
“Quero assegurar-vos a minha solidariedade e a minha constante proximidade orante”, reafirmou Francisco no encontro com os bispos ucranianos. Foto © Vatican Media.
Os bispos da Igreja Greco-Católica Ucraniana estão reunidos em Roma, até 13 de setembro, para aquele que é o seu segundo Sínodo desde o início da guerra. Esta quarta-feira, 6, foram recebidos pelo Papa e, numa conversa que durou quase duas horas, contaram-lhe que algumas das suas declarações tinham sido “dolorosas e difíceis para os ucranianos”. O Papa escutou “atentamente” cada um e reafirmou: “Estou com o povo ucraniano”. No final, o abraço fraterno ao arcebispo-mor de Kyiv, Sviatoslav Shevchuk, valeu ainda mais que as palavras.
O encontro começou uma hora mais cedo do que o previsto, precisamente porque Francisco queria assegurar que tinha tempo suficiente para dialogar com os bispos, explica o jornal italiano Avvenire. E também para que não restassem dúvidas sobre a sua posição face à guerra na Ucrânia, em particular depois das suas polémicas declarações aos jovens católicos russos, há duas semanas [ver 7NARGENS].
“Quero assegurar-vos a minha solidariedade e a minha constante proximidade orante”, afirmou, recordando em particular as crianças ucranianas, algumas das quais tem tido a oportunidade de encontrar nas audiências gerais. “Elas olham para nós e esquecem-se do sorriso. Este é um dos frutos da guerra: tirar o sorriso às crianças”, lamentou.
Francisco expressou a sua dor pela impotência face à guerra, que descreveu como sendo “algo do diabo, que ele quer destruir” e como tendo uma “dimensão de martírio” de que não se fala o suficiente.
Para contrariar a lógica das armas, é necessária mais oração, destacou o Papa. “Pela conversão e pelo fim do conflito”, escreveu a Sala de Imprensa do Vaticano num comunicado divulgado após o encontro. Respondendo ao pedido que surgiu durante a reunião, Francisco manifestou depois o desejo de que no mês de outubro, especialmente nos santuários, a oração do Rosário seja dedicada à paz e, em particular, à paz na Ucrânia.
Em seguida, mesmo antes de terminar o encontro, Francisco mostrou aos 45 bispos presentes o que tinha trazido consigo: um ícone de Maria Theotokos (Mãe de Deus). “Esta imagem foi-me dada por Sua Beatitude Sviatoslav quando era um jovem bispo na Argentina”, recordou, assegurando: “Rezo diante dela todos os dias pela Ucrânia.”
Os bispos ucranianos pediram ainda orações pela libertação de dois padres redentoristas , Ivan Levytskyi e Bohdan Haleta, que permanecem em cativeiro após terem sido capturados pelas tropas russas no final de novembro de 2022.
Shevchuk deu ao Papa Francisco um livro de orações, um rosário e uma cruz missionária pertencentes aos padres. “Estas coisas, Santidade, testemunham o sofrimento da nossa Igreja juntamente com o seu povo no meio aos horrores da guerra causada pela agressão russa. Como um tesouro inestimável, nós lhas entregamos com a esperança de que em breve uma paz justa chegue à Ucrânia”, disse ele.









