A Comissão dos Bispos de França (CEF) solicitou formalmente que se inicie uma investigação criminal relativa ao cada vez maior número de alegações de abusos sexuais perpetrados por Abbé Pierre, o padre fundador dos Companheiros de Emaús que durante décadas lutou contra a exclusão social naquele país. Sete meses após terem sido conhecidas as primeiras acusações, foi divulgado na semana passada um novo relatório do qual emergem outros nove testemunhos que deixaram os bispos franceses “chocados e horrorizados”.
O arcebispo Éric de Moulins-Beaufort, presidente da CEF, anunciou que “recorreu aos tribunais” na sexta-feira, 17 de janeiro, durante uma entrevista à Radio Monte Carlo (RMC), enfatizando a necessidade de descobrir eventuais vítimas adicionais. Com os dados deste terceiro relatório, o número total de testemunhos chegou agora aos 33, detalha o jornal La Croix.
Embora Abbé Pierre tenha falecido em 2007, com 94 anos, e como tal não possa ser processado, a promotoria de Paris poderá investigar eventuais cúmplices ou pessoas que tenham tido conhecimento dos abusos e agressões contra pessoas vulneráveis e menores, sem os denunciarem ou ocultando-os. A ação poderá, no entanto, encontrar obstáculos, dada a antiguidade dos factos, que remontam ao período compreendido entre as décadas de 1950 e 2000.
Seja como for, é preciso ir “até ao fim da verdade”, afirmou o presidente da CEF, reiterando o seu “horror” e “choque” após as novas revelações e a transmissão de dois documentários televisivos sobre as mesmas na semana passada. Entre os novos testemunhos, incluem-se o de um membro da família de Abbé Pierre e outro que relata um “ato sexual com penetração em menor”.
O presidente da CEF reiterou às vítimas a sua “imensa tristeza” e encorajou “qualquer pessoa que tenha sofrido violência sexual às mãos de Abbé Pierre a apresentar-se, se assim o desejar, a um dos mecanismos ao seu dispor”.
Foto de destaque: Abbé Pierre. © Aurora Prize
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