemunho era uma nova publicação, mas pretendia não ser mais uma revista. Na abertura do primeiro editorial logo se manifestou a necessidade de diferenciação e a vontade de legitimação: «Mais “uma revista”, mais uma loucura, mais um sonho, uma ousadia, um desejo de afirmação?»[5].
Existiam, à época, publicações dos Movimentos da LOC e LOCF (boletins e jornais). Com influência junto dos trabalhadores, a Voz do Trabalho, jornal herdeiro de outros títulos que foram suprimidos pela censura do regime, ou modificados para poderem ser publicados, como acontecera anteriormente com o jornal O Trabalhador; e o Lutador Cristão, jornal oficial do movimento operário católico dedicado aos trabalhadores, já exercia uma alargada função informativa, formativa e impulsionadora para a ação.
Na delimitação do espaço próprio para a nova publicação houve o entendimento de que se requeriam outros contributos para a afirmação de uma forte identidade operária e para reforçar a valorização da dignidade do trabalho. Porém, à Testemunho exigiam-se novos atributos na promoção da mudança das mentalidades.
Se tivermos em conta que em Portugal era escassa a imprensa não clandestina de cunho operário, que valorizasse a cultura operária, as iniciativas de engajamento transformador da sociedade, à Testemunho fora atribuída a incumbência de adicionar conteúdos críticos com ligações às experiências eclesiais e aos discursos teológicos mais recentes de correntes renovadoras e das igrejas da libertação.
A trajetória da Testemunho até 1974 sugere, para além da realidade do País, influências ou referenciais que poderão ter contribuído para o apuramento do modelo de publicação.
À escolha do título da revista Testemunho não terá sido indiferente o facto de o jornal da A.C.O. – Action Catholique Ouvrière, de França, se designar desde o final da década de 1940 Témoignage[6]. Não que essa ligação esteja patenteada na revista da Pastoral Operária portuguesa. Contudo, a proximidade às publicações, às construções teóricas, à praxis do movimento operário católico e às modalidades de Pastoral Operária em França faziam-se sentir por diferentes meios entre os católicos do meio operário de Portugal, e de forma progressiva durante as décadas de 1960 e 1970. E se essa conexão, mais do que mera coincidência, estava latente e poderá ter-se expressado através do avocar do título, não teve correspondência direta na estruturação e no modelar da Testemunho.
A revista portuguesa publicou diversos textos, noticiários e documentação, relativa à A.C.O. e à Pastoral Operária em França, mas o ideário do Temoignage, de vivo compromisso com a «promoção operária coletiva, humana e cristã» é que terá inspirado o perfil da Testemunho. Poderíamos apontar para a escolha do título da revista a indicação de uma premeditada vinculação espiritual com a exemplaridade de um exercitar do dever de cuidar de valores que fecundam a ação operária.
Na trajetória subsequente da Testemunho foi influente a revista espanhola Cuadernos para el Diálogo, através da disponibilização de conteúdos. Para além dos textos partilhados pela Testemunho, era propósito de Cuadernos para el Diálogo estimular uma reflexão cristã sobre a coisa pública e constituir-se uma concretização dum cristianismo comprometido com a defesa da dignidade da pessoa humana e com a demanda democrática[7].
Em cada número da revista, a “aprovação da autoridade eclesiástica” conferia à Testemunho a legitimidade institucional e o enquadramento adequado face às restrições à liberdade de expressão do pensamento impostas pelo Estado Novo. E apesar da censura, aquela publicação da Igreja Católica recomendava autores, apresentava livros, divulgava na íntegra textos retirados de circulação pelo regime[8].
As páginas da revista da Pastoral Operária multiplicavam na sociedade portuguesa, e através das mãos dos mais destacados quadros e dirigentes do catolicismo em meio operário, a reflexão teológica e subversiva de Giulio Girardi, Paul Gauthier, Abert Mari, ou as palavras mais escarlates de D. António Fragoso, bispo de Cratéus, no Brasil, ou de D. Hélder Câmara.

Foto: Giulio Girardi (1926-2012), retirada do vídeo “Che Guevara visto da un cristiano“.
O discurso de G. Girardi sobre o problema da violência revolucionária e da necessidade de usar de violência contra aqueles que instauraram um sistema de violência, como consta do livro Amour chrétien et violence révolutionnaire, foi apresentado e recomendado pela Testemunho. Com particular sublinhado, aquela revista destacou especialmente o interesse do capítulo «sobre a luta de classes, o qual define de modo simples, mas objetivo, o conteúdo histórico-sociológico desse afrontamento real de classes»[9].
Logo nos primeiros números da Testemunho foi traduzido e publicado, como documentação, o diálogo entre Yves Congar e Giulio Girardi sobre a divisão social dos cristãos[10].
Na tarefa de publicar alguns documentos que contribuíssem para o aprofundamento de reflexão teologal, foram transcritos, para inédita publicação em Portugal, as análises do teólogo Albert Mari. Sobre o grito dos oprimidos e a luta pela justiça, dentro dum enraizamento na classe operária, aquele teólogo apontou a necessidade da articulação estreita com os marxistas, num agir feito do contacto entre o marxismo e o cristianismo[11].
Assim, toda a organização da Testemunho em cada um dos seus números contou, a par dos textos traduzidos, com um Editorial cujo modelo variou entre a reflexão teológico-pastoral a partir de questões consideradas mais desafiadora para os cristãos e informação sobre acontecimentos eclesiais, tendo assumido, por vezes, a forma de posicionamento ou de manifestação de linhas de orientação sobre a construção da história em sociedade.
Com a preocupação de valorizar a participação, a equipa de redação da Testemunho garantia a publicação regular do Correio dos Leitores e revelava ter como prática estabelecer “contatos com várias pessoas em pontos diversos de País” para melhor definir o sentido das propostas da revista[12].
A estruturação da revista permitia escolher ou construir de raiz textos que levantassem questões e obrigassem a pensar, a edificar reflexão. Os textos escolhidos tomavam a forma de Dossier ou eram publicados na seção de Documentação, coligindo reflexão pastoral e testemunhos de experiências sobre Pastoral Operária. O Noticiário comentado incidia sobre determinados eventos organizados por católicos e iniciativas da Igreja Católica no mundo que não teriam publicação noutros órgãos de imprensa. A Bibliografia reunia obras a recomendar leitura, fruto de uma criteriosa e seletiva procura, e, muitas vezes, com as correspondentes notas críticas, no que constitui um dos lugares de clara afirmação da orientação editorial, de confirmação do modelo eclesiológico e da opção preferencial pela libertação-compromisso com o mundo operário.
Os temas e conteúdos privilegiados, as questões e preocupações a que a Testemunho terá atribuído prioridade vão desde a problemática social, a vida operária, a dignidade do trabalho, a identidade operária e a evangelização, até aos problemas da paz, dos cristãos e da participação política, dos debates ideológicos sobre a opção socialista, a luta de classes, a oposição histórica entre fé cristã e socialismo ou as referências ao marxismo.
Expressão eloquente da militância cristã em mundo operário, a revista Testemunho nem foi estática, nem uniforme, no trajeto que analisamos entre 1969 e 1974.
É possível distinguir duas etapas em que os conteúdos selecionados, os textos publicados, os autores escolhidos, os artigos e quem os escreveu, as referências bibliográficas recomendadas pela revista da Pastoral Operária, correspondem a diferentes momentos e a formas distintas de exercício do compromisso social e político de setores do catolicismo em Portugal. Essas duas etapas são sintomáticas de diferenciadas dinâmicas em curso na sociedade portuguesa.
Uma primeira fase da revista Testemunho situa-se entre os últimos meses de 1969, por ocasião do lançamento do primeiro número, e o final de 1972. Nas páginas da revista, naquela fase, é possível identificar em que sentido, para alguns setores do catolicismo em Portugal, sopravam os ventos de abertura do Concílio Vaticano II, e mostrar que os movimentos de operários católicos em Portugal explicitavam, especialmente a partir de 1969/1970, uma clara linguagem de “compromisso” no mundo – um compromisso abertamente social e político – e procuravam desenvolver as implicações de uma teologia da encarnação nas “realidades terrestres” – através de representações históricas e sociais do que poderiam ser as exigências da inserção social, da inculturação, da imersão na mundanidade – invocando já significados para um horizonte de libertação inscrito no agir dos cristãos e na praxis eclesial.
Numa primeira fase da revista de Pastoral Operária é dedicado maior espaço à caracterização de problemas da vida operária e à consideração de projetos de evangelização do mundo trabalhador[13].

A “Testemunho” passou a ter uma nova imagem de capa a partir de 1971.
Na Testemunho, para além do seu Diretor, Pe. José Carlos de Sousa, escreveram para a reflexão cristã, sobre a Igreja e a sociedade portuguesa, o Pe. Agostinho Jardim Gonçalves, o Pe. Manuel António Pimentel, dirigentes operários católicos como Maria Natividade Cardoso, Maria Elisa Salreta, entre muitos outros, com uma preocupação comum de contribuírem para o “compromisso temporal” do militantismo operário católico, para que se projetasse em intervenções concretas, de modo a ganhar expressões e implicações sociais.
Numa segunda fase, entre o início de 1973 e o final de 1974, os textos publicados pela Testemunho passaram a traduzir uma mensagem de liberdade e de libertação, de solidariedade social, esperançados num despertar de consciências que conduzisse à transformação política do País. As publicações terão ganho um maior cunho protagonista. Querendo mais nitidamente fazer a história acontecer, a revista Testemunho evidenciou teses socialistas e aproximações a um discurso teológico com contacto estreito com correntes do marxismo[14]. Sobre a necessária não subordinação da Igreja Católica em relação ao regime vigente, no início de 1974 a Testemunho publicou um artigo fortemente crítico e de cariz programático sobre a missão da Igreja no mundo, extremamente bem fundamentado, escrito por Francisco Custódio, que projeta um processo de funda transformação histórica[15].
A Testemunho deu lugar, a vozes da oposição democrática, a católicos visivelmente envolvidos em movimentos sociais e políticos que naquela fase da história do Estado Novo eram contrários ao regime, como Luís Moita e Francisco Pereira de Moura.
Francisco Pereira de Moura já tinha participado, em 1967, na III Semana de Pastoral Operária com análise social e económica do País. Em 1974, ainda antes da Revolução de Abril, na Testemunho, escreveu um artigo de fundo com uma análise crítica sobre a situação da sociedade portuguesa. Aquele texto sinaliza também uma crescente contraposição ao regime por parte de setores do catolicismo em Portugal.[16].
O primeiro número da Testemunho depois do dia 25 de Abril de 1974 insere-se no contexto revolucionário que atravessava o País. A revista propõe elementos de reflexão sobre os cristãos e o socialismo, publicando o documento do I Encontro “Cristãos pelo Socialismo”, de Ávila (janeiro 1973)[17]. E atribui maior centralidade aos fundamentos da ideia de “Revolução” para os cristãos, à eficácia do agir cristão na sociedade e à consciência de povo na nova etapa na vida dos portugueses[18]. Naquele quadro, a revista ocupa-se do papel do Movimento Católico na revolução, da participação nas lutas e da organização da classe operária. Naqueles dias da revolução, a Testemunho incita, mais claramente, ao protagonismo dos católicos operários nos esforços para “construir uma sociedade nova”. Os desafios da revolução passaram a preencher as páginas da revista, tal com estavam a mobilizar a militância católica[19].
Podemos, pois, dizer que, numa e noutra fase da Testemunho, aquela publicação constitui um sismógrafo da trepidação dos fenómenos e dinâmicas que fizeram mover em profundidade a Igreja Católica e a sociedade portuguesa.
Para além do que reflete, no seu conjunto, a Testemunho é também lugar gerador e fonte de alimentação de projetos de luta pela democracia em Portugal, tornando-se fazedora da história do movimento operário e protagonista de processos de viragem social, política e cultural.
A revista ao longo deste processo procurou responder aos desígnios da Pastoral Operária. E nessa medida a Testemunho também materializou uma ideia e um projeto de Pastoral Operária. A partir das realidades concretas experimentadas pelos militantes cristãos em mundo operário, como cristãos comprometidos na sociedade, a Pastoral Operária demandava «uma pastoral da mística e da utopia»[20]. No âmbito de um incentivo e busca de formação de consciência crítico-militante, a Pastoral Operária correspondia a um compromisso com o tempo histórico, esforçando-se por estar atenta aos “sinais dos tempos” e às exigências do quotidiano, no que se referia ao mundo dos trabalhadores em Portugal.
A Testemunho, enquanto força instrumental da execução de uma nova perspetiva para a Pastoral Operária em Portugal, contribuiu para projetar, quer no plano nacional, quer a nível diocesano, o desafio à capacidade de a Igreja Católica dialogar com o diferente, com uma realidade abordada segundo categorias interpretativas diversas e incorporando divergentes posturas perante a vida. Tais pressupostos requereram uma atitude de escuta e descoberta da parte da Igreja em relação à condição de vida operária, que se refletiu nas páginas da revista de Pastoral Operária.
A Testemunho, concomitantemente, materializou outras componentes do projeto de Pastoral Operária, a da formação de consciência militante e duma pedagogia da ação, da intervenção no meio de pertença.
Na definição de perspetivas de evangelização em meio operário, a Pastoral Operária não se concebia como concorrente dos movimentos específicos ou especializados. E muito menos ambicionava substituir ou anular a diversidade das iniciativas de Igreja Católica no mundo operário. No quadro teórico-metodológico, a estruturação da Pastoral Operária que se explicita na revista Testemunho visava um encontro das partes pastoralmente envolvidas nalguma forma de ação junto dos trabalhadores portugueses, com o objetivo de reunir experiências, promover formas de articulação de projetos, procurando tecer por fios diferentes, mas numa ação conjunta, a evangelização no mundo do trabalho.

De um artigo de Maria Vitória Pinheiro publicado na “Testemunho”, maio /junho de 1970.
[1] A revista Testemunho foi consultada no Arquivo Nacional da LOC – Liga Operária Católica, a cuja direção expressamos gratidão por todo o apoio logístico e funcional facultado a esta pesquisa.
[2] Testemunho. 1 (1969) 1. A revista tinha cerca de 300 assinantes. Do perfil dos assinantes faziam parte Assistentes, nacionais, diocesanos e de secções de base paroquial da Ação Católica, dirigentes e militantes dos movimentos JOC/JOCF, LOC/LOCF, padres em meio operário e religiosas com intervenção em bairros mais pobres das periferias, mormente, da região de Lisboa. Da revista eram editados 2000 exemplares que, para além da distribuição aos assinantes, tinham envio regular para França, para Paróquias e militantes operários católicos. Também nalgumas paróquias como em Torres Novas, no Barreiro, no Porto, entre outras no País, havia venda periódica da Testemunho.
[3] Dificuldades conjunturais não permitiram que a revista Testemunho saísse periodicamente como tinha acontecido desde há vinte anos. Após uma interrupção, com o nº 74, no segundo trimestre de 1987, foi relançada a revista de pastoral operária, na sequência do Encontro Nacional de Pastoral Operária que teve lugar na Praia de Mira, em outubro de 1986.
[4] A direção da revista de Pastoral Operária, desde 1969, nº1, e até ao nº 12, set/out 1971, o Diretor foi o Pe. José Carlos Sousa e o Editor Raul Augusto Maurício Fava. A partir do nº 13, de nov/dez 1971, continuando o mesmo Diretor, mudou para Maria Augusta da Purificação Rodrigues de Sousa a responsabilidade de ser a editora. Esta foi a coordenação editorial que se manteve até 1974, até à Revolução de Abril.
[5]Testemunho. 1 (1969) 1.
[6] Numa mudança de orientação do movimento operário católico em França, em dezembro de 1947, nasceu Témoignage, o jornal da nova Ação Católica Operária, a “A.C.O.-Action Catholique Ouvrière, com uma clara afirmação de princípios: a Ação Católica operária deveria centrar-se na classe operária e no meio operário. Sobre a importância do jornal Témoignage na história daquele movimento operário existem trabalhos historiográficos de referência. Cf. DEBÈS, Joseph – Naissance de l’Action Catholique Ouvrière. Paris: Editions Ouvrières, 1982; DURIEZ, Bruno; FOUILLOUX, Étienne; MICHEL, Alain-René; MOURADIAN, Georges; VIET-DEPAULE, Nathalie – Chrétiens et ouvriers en France 1937 – 1970. Paris: Les Éditions de l’Atelier/Editions Ouvrières, 2001.
[7] A revista Cuadernos para el Diálogo teve o seu primeiro número em outubro de 1963 fruto de uma iniciativa de um grupo de orientação católica que, em sintonia com o espírito da Pacem in Terris, agregou uma amálgama de personalidades do meio universitário ligadas ao catolicismo em Espanha, a que se juntaram outros intelectuais ligados a organizações e projetos de influência marxista. Cf. DAVARA TORREGO, Javier – Cuaderno para el Diálogo: um modelo de periodismo crítico. Tese de Doutoramento, Universidad Complutense, Faculdad de Ciencias de la Información, Departamento de Periodismo. Madrid: 2001; MUÑOZ SORO, Javier – Cuadernos para el Diálogo (1963 – 1976). Uma historia cultural del segundo franquismo. Madrid: Editorial Marcial Pons, 2005.
[8] Uma declaração da Comissão Nacional Justiça e Paz espanhola, após apresentar uma panorâmica das injustiças no mundo, apontou os obstáculos à paz em Espanha. Aquele texto foi publicado em Espanha pela revista Cuadernos para el Diálogo, que foi retirada da circulação. A revista Testemunho dá nota das restrições colocadas àquele texto e publica-o. Cf: Testemunho. 21 (1973) 22.
[9] Testemunho, 4 (1970) 30. Não só tem alcance significativo a recomendação bibliográfica do livro de G. Girardi, como também a sua atualidade, se atendermos ao fato de coincidir com a publicação daquela obra em França, naquele mesmo ano através de Les Éditions du Cerf.
[10] Cf. Testemunho. 3 (1970) 23 – 27.
[11] Cf. Testemunho. 24 – 25 (1973) 20 – 33.
[12] Cf. Testemunho. 29 (1974) 2.
[13] Nos primeiros números da Testemunho surgem descrições desenvolvidas sobre processos de inserção evangelizadora em meio operário, como foi a formação de uma equipa de “Filhos da Caridade” em Portugal. Para além daquele Instituto Sacerdotal na sua primeira radicação no País, na Baixa da Banheira, foram publicadas indicações sobre experiências de compromisso operário com as “Irmãzinhas de Jesus”, “Irmãs Assuncionistas”, “Fraternidade de Nª Sª da Assunção”. Cf. Testemunho. 6 (1970) 31. A revista Testemunho, em 1972, dedicou integralmente os números 15 a 17 à problemática da “Vida Operária”, refletindo intervenções apresentadas no Encontro Nacional de Assistentes da LOC/LOCF realizado naquele ano.
[14] Desde a publicação da reflexão do teólogo Albert Mari, em 1973, até aos textos de 1974 para refletir «sobre o sentido da fé desde uma opção de classe, marxista», tornou-se mais percetível o quanto estava em curso uma viragem na sociedade portuguesa. Cf. Testemunho. 29 (1974) 13.
[15] Subordinada ao título “Despedimentos Coletivos e Evangelização”, recorrendo aos Padres da Igreja, citando Hilário de Poitiers e Ambrósio de Milão, socorrendo-se de Hugo Rahner, Francisco Custódio lançou uma reflexão que denota uma vincada linha de radicalização política e a existência duma vontade de rutura da Igreja Católica em relação ao poder dominante e na sociedade portuguesa. Cf. Testemunho. 26-27 (1974) 17 – 39.
[16] Testemunho. 26-27 (1974) 13 – 16. A reflexão de Francisco Pereira de Moura publicada na Revista de Pastoral Operária, datada de março de 1974, aborda a situação económica portuguesa e a crise internacional, os problemas sociais, a exploração dos operários, a situação dos emigrantes, e nela é colocada a exigência da profunda mudança da sociedade.
[17] Testemunho. 28 (1974) 13 – 19.
[18] Testemunho. 29 (1974) 2 – 5.
[19] Cf. Testemunho. 30 (1974) 4 – 11.
[20] AUGUSTO, Adailton Maciel – Pastoral Operária e factibilidade utópica. In Revista de Cultura Teológica 23 (1998) 58.
Edgar Silva é doutorado em História, com a tese “Vendaval de utopias”. Do catolicismo social ao compromisso político em Portugal (1965-1976). Os católicos da Revolução e o PCP e é coordenador do Partido Comunista Português – Madeira.
O 7MARGENS vive exclusivamente do apoio dos leitores.
Faça um donativo: https://setemargens.com/apoie-o-7-margens/
Inscreva-se para receber a nossa newsletter gratuita: https://setemargens.com/assine-o-7margens-diario/
Partilhe os nossos textos na sua página de Facebook, Instagram ou Twitter.
Escreva-nos: setemargens@setemargens.com










