Enquanto soam sirenes em Jerusalém e se ouvem explosões em Telavive, os líderes católicos de Israel e do Irão lançam apelos aos líderes políticos. O cardeal Dominique Joseph Mathieu, arcebispo Latino de Teerão-Isfahan, lamenta: “mais uma vez, estão a pensar em alcançar a paz através de ataques preventivos, em vez de se comprometerem com o diálogo na mesa de negociações”. O Custódio da Terra Santa, Francesco Patton, deixa um pedido concreto: “Todos devem fazer um exame de consciência, a começar por aqueles que ocupam um assento nas Nações Unidas”.
Para o franciscano, não restam dúvidas: “Todos devem reler a Carta que assinaram para ingressar nas Nações Unidas e todos devem colocar a mão na consciência e perguntar-se porque é que há esta retomada da lógica da violência que substitui completamente a lógica do diálogo diplomático e da negociação, mesmo as mais difíceis. Se não retornarmos à lógica fundadora das Nações Unidas – disse em declarações à agência SIR – o mundo continuará no perigoso caminho da instabilidade. Não falaremos mais de uma Terceira Guerra Mundial fragmentada, mas de uma Terceira Guerra Mundial global”.
Na perspetiva do Custódio da Terra Santa, o que se passa é que “a escalada tem sido preferida à desescalada, aumentando o número de guerras em curso, em vez de começar a encerrar algumas delas. E não sabemos por quanto tempo mais eles vão querer expandir o perímetro do conflito antes que tudo desmorone”.

“Se não retornarmos à lógica fundadora das Nações Unidas, o mundo continuará no perigoso caminho da instabilidade”, afirma Francesco Patton, custódio da Terra Santa. Foto © Vatican News
O maior receio de Francesco Patton é que “uma vez iniciado este fogo, não seja mais possível controlá-lo. Basta uma lufada de vento para virar as suas chamas numa direção ou outra sem controlo. E já há mais de uma frente aberta”, assinala. Os mortos, os feridos, as estruturas atingidas e reduzidas a escombros nestes primeiros dias de guerra, acrescenta o religioso, “estão a fazer-nos sentir as consequências de uma guerra também aqui em Israel, na qual não nos limitamos a atacar, mas também estamos a começar a ser atingidos, e isso tem um peso enorme”.
O padre Patton fala de um “clima assustador: não há ninguém nas ruas, lojas, escritórios, escolas estão fechados. Soldados e agentes de polícia estão por toda a parte, até mesmo nas entradas da Cidade Velha. O Muro está fechado, assim como a Basílica do Santo Sepulcro, a Esplanada das Mesquitas. Qualquer forma de reunião e manifestação é proibida. Vivemos numa situação que também nos deixa sem fôlego porque não sabemos quantos mísseis os iranianos ainda têm disponíveis para lançar contra Israel”.
É igualmente grande a preocupação do cardeal Dominique Mathieu nestes tempos de crescente tensão regional e global. “Rezemos para que a paz prevaleça através do diálogo e do consenso”, afirmou o arcebispo Latino de Teerão-Isfahan numa mensagem enviada à Asia News. “Que o Espírito Santo guie este processo.”
Numa entrevista dada àquela agência, o cardeal Mathieu – que foi o primeiro arcebispo da capital iraniana a participar num conclave – recordou a importância do pontificado do Papa Francisco, nomeadamente das suas relações com o mundo muçulmano e as autoridades iranianas, definindo-o como o pontífice que “abriu muitas portas”. Agora, defende, “chegou a hora de organizar o espaço por trás dessas portas”.
Mas a realidade do país, considera, mostra que “muitas coisas não podem ser resolvidas no futuro a não ser pela oração”, especialmente numa fase tão dramática, em que a lógica das armas parece prevalecer sobre o diálogo invocado primeiro por Francisco e agora pelo Papa Leão XIV.










