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Iniciativa apresentada como “um marco para a evangelização online”, terá participação portuguesa. Foto © Akshay Manve.

Na próxima semana

Vaticano promove inédito Jubileu dos Missionários Digitais

 

O Vaticano promove, nos dias 28 e 29 de Julho (final da próxima semana), um inédito Jubileu dos Missionários Digitais e Influenciadores Católicos, iniciativa apresentada como “um marco para a evangelização online”, e que terá participação portuguesa.

“As pessoas estão desejosas de espiritualidade e querem pedir à Igreja: ‘olhem para nós’. É um outro modo de dizer olhem para nós”, refere à Agência Ecclesia o padre Paulo Duarte.

O jesuíta foi o único português convidado para a promoção do inquérito do Sínodo 2021-2024 nas redes digitais, estando presente nessas plataformas há vários anos, com dezenas de milhares de seguidores.

Paulo Duarte saúda a inclusão, na programação do Ano Santo, de uma celebração dedicada à “realidade nova” do mundo digital, onde “muita gente se manifesta”, na Igreja e na sociedade. “Os dons de Deus estão a ser impostos a render. A tecnologia também é uma evolução do conhecimento”, diz.

O jesuíta, adjunto do director da Rede Mundial de Oração do Papa-Portugal, assume que o “grande boom” da realidade digital, na Igreja, aconteceu a partir da pandemia de covid-19, em 2020.

“As pessoas têm um desejo de Igreja, têm um desejo de comunidade, têm um desejo de se aproximar. A Igreja tem algo a dizer-lhes”, defende.

Paulo Duarte admite que a impressão generalizada é de que “há muita gente a afastar-se da Igreja”, mas vê como contraponto “todas as manifestações ao nível de comunicação e ao nível do digital, que é um meio, é um caminho de encontro”.

A presença online implica desafios sobre como “lidar com a intensidade das redes” ou a “questão do ego”, afirma. “As coisas estão todas aqui, acho que isso também tem de se trabalhar ao nível espiritual”, afirma.

Para o padre jesuíta, o foco passa pela “criação de relação”, entendendo que “o digital tem de estar em relação com o local”.

“É importante, enquanto Igreja, tomarmos noção de que este é também um meio, como foram a rádio, a televisão, a imprensa, [que] permite chegar a mais gente”, acrescenta.

Paulo Duarte. Foto © Agência ECCLESIA/MC

Paulo Duarte: as comunidades devem promover o “acompanhamento” das pessoas que chegam. Foto © Agência Ecclesia/MC

O padre Paulo Duarte indica que, após os primeiros contactos nas redes digitais, as comunidades devem promover o “acompanhamento” das pessoas que chegam, procurando evitar o “imediatismo” e promover a “relação com Deus, uns com os outros”.

O religioso apresenta como “estilo” a publicação de fotografias com texto, assinalando que a necessidade de “tempos de silêncio” têm impactos negativos na lógica do “algoritmo”.

“Mesmo que seja uma luta cada vez maior, um remar contra a maré, é preciso promover tempo de silêncio. Que a reflexão seja ajuda ao silêncio”, insiste. A presença no digital, acrescenta, deve ajudar a “perceber que a relação com Deus não é fogo de artifício”.

Quanto ao encontro no Vaticano, o padre Paulo Duarte espera que ele ajude todos os participantes a reflectir sobre “as luzes e as sombras, as capacidades e os dons para pôr a render, para ajudar a comunidade”.

O religioso evoca a “muita fragilidade que está escondida atrás de um ecrã”.

“Está a aumentar a solidão, estão a aumentar as tensões, às vezes a falta de esperança até ao desespero, com tanta informação negativa”, afirma.

O padre Paulo Duarte fala numa “uma grande responsabilidade”, que convida os responsáveis católicos a “pôr os dons a render, mantendo um foco de que o bem tem de ser o bem maior, já não pode ser só o meu bem”.

“São milhares de pessoas com as suas dificuldades e nós podemos ajudá-las verdadeiramente de outro modo”, conclui.

Segundo o Vaticano, este Jubileu é para “todos aqueles que evangelizam no ambiente digital, compartilhando a mensagem do Evangelho em redes sociais, blogs, canais e aplicações”.

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