
“Para além das desculpas públicas apresentadas por si (Papa) e por alguns bispos de todo o mundo, ainda não houve qualquer reparação para as vítimas, nem sequer um pedido de desculpas pessoal”, lamentam os signatários de uma carta aberta. Ilustração © Catarina Soares Barbosa
Diversas vítimas de abusos sexuais por parte de membros da Igreja Católica na Oceania pedem uma indemnização pelo “sofrimento” causado por estes crimes. Numa carta aberta dirigida ao Papa Francisco, que se encontra atualmente em viagem pela Ásia e Oceania, apelam sobretudo a que se faça justiça sobre estes atos.
“Para além das desculpas públicas apresentadas por si (Papa) e por alguns bispos de todo o mundo, ainda não houve qualquer reparação para as vítimas, nem sequer um pedido de desculpas pessoal”, lê-se na carta enviada à agência de notícias espanhola EFE na passada segunda-feira, 9, pela filial neozelandesa da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Sacerdotes (SNAP).
“As vítimas e as suas famílias continuam a sofrer”, continua a missiva, citada pela Vida Nueva Digital, que pede ao Papa Francisco “que ordene às suas dioceses e ao Vaticano que indemnizem as vítimas e as suas famílias” para que a Igreja “seja mais justa e as vossas palavras mais credíveis do que a simples apresentação de desculpas”.
Em países como Timor-Leste, Papua-Nova Guiné, Fiji, Kiribati e Samoa, padres, irmãos e missionários “continuaram a abusar de crianças indefesas e inocentes, como foi demonstrado em documentos judiciais, investigações estatais e reportagens dos média”, sublinha a carta.
Os abusos sexuais no seio da Igreja Católica não foram ainda amplamente documentados na Oceania, com exceção da Austrália e da Nova Zelândia, onde foram realizadas investigações exaustivas e milhares de vítimas foram indemnizadas ou estão em vias de o ser pelos seus governos ou instituições religiosas.
O inquérito oficial sobre os abusos sexuais nas instituições australianas, bem como as reportagens jornalísticas, mencionam ou documentam transferências de padres pedófilos para locais remotos na Papua Nova Guiné e nas Ilhas Salomão, embora não exista uma contagem oficial destes crimes.









