“A cura não é algo passivo. A cura não acontece por acaso. A paz não acontece por acaso. A justiça não acontece por acaso. A união não acontece por acaso. Temos de trabalhar para que aconteçam”, afirmou o arcebispo de Nova Iorque, Ronald Hicks, na vigília realizada na Catedral de São Patrício, ao fim da tarde de 10 de setembro, naquela que terá sido uma das mais marcantes celebrações dos 25 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro contra as torres gémeas e outros alvos na Pensilvânia e em Washington, que provocaram 3.000 mortos.
Sublinhando, perante mais de 2.000 pessoas, incluindo o ex-Presidente Joe Biden e o presidente da câmara de Nova Iorque, que “isso foi o que aprendemos ao longo destes 25 anos”, Hicks afirmou também: “O diálogo começa por nós. Podemos não concordar em uma série de questões. Pode tratar-se de teologia, eclesiologia [ou] política. Mas precisamos dar o primeiro passo para permanecermos ao menos unidos e seguir verdadeiramente o exemplo da paz.”
O arcebispo fez questão de diferenciar esperança e otimismo, dizendo: “A cura leva tempo. Mas a esperança é eterna. E, ao longo destes 25 anos, nunca perdemos a esperança. Nunca perdemos a esperança em nós mesmos. E nunca perdemos a esperança em Deus. E acho importante dizer o que é a esperança e o que a esperança não é. Esperança não é otimismo. O otimismo diz: ‘Amanhã será um dia melhor’. Ora, o otimismo é bom. Gosto mais de pessoas otimistas do que de pessimistas. Mas a esperança é diferente. A esperança concentra-se no hoje!”.
E continuou: “A esperança diz: ‘Deus está comigo hoje’. Hoje, nos bons e nos maus momentos. Hoje, nos altos e baixos. Hoje, nos momentos de celebração e nos momentos de pesar. A esperança é saber que Deus caminha connosco. Nunca estamos sozinhos. Nunca somos abandonados. Deus está connosco, mesmo quando não conseguimos ver todo o caminho à frente. Este tipo de esperança sustentou esta cidade. Este tipo de esperança sustentou o nosso país. E este tipo de esperança tem-nos sustentado nestes vinte e cinco anos”.
Na manhã de 11 de setembro de 2001, membros do grupo terrorista islâmico Al-Qaeda apoderaram-se de quatro aviões comerciais. Dois deles foram dirigidos para chocarem com as torres do World Trade Center e um terceiro caiu sobre instalações do Pentágono. O quarto caiu perto de Shanksville, na Pensilvânia, pensa-se que depois dos passageiros terem dominado os assaltantes e impedido que o avião atingisse um provável alvo em Washington.
Ao todo, os ataques causaram a morte de 2.977 pessoas, incluindo 441 profissionais de resposta a emergências (bombeiros, médicos, enfermeiros, polícias e outros).
De acordo com os números apurados pelo Programa Federal de Saúde do World Trade Center (World Trade Center Health Program) citados pelo National Catholic Reporter, mais de 9.000 pessoas acompanhadas pelo programa haviam falecido até 30 de junho. “Muitas sofreram consequências de saúde a longo prazo devido à exposição a poeiras tóxicas, escombros e outras condições perigosas no período posterior aos ataques”, explica o jornal.
O National Catholic Reporter refere ainda que, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), “mais de 57.000 profissionais de resposta a emergências e sobreviventes sofreram de cancros diagnosticados e reconhecidos como decorrentes da exposição ocorrida após os ataques”.










