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União Europeia. Bandeira

“Em torno da sacralidade da pessoa”

Trabalhadores Cristãos defendem uma Europa de partilha

e | 07/05/2024

União Europeia. Bandeira

O MTCE quer uma Europa que gire, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana. Foto: Direitos reservados.

Uma Europa de partilha de culturas, de valorização da diversidade, de educação para a convivência, de solidariedade como força de construção de leis de justiça social e ambiental para todos. É esta a visão do Movimento dos Trabalhadores Cristãos da Europa (MTCE) acerca do que devem ser as orientações das políticas comunitárias, a propósito do Dia da Europa, que se assinala nesta quinta-feira, 9.

“Chegou o momento de construirmos juntos a Europa que gira, não em torno da economia, mas em torno da sacralidade da pessoa humana, dos valores inalienáveis; a Europa que abraça o seu passado com coragem e olha para o seu futuro com confiança para viver o seu presente plenamente e com esperança” refere o MTCE, citando a intervenção do Papa Francisco no Parlamento Europeu em 2014. “Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa medrosa e voltada para o interior e de criar e promover uma Europa protagonista, portadora da ciência, da arte, da música, dos valores humanos e da fé. Uma Europa que olha para o céu e persegue ideais; uma Europa que olha para baixo, defende e protege a humanidade; uma Europa que caminha sobre a terra, sã e salva, um precioso ponto de referência para toda a humanidade.”

“Que tipo de Europa queremos para amanhã? Uma Europa que separa os povos, colocando-os uns contra os outros, em detrimento da paz? Uma Europa que permite aos países virarem-se sobre si próprios em detrimento da solidariedade? Uma Europa sem diretrizes, onde cada Estado pode desenvolver a sua própria política de cada um por si?” –  estas são algumas questões que o MTCE coloca, de igual modo, à sociedade europeia.

A mensagem do movimento europeu de trabalhadores enviada ao 7MARGENS acrescenta que seria um equívoco “confundir a União Europeia com as políticas neoliberais que estão a ser seguidas no seu seio, e procurar rejeitar qualquer ideia de uma União Europeia”. “Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a construção da Europa tem sido, e deve continuar a ser, uma fonte de esperança e um grande avanço para a paz e a democracia em todo o nosso continente. A nossa visão da Europa é uma visão de partilha de culturas, de valorização da riqueza da nossa diversidade, de educação para a convivência, de solidariedade como força de construção de leis de justiça social e ambiental para todos”, defende o MTCE.

O documento recorda, ainda, que nos últimos quinze anos, a Europa tem passado por várias crises cujas consequências são muito diversas: “políticas de austeridade, especulação sobre os preços dos alimentos e da energia, inflação sem precedentes, entre outros”.

“As políticas neoliberais, cada vez mais autoritárias, seguindo estratégias derivadas das ideias da extrema-direita, nomeadamente em matéria de segurança, estão a minar as nossas democracias. Um grande número dos nossos concidadãos exprime a sua cólera, o seu cansaço, ou mesmo o seu desencanto, pois já não se sentem tidos em conta pelas políticas seguidas pelos detentores do poder”, refere também a mensagem. “Em todos os países europeus, isso reflete-se em elevados níveis de abstenção eleitoral e, ao mesmo tempo, num voto furioso a favor dos partidos populistas e de extrema-direita. A retórica destes últimos é apelativa e as suas ideias estão a ganhar terreno na sociedade e também no mundo do trabalho. No entanto, nunca trabalham no interesse dos seus concidadãos e dos seus trabalhadores. Opõem-se sempre aos grandes projetos de progresso social, quer a nível nacional (em cada país), quer no Parlamento Europeu durante as votações. E a experiência dos partidos populistas no poder, como na Hungria e na Polónia, mostra que contribuem para a erosão dos princípios do Estado de direito”, acrescenta.

O MTCE conclui apelando ao voto de todos nas próximas eleições europeias, que se realizarão entre 6 e 9 de junho. “Vamos todos votar! O que está em jogo para o nosso futuro europeu é enorme. Todos somos chamados a mobilizarmo-nos contra a abstenção e a ascensão dos partidos populistas e nacionalistas”.

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