
A partir de 16 e até ao dia de Natal será possível ver aquilo que talvez os magos tenham visto.
Há praticamente 800 anos, desde 1226, que a Estrela de Belém não era vista: a partir de 16 e até 25, os dois maiores planetas do sistema solar, Júpiter e Saturno, estarão tão próximos que parecerão sobrepostos, criando uma espécie de “planeta duplo”, visualmente semelhante a uma grande estrela. Em 1614, o astrónomo alemão Johannes Kepler sugeriu que pode ter sido esta conjunção dos dois planetas a motivar as referências bíblicas à Estrela de Belém na história do nascimento de Jesus, pelo que ficou popularmente conhecida como Estrela de Belém ou Estrela da Natividade.
No hemisfério Norte, incluindo em Portugal, a “estrela” estará visível entre 16 e 25 de dezembro, mas o dia mais intenso será 21, quando os dois planetas estarão separados por 0,1 graus no campo visual (embora distantes cerca de 724 milhões de quilómetros no espaço), como se pode ler no Diário de Notícias.
Durante séculos, recorda o Religión Digital citando agências, os astrónomos têm procurado explicações para a estrela de Belém – que não é o cometa Halley, como algumas pessoas pensam, ou a tripla conjunção de Júpiter, Saturno ou Vénus, como outros já explicaram. Há ainda teorias que falam da explosão de uma supernova razoavelmente próxima, que poderia criar o efeito de um céu muito brilhante durante um período relativamente curto, ou mesmo um cometa. E os observadores de estrelas chineses e coreanos escreveram sobre um objecto brilhante que poderia ser um cometa ou uma supernova por volta do ano 5 A.C. e que foi visto durante mais de 70 dias.
Em qualquer caso, a “Estrela de Belém” deste ano será uma ocasião única para uma geração de astrónomos – e de sete mil milhões de outras pessoas em todo o planeta. O fenómeno não poderá ser visto novamente até 2080.
“Teríamos de voltar ao pouco antes do amanhecer de 4 de Março de 1226 para ver um alinhamento tão próximo entre estes objectos visíveis”, disse o astrónomo Patrick Hartigan, da Rice University. “Para a maioria dos telescópios, cada planeta e várias das suas luas maiores serão visíveis no mesmo campo de visão naquela noite. E embora este seja um fenómeno astronómico, se olharmos pela janela naquela noite, não podemos deixar de pensar que a ilusão, tão necessária nos dias de hoje, está a renascer.









