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Símbolo da Paz em cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 Foto © CIOJason Evans

Em preparação dos Jogos Olímpicos

Vencedores do Nobel pedem ajuda a líderes religiosos para alcançar a paz

| 19/07/2024

Símbolo da Paz em cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 Foto © CIOJason Evans

Uma pomba de luz simboliza a paz na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018. Foto © CIO/Jason Evans

Perto de 30 laureados com o Nobel enviaram uma carta aberta ao Papa Francisco, ao Patriarca Ortodoxo Bartolomeu, ao Dalai Lama e a vários representantes do Islão e do Judaísmo, pedindo-lhes que façam um apelo global a todos os governos para que, no espírito dos Jogos Olímpicos, seja alcançado um cessar-fogo à escala mundial.

Mais do que pedir uma trégua olímpica, os Prémios Nobel apelam à libertação de todos os reféns, à restituição dos corpos dos mortos e ao início das negociações nos diferentes conflitos a decorrer em todo o globo. “Atualmente, pelo menos 55 destes conflitos estão em curso”, referem na carta, divulgada esta semana pela edição francesa do jornal Il Messagero.

Centrando-se particularmente na invasão da Ucrânia pela Rússia, os laureados assinalam que “as consequências deste conflito prolongado, que entrou no seu terceiro ano, se repercutiram em vários países, provocando o aumento da fome nas nações africanas, uma crise migratória na Europa e a libertação de substâncias nocivas de cada bombardeamento para reservas de água, alimentos e leite que chegarão às pessoas dos seis continentes. Até ao final deste ano, o número de mortos e feridos na Europa Central deverá ultrapassar um milhão, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial”.

A carta recorda ainda que “durante este conflito, os orçamentos de defesa em todo o mundo aumentaram até um ponto em que são comparáveis ​​aos recursos necessários para abrandar as alterações climáticas globais”, e que esse aumento “é também comparável aos gastos necessários para eliminar a fome no mundo durante os próximos oitenta anos”.

“Em vez de sustentar a vida, desperdiçam-se recursos na propagação da morte”, pode ler-se na missiva, assinada , entre outros, por Erwin Neher, Sir Peter Ratcliffe e Barry Marshal (Nobel da Medicina), Svetlata Alexievich e Elfriede Jelinek (Nobel da Literatura), Emmanuel Charpentier, Elias James Corey, Alan Heeger e Martin Karplus (Nobel da Química), Maria Resa, Jody Williams, Beatrice Fihn e Tawakkol Karman (Nobel da Paz), Roger Penrose, Michel Mayor e Andre Geim (Nobel da Física).

“Não somos representantes de Estados”, reconhecem os signatários da carta enviada aos líderes religiosos. “Mas se os esforços dos Estados para restaurar a paz forem insuficientes, devemos agir. E imploramos que façam isso também! Pedimos-vos que apelem a um cessar-fogo e às ações necessárias para o alcançar. Devemos parar o fogo. Parar a perda de vidas humanas. Evitar uma catástrofe nuclear”, concluem.

 

A mensagem do Papa ao arcebispo de Paris

Papa Francisco assina documento. Foto Vatican Media

Se forem verdadeiramente “jogos”, os Jogos Olímpicos poderão constituir “um lugar excecional de encontro entre os povos, mesmo os mais hostis”, escreveu Francisco. Foto © Vatican Media

Numa mensagem enviada esta sexta-feira, 19 de julho, a Laurent Ulrich, arcebispo de Paris, o Papa assinala por seu lado que a trégua olímpica é uma “feliz tradição” estabelecida “sabiamente” na Antiguidade e diz esperar “fervorosamente” que todos estejam dispostos a respeitá-la, “na esperança de resolver os conflitos e restaurar a harmonia”.

Se forem verdadeiramente “jogos”, os Jogos Olímpicos poderão constituir “um lugar excecional de encontro entre os povos, mesmo os mais hostis”, escreve Francisco, afirmando que a edição de Paris é uma “oportunidade imperdível para que todos aqueles que vêm de todas as partes do mundo se descubram e se valorizem mutuamente, para derrubar preconceitos, para promover a estima onde há desprezo e desconfiança, e a amizade onde há ódio”.

Porque o desporto, insiste o Papa, ”é uma linguagem universal que transcende as fronteiras, os idiomas, as raças, as nacionalidades e as religiões; tem a capacidade de unir as pessoas, de incentivar o diálogo e a aceitação mútua; estimula o desenvolvimento do espírito humano; incentiva as pessoas a superar-se, fomenta o espírito de sacrifício e encoraja a lealdade nas relações interpessoais; incentiva a reconhecer os próprios limites e o valor dos outros”.

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