O nome Francisco tem-me acompanhado ao longo da vida, quer no passado, por ser o nome de um tio-avô e do meu avô paterno, quer no presente, por ser o nome do meu afilhado e, na versão feminina, o da minha neta. E eu poderia ser Francisco, se tivesse nascido rapaz. Pois bem, e onde quero ir com esta apresentação das minhas ligações aos “Franciscos”? Óbvio!… Conduzir-nos ao mais recente Francisco da minha vida: o Papa Francisco!
Francisco foi o nome escolhido pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, em 2013, para o seu pontificado, inspirando-se, talvez, em São Francisco Xavier, o primeiro jesuíta a partir em missão para o Japão. Francisco é o primeiro papa nascido no hemisfério sul, na américa, o Novo Mundo, é o primeiro papa jesuíta da história e foi o primeiro a escolher o nome de Francisco.
O Papa trouxe para o seu pontificado a arte do tango argentino: a irreverência, a valorização das emoções, o olhar intenso, o abraço apertado, o improviso, a comunicação, a complexidade da coreografia, os desafiantes passos, a entrega, a beleza, a sedução, a sofisticação, a elegância, a confiança, a compreensão profunda. Francisco consegue ser surpreendente, quer pela leveza que trouxe, quer pelo mergulho em profundidade.
Francisco defende uma Igreja para todos. Uma Igreja livre de preconceito ou discriminação, que seja o reflexo do amor universal de Cristo. Tem sido muito incisivo nos seus discursos e escritos sobre temas como a aceitação da homossexualidade, a valorização das mulheres e do seu papel na Igreja, a justiça social e a necessidade urgente de cuidar da criação, a casa comum. O Papa acredita que a Igreja tem de ser lugar de acolhimento, onde todos, independentemente da condição social, origem ou orientação sexual, podem encontrar abrigo e conforto, o que não será possível numa instituição que vive apegada a práticas rígidas e elitistas que afastam as pessoas.
A saúde frágil e a situação complexa levaram o Papa Francisco a mais um internamento, a situação era grave e temia-se o pior. A determinada altura os profetas da desgraça diziam que já estaria morto; os “velhos do restelo” desejavam-no morto e já montavam redes para travar as diretrizes “progressistas”; mas a maioria rezava para que melhorasse: a Igreja de Jesus, o Mundo, queria Francisco de volta. Pois o impensável aconteceu, para desalento de alguns: Francisco conseguiu sair do túnel e voltou.
O homem de branco surgiu debilitado na janela do seu quarto de hospital, contemplou e acenou aos que o aguardaram. A certa altura, percebemos que para o olhar em alguém, fica contente, parece ter recuperado força, aponta e sorri, quer falar: “Aquela senhora, das flores amarelas, é das fortes”, e fez o gesto de “fixe” com a mão. Voltou a olhar a todos, visivelmente cansado, e regressou ao quarto. Suspiramos de alívio por tê-lo visto, mas perguntávamos: quem será a senhora? [Ver 7MARGENS]
As flores amarelas, em algumas culturas, representam esperança, luz e alegria, podendo representar o amor maternal, o acolhimento, mas também a resiliência; talvez por isso tenha surgido o comentário que o Papa fez àquela mulher que, soubemos depois, marcou presença naquele lugar durante trinta e sete dias consecutivos para rezar e levar flores que, dia após dia, foram chegando ao Papa.
O Homem de Branco e a Senhora das Flores Amarelas… uma imagem poderosa de união entre o sagrado e o humano, entre a autoridade espiritual e o carinho maternal e é nesta junção que a fé encontra a sua força, o seu renascimento: o Papa Francisco, que alguns viam já morto, surge naquela janela para lembrar que não há morte onde vive a Esperança de uma vida em Cristo.
Há pressa no ar, é urgente (re)aproximar a Igreja ao Evangelho, a Boa Notícia, que deverá chegar a todos, sem exceção. Que este episódio simbólico e singelo seja como uma Primavera a florescer, tal como as flores amarelas.
Júlia Costa é cristã na essência, católica por tradição. Ligada à paróquia da Amadora, na Pastoral Juvenil e na Promoção da Comunidade. Mãe de uma filha, avó de três netos. Profissionalmente na área da contabilidade, embrenhada em números, mas desde sempre fascinada pela palavra.










