
O novo bispo foi nomeado pelo Papa a 16 de dezembro, mas só esta semana, aquando da sua consagração, a decisão foi conhecida. Foto © Vatican Media
Taddeo Wang Yuesheng é o novo novo bispo de Zhengzhou (província de Henan, China), que estava em sede vacante há mais de 70 anos. A nomeação foi feita pelo Papa Francisco a 16 de dezembro, mas só conhecida esta quinta-feira, 25 de janeiro, data em que Yuesheng foi consagrado, avançou o Vatican News, sublinhando que a decisão ocorreu no âmbito do acordo provisório entre a Santa Sé e a República Popular da China.
Natural de Zhumadian, na mesma província, o bispo Yuesheng, de 57 anos, estudou Filosofia e Teologia no Seminário Centro-Sul e foi ordenado padre em 1993, tendo desde então assumido as funções de pároco em várias localidades daquela região. Foi também presidente da Associação Patriótica Católica de Henan e vice-diretor do Comité de Assuntos Académicos.
De acordo com a agência Fides, a diocese de Zhengzhou foi erigida a 11 de abril de 1946, de acordo com a constituição apostólica Quotidie Nos do Papa Pio XII, que estabeleceu uma hierarquia oficial para a Igreja chinesa.
No mesmo ano, o missionário xaveriano de origem italiana, Faustino Tissot, foi nomeado bispo de Zhengzhou. Mas após o estabelecimento da República Popular da China em Outubro de 1949, o Partido Comunista Chinês (PCC) implementou uma campanha para isolar a Igreja, expulsando padres, missionários e bispos estrangeiros.
Assim, em 1953, Tissot e outros 16 padres estrangeiros foram expulsos, deixando a diocese funcionalmente vaga. A gestão da diocese foi continuada por seis padres chineses, até à Revolução Cultural de Mao Zedong, quando todas as atividades e celebrações religiosas foram suspensas e as igrejas forçadas a fechar.
Após a morte de Mao, em 1976, Deng Xiaoping tornou-se o líder supremo e inaugurou um período de abertura, que permitiu o reinício da atividade religiosa. Várias igrejas católicas foram reabertas e mais algumas foram construídas em Zhengzhou e em toda a China continental. Mas Zhengzhou continuou sem bispo… até esta quinta-feira.
A ordenação episcopal ocorreu na igreja de Qinghuayuanlu, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, tendo a missa sido foi concelebrada por vários bispos, entre eles o bispo de Xangai, Joseph Shen Bin, vice-presidente da Associação Patriótica Católica Chinesa, controlada pelo Estado.
Recorde-se que Shen Bin tomou posse, a 4 de abril do ano passado, sem aprovação prévia da Santa Sé [ver 7MARGENS] e em violação do acordo Vaticano-China – assinado em 2018 e revisto em outubro de 2022-, cujo conteúdo tem sido mantido em segredo. Três meses depois, o Papa Francisco optou por reconhecer a nomeação. Fê-lo para o “bem maior da diocese”, justificou então o secretário de Estado Pietro Parolin.
Desde aí, assinala a Catholic News Agency, o bispo de Xangai tem defendido a sinização da Igreja, um processo que implica não apenas inculturar a fé no contexto da sociedade chinesa, mas também alinhá-la com as práticas oficiais do PCC.










