Quando os meus netos eram pequenos, acompanhava-os às suas atividades desportivas. E enquanto à minha volta pais e familiares entoavam a sagrada ladainha: “Não faz mal… o importante é participar!”, eu sentia arrepios na nuca. [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“O importante é participar”Quando os meus netos eram pequenos, acompanhava-os às suas atividades desportivas. E enquanto à minha volta pais e familiares entoavam a sagrada ladainha: “Não faz mal… o importante é participar!”, eu sentia arrepios na nuca. [Texto de Júlia Costa]
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“Faz o que o teu coração manda”“Faz o que o teu coração manda”. Oferecida ou vendida através do cinema, da literatura, da autoajuda e dos gurus das redes sociais, a expressão promete liberdade. No entanto, pela irresponsabilidade que traz em si, atrevo-me a dizer que pode ser uma das expressões mais infantis e inconsequentes da cultura contemporânea. [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”A frase transformou-se quase num dogma nacional, uma espécie de justificação para tudo o que é absurdo, desagradável ou medíocre. Se a música é má, se a moda é ridícula ou se o novo horário de trabalho é incomportável, o diagnóstico é sempre o mesmo: é só uma questão de tempo, estranha-se agora, entranha-se depois. [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“Depressa passas de bestial a besta”“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“As desculpas não se pedem, evitam-se!”“A lógica é muito simples: mais vale prevenir do que remediar. Contudo, sob uma aparente sabedoria popular, encontramos um ditado rígido que revela mais sobre a recusa em lidar com o erro do que sobre responsabilidade.” [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“Estás tão bem para a idade!”“O envelhecimento passou a ser um exame contínuo, em que a nota de passagem é parecer ter, no mínimo, menos dez anos. E quem falha o teste – quem ganha rugas, assume os cabelos brancos, ajusta o tom da voz ou desacelera o ritmo – é visto como desleixado, como se envelhecer não fosse a consequência lógica de estar vivo.” [Texto de Júlia Costa]
[Lugar (in)comum]
“Sem dor, sem ganho”Como é que uma expressão, originalmente utilizada para transformação física, se transforma neste dogma tóxico que confunde sofrimento com eficiência? Depois de décadas a repetir “no pain, no gain” como se fosse uma lei universal, acabámos por transformar uma frase de ginásio num dogma que legitima a exaustão.
[Lugar (in)comum]
“Não voltes ao lugar onde já foste feliz”O primeiro texto de Lugar (in)comum, a nova rubrica assinada por Júlia Costa. Porque as palavras que repetimos moldam a forma como pensamos. E levar os clichés demasiado a sério não é sabedoria — é uma preguiça mental que nos afasta do essencial.
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“O importante é participar”Quando os meus netos eram pequenos, acompanhava-os às suas atividades desportivas. E enquanto à minha volta pais e familiares entoavam a sagrada ladainha: “Não faz mal… o importante é participar!”, eu sentia arrepios na nuca. [Texto de Júlia Costa]
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“Faz o que o teu coração manda”“Faz o que o teu coração manda”. Oferecida ou vendida através do cinema, da literatura, da autoajuda e dos gurus das redes sociais, a expressão promete liberdade. No entanto, pela irresponsabilidade que traz em si, atrevo-me a dizer que pode ser uma das expressões mais infantis e inconsequentes da cultura contemporânea. [Texto de Júlia Costa]
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“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”A frase transformou-se quase num dogma nacional, uma espécie de justificação para tudo o que é absurdo, desagradável ou medíocre. Se a música é má, se a moda é ridícula ou se o novo horário de trabalho é incomportável, o diagnóstico é sempre o mesmo: é só uma questão de tempo, estranha-se agora, entranha-se depois. [Texto de Júlia Costa]
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“Depressa passas de bestial a besta”“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]
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“As desculpas não se pedem, evitam-se!”“A lógica é muito simples: mais vale prevenir do que remediar. Contudo, sob uma aparente sabedoria popular, encontramos um ditado rígido que revela mais sobre a recusa em lidar com o erro do que sobre responsabilidade.” [Texto de Júlia Costa]
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“Estás tão bem para a idade!”“O envelhecimento passou a ser um exame contínuo, em que a nota de passagem é parecer ter, no mínimo, menos dez anos. E quem falha o teste – quem ganha rugas, assume os cabelos brancos, ajusta o tom da voz ou desacelera o ritmo – é visto como desleixado, como se envelhecer não fosse a consequência lógica de estar vivo.” [Texto de Júlia Costa]
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“Sem dor, sem ganho”Como é que uma expressão, originalmente utilizada para transformação física, se transforma neste dogma tóxico que confunde sofrimento com eficiência? Depois de décadas a repetir “no pain, no gain” como se fosse uma lei universal, acabámos por transformar uma frase de ginásio num dogma que legitima a exaustão.
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“Não voltes ao lugar onde já foste feliz”O primeiro texto de Lugar (in)comum, a nova rubrica assinada por Júlia Costa. Porque as palavras que repetimos moldam a forma como pensamos. E levar os clichés demasiado a sério não é sabedoria — é uma preguiça mental que nos afasta do essencial.
Viagem à América Latina
Papa despede-se do Uruguai: “Não podemos ignorar que há muitas pessoas que sofrem” novidadeLeão XIV concluiu este domingo no Uruguai a primeira etapa da viagem à América Latina, iniciada na sexta-feira, com apelos à justiça social e à importância da fé, num contexto marcado pela secularização.
"Dress a Girl Portugal"
Pequenas peças, grandes gestos: a costura que leva alegria a África novidadeA costura solidária da associação “Dress a Girl Portugal” está a levar dignidade, alegria e cuidado a crianças de vários países desfavorecidos, através do trabalho de milhares de voluntárias que transformam tecido em esperança.
Francisco Carvalho Guerra (1932–2026)
A caixa e a garantia – quatro relógios e uma vida novidadeAos dezoito anos, Francisco Carvalho Guerra tinha um metro e oitenta e oito e pesava trinta e nove quilos. Em Braga chamavam-lhe o Tira-linhas; em Lisboa, o Frei quilómetro. Um médico espanhol dissera aos pais que, com muita sorte, chegaria aos trinta e cinco ou quarenta anos. Fundou a Católica no Porto, representou Portugal na NATO e morreu a 6 de Agosto, aos noventa e três. [Texto de Henrique Manuel Pereira].
[Arquipélago Jerusalém]
A democracia não morre. Está a votar novidadeNão foi uma má temporada para a democracia. Em poucos meses, o arrogante Viktor Orbán perdeu o poder na Hungria, os brasileiros recusaram a presidência à corrupta família Bolsonaro, os bravos estudantes sérvios derrotaram o partido de Aleksandar Vučić e o bom senso dos israelitas retirou a maioria parlamentar ao oportunista Benjamin Netanyahu. Finalmente, a 3 de Novembro, o que resta de americanos livres (mais de 50% não votam) deram uma derrota expressiva indireta a Donald Trump. [Texto de Mendo Castro Henriques].
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