A agilidade dos bailarinos no palco do Teatro Camões, ensaiando a peça O Lago dos Cisnes, parece estar nos antípodas das dificuldades físicas vividas por alguns idosos de Santa Iria de Azóia, São João da Talha e Bobadela, em Loures, quando têm de se deslocar a locais em que podem aceder a serviços básicos. E no entanto, quem, a 9 de abril, pagou o bilhete a preço reduzido para presenciar o ensaio geral de O Lago dos Cisnes, estava a ajudar quem apoia e acompanha as inevitáveis deslocações daqueles habitantes de Loures.
Há 15 anos, a Companhia Nacional de Bailado (CNB) criou a figura do Ensaio Geral Solidário através do qual oferece o ensaio geral de cada espetáculo a instituições de solidariedade social, ficando estas responsáveis por “encheram a sala” e arrecadarem os fundos da venda de bilhetes. Este ano, entre as quatro instituições escolhidas, figurava a Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre” com o seu projeto TRAPI –Transporte Personalizado para Idosos.
Não, o objetivo do TRAPI nunca foi comprar mais uma carrinha de transportes de doentes. Foi, e é, algo mais próximo, mais adaptado e mais relacional. “Promovemos a mobilização de meios que permitam um serviço de transporte acessível a idosos, de acordo com a especificidade de cada caso, e garantindo que são acompanhados por voluntários, ou por ajudantes de ação direta” – explica ao 7MARGENS Deolinda Machado, presidente da cooperativa.
O Diagnóstico Social de Loures 2019 referia “o problema do acesso a serviços básicos por parte de pessoas idosas isoladas social e geograficamente, devido à fragilidade da rede de transportes públicos, às barreiras existentes nos edifícios e na via pública e a outros entraves”. A cooperativa – fundada por antigos jocistas, militantes da JOC, e que já tinha construído um polo comunitário no Bairro da Esperança, em São João da Talha (Loures) [ver 7MARGENS], decidiu não ficar indiferente. E lançou o TRAPI.
“Candidatámos o projeto aos Prémios BPI Seniores 2023 e ganhámos. Agora os 2.665 euros que angariámos graças ao apoio da CNB e da OPART serão aplicados na amortização dos custos do projeto, relacionados com os encargos de pessoal”, diz Deolinda Machado, que refere como outras fontes de financiamento do TRAPI os “2.500 euros obtidos através do Programa Mais Loures, promovido pela Câmara Municipal de Loures e a própria cooperativa”.
O programa lançado pela “Os Amigos de Sempre” tem ainda, segundo a presidente, um outro aspeto muito importante e que pode contribuir para que seja replicado noutras freguesias: “promovemos o trabalho dos voluntários inscritos no Banco Local de Voluntariado de Loures, conciliando interesses e proximidades locais e respondendo às expectativas de quem quer apoiar pessoas da sua área de residência.”










