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Soldados portugueses na Guerra Colonial. Foto © Arquivo RTP.

Músicas pela paz (14)

Cantata da Paz, porque não podemos ignorar

 

Sem qualquer intuito antológico, o 7MARGENS procurará chamar a atenção, nestes tempos, para músicos e músicas que traduzam a urgência da paz em relação a guerras e conflitos que persistem no mundo. Desta vez, trazemos aqui mais a Cantata da Paz, de Francisco Fanhais e Sophia de Mello Breyner. A música foi escolhida pelo jornalista Manuel Costa Monteiro para uma das emissões do programa Memória de Elefante, que mantém na TSF em co-autoria com Mário Fernando. Do mesmo autor já aqui foram evocados temas dos Rolling Stones e de Judy Collins, outros de John Cale e Leonard Cohen e ainda de León Gieco e Mercedes Soza.

 

O poema da canção Cantata da Paz teve origem numa vigília de 150 católicos na igreja de São Domingos, em Lisboa, pela paz e contra a guerra colonial, na passagem de ano 1968/69.

O grupo de católicos permaneceu durante a noite da passagem de ano e marcou um momento importante na mobilização dos católicos para a luta a favor da paz de acordo com a consciência cristã humanista.

No grupo de católicos estava a poetisa Sophia de Mello Breyner que escreveu um poema corajoso pela paz e contra a guerra colonial e propositadamente para a vigília.

A melodia é inspirada na métrica de um espiritual negro americano e que o ex-padre Francisco Fanhais musicou e cantou em 1970.

Fanhais seria, mais tarde, impedido de exercer o sacerdócio e de leccionar nas escolas oficiais.

A canção seria incluída no LP Canções da Cidade Nova, editado pela etiqueta Zip-Zip em 1970.

Anos antes, 1967, o Papa Paulo VI instituíra o primeiro de Janeiro como Dia Mundial da Paz.

Cantata da Paz, que ficou conhecida pelos primeiros versos “vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar”, é uma canção anti-guerra, onde se fala da bomba atómica, do Vietname e da guerra de África, e condena toda essa violência com as razões da moral cristã, quando se diz o seguinte: “Nada pode apagar o concerto dos gritos, o nosso tempo é pecado organizado.”

Imagem de destaque: Soldados portugueses na Guerra Colonial. Foto © Arquivo RTP.

 

 

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