
Assinalando que este é um momento particularmente “difícil” para o país, os bispos católicos alertam que “a abstenção não pode ter a palavra maioritária nas eleições do próximo dia 10 de março”. Foto © Element5 Digital | Unsplash
“Votar, de forma esclarecida e em consciência, é uma responsabilidade que decorre da vivência concreta da nossa fé no meio do mundo”, afirma a Conferência Episcopal Portuguesa (a CEP), numa nota sobre as eleições legislativas, divulgada esta terça-feira, 20 de fevereiro.
Se é verdade que “escolher quem nos representa no Parlamento é um dever de todos e ninguém deve excluir-se deste momento privilegiado para colaborar na construção do bem comum”, também é verdade que a responsabilidade é “acrescida” no caso dos cristãos, que devem “participar na vida política e na edificação da comunidade” sempre “à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja”, defendem os bispos católicos.
Assinalando que este é um momento particularmente “difícil” e “desafiador” no país, devido às “difíceis condições de vida de tantos portugueses, em especial dos jovens”, e reconhecendo que há uma “crise de confiança” que “rouba a esperança a tantos”, a nota da CEP – intitulada “Eleições Legislativas 2024: Restituir a esperança aos cidadãos” – sublinha que é importante “refletir sobre o que queremos e podemos fazer pelo nosso futuro”.
Aos partidos políticos, os bispos pedem “um diálogo honesto e esclarecedor”, com a “apresentação de programas exequíveis e conteúdos programáticos que não se escondam por detrás de manobras mediáticas e defraudem a esperança dos cidadãos”. “Como diz o Papa Francisco na Encíclica Fratelli Tutti, ‘a política é mais nobre do que a aparência, o marketing, as diferentes formas de maquilhagem mediática’. Só assim os cidadãos podem optar pela adesão a projetos concretos e não a votar pela raiva ou desilusão ou, pior ainda, a não votar”, escrevem os bispos no documento elaborado durante a reunião do Conselho Permanente da CEP, que se realizou esta segunda-feira, em Fátima.
Aos eleitores católicos, os bispos sugerem a leitura do documento “Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja“, elaborado em 2019 e que aponta quatro princípios a presidir à decisão do voto: “toda a vida humana tem igual valor; o bem tem de ser de todos e de cada um sem ser ditadura da maioria; a casa comum é para cuidar; nem Estado centralizador, nem Estado mínimo”.
E insistem: “Escolher quem nos representa no Parlamento é um dever de todos e ninguém deve excluir-se deste momento privilegiado para colaborar na construção do bem comum. A abstenção não pode ter a palavra maioritária nas eleições do próximo dia 10 de março”.










