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O franciscano que é o melhor professor do mundo

O franciscano que é o melhor professor do mundo

by | 9 Abr 19 | Destaques, Educação / Família, Pessoas, Sociedade, Últimas

Peter Mokaya Tabichi, o “melhor professor do ano”. Foto © Fundação Varkey (https://www.globalteacherprize.org/pt/vencedores/peter-tabichi/)

 

O título de “melhor professor do mundo” foi atribuído no final de Março a um queniano de 36 anos, Peter Mokaya Tabichi. O titular da distinção, frequentemente considerada como o “Nobel da educação” ou o “Nobel dos professores”, é também frade franciscano. O Global Teacher Prize tem sido concedido anualmente, desde há cinco anos, pela Fundação Varkey, do Dubai.

Numa entrevista concedida ao La Vie, o “melhor professor do mundo” fez uma síntese do início do seu percurso, que é simultaneamente profissional e religioso: “Depois de tirar o curso de Matemática e Física em 2006, entrei nos franciscanos. A minha formação durou três anos. O frade franciscano que nos ensinava marcou-me”. Aprendeu que, para ter sucesso, era preciso desenvolver a criatividade, o espírito de equipa e, sobretudo, privilegiar a acção e a palavra.

Após essa formação, Peter Tabichi foi enviado como professor para Offaka, uma escola franciscana localizada em Adraa, no Uganda. Foi aí que adquiriu competências mais técnicas, diz: “Nesta escola, havia muito poucos materiais didáticos. Ensinar sem um manual escolar e sem internet obrigou-me a ser mais criativo. Perante estudantes com capacidades limitadas de concentração, também era fundamental possuir um excelente sentido pedagógico”. Peter Tabichi afirma que também compreendeu que o sucesso desses estudantes implicou ajudá-los a adquirir um espírito de equipa. “Estes métodos – característicos da nossa instituição franciscana – forneceram bons resultados escolares”.

Frei Tabichi foi então transferido para uma escola pública mista em Keriko, no oeste do Quénia. O elevado número de alunos por turma, por vezes 70 a 80, e o local onde exerce a actividade docente, uma zona miserável no Quénia, em Nakuru, não são características que facilitem a tarefa docente. Mas os resultados escolares impuseram-se ao júri que teve de avaliar o trabalho educativo de cerca de dez mil candidatos oriundos de 179 países.

A imprensa destacou a circunstância de Peter Tabichi retirar 80 por cento do salário que recebe para o usar na ajuda aos alunos mais desfavorecidos. O diário El País notou que, “à paisana, Peter Tabichi tem um porte tão atlético e imponente que até faz pensar que ganhou a medalha de ouro nos 100 metros dos Jogos Olímpicos. Mas ele é um frade franciscano que revolucionou o modo de ensinar matemática e física numa aldeia remota do Quénia”.

Para melhorar o nível da Escola Secundária Keriko, Peter Tabichi e quatro colegas encarregam-se de ministrar cursos ao domicílio aos alunos com dificuldades em matemática e em ciências, noticiava o jornal francês La Croix, referindo ainda que o número de alunos da escola localizada numa povoação paupérrima do vale do Rift duplicou em três anos, cifrando-se presentemente em 400. A generalidade dos alunos – 95 por cento, para referir a percentagem indicada – são pobres, um terço não tem pai ou mãe e os problemas com drogas, gravidez na adolescência e suicídios são vulgares. Por isso, tal como assinalou o diário espanhol, surpreende que muitos alunos, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, sejam capazes de caminhar sete quilómetros por dia para ir à escola.

O jornal El País deu também conta do trabalho assaz diferenciado empreendido pelos dez professores – da Argentina, da Austrália, do Brasil, dos Estados Unidos da América, da Geórgia, da Holanda, da Índia, do Japão, do Quénia e do Reino Unido – que integraram a lista que chegou à final do “Nobel dos professores”. Todos são extraordinários.

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