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Uma criança abraça o Pana na audiência geral de 26 de junho 2024. Foto Vatican Media

Oferta e procura batem recordes

“É moralmente necessário pôr fim à produção e ao tráfico de drogas”

| 26/06/2024

Uma criança abraça o Pana na audiência geral de 26 de junho 2024. Foto Vatican Media

Uma criança abraça o Papa, na audiência geral desta quarta-feira, 26 de junho. Foto © Vatican Media

O Papa reiterou a sua firme oposição à legalização do consumo de drogas e apelou à “coragem de toda a sociedade” para que sejam tomadas pedidas que travem a sua produção e tráfico. Nesta quarta-feira, 26 de junho – data em que as Nações Unidas assinalam o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas – Francisco fez questão de dedicar a sua intervenção na audiência geral ao tema.

“Tendo conhecido muitas histórias trágicas de toxicodependentes e das suas famílias, estou convencido de que é moralmente necessário pôr fim à produção e ao tráfico destas substâncias perigosas”, afirmou, perante os milhares de fiéis que se encontravam na Praça de São Pedro, em Roma. “A redução da dependência de drogas não pode ser alcançada através da liberalização do seu consumo – isto é uma fantasia – como foi proposto, ou já implementado, nalguns países. Liberaliza-se e consome-se mais”, advertiu.

Alertando para o facto de não podermos “ignorar as más intenções e ações dos contrabandistas e dos traficantes de drogas”, a quem apelidou de “assassinos”, Francisco assinalou ainda que “a produção e o tráfico de droga têm também um impacto destrutivo sobre a nossa casa comum”, e deu o exemplo da bacia amazónica.

Depois, lembrou a importância prevenção, “que se faz promovendo mais justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida pessoal e comunitária, acompanhando os necessitados e dando esperança no futuro”. E destacou o trabalho das comunidades de recuperação inspiradas pelo Evangelho, em particular da rede da Pastoral latino-americana de Acompanhamento e Prevenção das Dependências (PLAPA).

 

Consumo aumentou 20% em dez anos, alerta ONU

Ao mesmo tempo, era conhecido o mais recente relatório do gabinete das Nações Unidas para a Droga e para o Crime (UNODC), alertando para o aparecimento de novos opioides sintéticos e para um recorde de oferta e procura de outras drogas que têm vindo a agravar os impactos a nível mundial, conduzindo a um aumento dos distúrbios relacionados com o consumo de drogas e dos danos ambientais. 

De acordo com o relatório, o número de pessoas que consomem drogas aumentou para 292 milhões em 2022, o que representa um crescimento de 20% em dez anos. A cannabis continua a ser a droga mais consumida em todo o mundo, com 228 milhões de utilizadores. Esta substância é seguida pelos opiáceos, com 60 milhões de utilizadores. Estima-se que as anfetaminas tenham 30 milhões de utilizadores, a cocaína 23 milhões e o ecstasy 20 milhões.

O relatório do UNODC revela ainda que, embora cerca de 64 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de perturbações relacionadas com o consumo de drogas, apenas uma em cada 11 se encontra em tratamento. As mulheres têm menos acesso aos tratamentos do que os homens, sendo que apenas uma em cada 18 mulheres com perturbações relacionadas com o consumo de drogas está a receber tratamento, em comparação com um em cada sete homens.

O que sustenta o apelo deixado pelo Papa: “Recordemos que cada toxicodependente traz consigo uma história pessoal diferente, que deve ser escutada, compreendida, amada e, na medida do possível, curada e purificada. Continuam a ter, mais do que nunca, uma dignidade como pessoas que são filhos de Deus. Todos têm uma dignidade!”.

 

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