
Apresentação do primeiro relatório do Grupo Vita: um comunicado que repete as acusações à CI. Foto © Ecclesia/MC
O Grupo Vita, que acompanha as vítimas de abuso sexual na Igreja Católica, divulgou na manhã de hoje o comunicado que estava prometido desde ontem, reiterando as acusações contra a antiga Comissão Independente (CI) para o Estudo dos Abusos Sexuais na Igreja Católica em Portugal. Está em causa, nomeadamente, o “que respeita à validação das situações que a CI afirma ter feito, e de acordo com a boa prática (…) não é passível de ser feito com rigor apenas com base em relatos escritos anónimos.”
A CI, conforme o 7MARGENS, noticiou, tem reiterado por diversas vezes que os inquéritos, embora anónimos, tinham formas de verificação interna e que isso foi feito durante a realização do estudo.
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O Grupo Vita entende, na linha do que a sua coordenadora escrevera no Expresso, há dois dias, que a “validação de um relato (ou, dito de outra forma, a avaliação da sua credibilidade) exige uma avaliação aprofundada, apenas possível com uma ou mais entrevistas presenciais, tal como definido em protocolos de avaliação forense nacionais e internacionais”.
Na altura da publicação do Relatório da Comissão Independente, foram várias as vozes de dentro da Igreja (nomeadamente de padres) a pôr em causa precisamente a questão da validação de respostas ao questionário escrito. A CI validou 512 testemunhos, 34 dos quais foram dados de forma presencial.
A nota à imprensa, assinada pela coordenadora, Rute Agulhas, acrescenta que o Grupo Vita rejeita ter dado a entender “que as vítimas não tenham existido ou que tenham manipulado os questionários, fornecendo falsas alegações”. “Trata-se de uma manipulação textual que o Grupo Vita repudia veementemente”, diz o texto.
“O que o Grupo Vita afirmou, e reitera, é que tem conhecimento de pessoas que apresentaram falsas alegações, como forma de testar o sistema. Sabemos, ainda, que o mesmo aconteceu noutros países. Evidentemente que isto não retira valor ao estudo que a CI realizou, mas a existência destas situações exige da parte de todos um cuidado acrescido nos processos de avaliação.”
No comunicado, garante-se ainda que as vítimas “que já partilharam a sua situação com o Grupo Vita ou com a Igreja não terão de a repetir, na medida em que [ela] está devidamente documentada”. Nas outras situações, “e na ausência de qualquer documentação, as vítimas terão necessariamente de ser questionadas sobre a sua vivência abusiva” – o que já aconteceu em alguns casos, tendo a CI afirmado que passou informação ao Vita sobre algumas pessoas.
O Grupo Vita termina a nota manifestando o desejo de que “todos se recentrem no essencial – escutar e apoiar todas as vítimas de abuso sexual”. O Grupo Vita tem disponível uma linha telefónica (915 090 000) e um formulário disponível no endereço www.grupovita.pt









