
O padre António Rego mostrando o quadro que lhe foi oferecido na homenagem de que foi alvo em Fátima. Foto © António Marujo
A mãe ficou triste quando o filho lhe anunciou que iria trabalhar para Lisboa, onde o padre António Rego percebeu que “havia imenso campo para trabalhar, era um terreno óptimo para evangelizar”. Jornalista, autor e realizador de programas de rádio e televisão, cronista e formador, o padre Rego foi homenageado na tarde desta sexta-feira, 27, em Fátima, pelas seis décadas de ordenação de padre e de serviço ao jornalismo. Na véspera, tinha sido condecorado pelo Presidente da República, como o 7MARGENS noticiou.
Confessando a “humildade” de considerar que lhe “foram oferecidas muitas oportunidades”, António Rego acrescentou que na sua passagem por programas, cargos de direcção (TVI e Secretariado das Comunicações Sociais da Igreja), escolas e actividades de formação sempre deu muita importância às críticas. “Podiam doer na altura”, mas eram depois ocasião para reflectir e aperfeiçoar, estando sempre atento à necessidade de fazer melhor.
Uma nota sublinhada pela directora do Secretariado das Comunicações Sociais da Igreja, Isabel Figueiredo, que destacou o facto de António rego buscar a “perfeição” e interpelar “sempre a fazer mais e melhor”.
Num pequeno filme que evocava os seus diferentes trabalhos, o padre-jornalista recordava que, quando começou a fazer televisão, essa era “a praça mais pública que havia”.
Perante algumas dezenas de pessoas – entre os quais antigos companheiros de trabalho, profissionais de comunicação social da Igreja Católica, alguns membros do clero – o antigo responsável de relações institucionais e do arquivo da RTP, José Lopes Araújo, disse que António Rego foi visto “sempre” como um profissional “sério, isento, independente”, entre outros profissionais.
A sua “serenidade” permitiu ajudar a Igreja Católica a pacificar a sua relação com o novo regime saído do 25 de Abril, acrescentou Lopes de Araújo, que também destacou a capacidade de diálogo ecuménico e inter-religioso de que António Rego deu mostras. Foi isso que permitiu negociar um protocolo entre a RTP e várias confissões religiosas, que levaram à criação do programa A Fé dos Homens.
Carlos Liz, antigo diretor de marketing da TVI, referiu-se a António Rego como “alguém que põe a ênfase no que vem a seguir e não no que passou”, no futuro; e com um grande apego à “fascinante” liberdade que também demonstrava.
“Ícone do diálogo da Igreja com o mundo”, que concretiza um “sacerdócio de proximidade de todos”, disse também sobre ele o cardeal António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima. Que acrescentou o “sentido profundo” que o padre Rego tinha na forma como apresentava acontecimentos e pessoas, abrindo “caminhos novos à Igreja” e construindo “pontes”. Também o patriarca de Lisboa, Rui Valério, esteve presente, para agradecer publicamente ao padre Rego o que ele fez.
Entre os participantes na homenagem, outras pessoas testemunharam também aspectos da personalidade e do trabalho de António Rego.
“Muito discurso de ódio nas redes sociais, mesmo entre católicos”
A sessão realizou-se no final das Jornadas de Comunicação Social, promovidas pelo Secretariado católico das Comunicações Sociais. Dedicadas ao tema da inteligência artificial, a iniciativa teve momentos de formação prática e de conferências e debates.
No início da manhã, o padre Miguel Neto, da diocese do Algarve, lamentou o “muito discurso de ódio nas redes sociais, mesmo entre católicos”, insistindo na necessidade de passar valores judaico-cristãos para o ambiente digital.
Joana Beleza, jornalista do Expresso e subdirectora de áudio e multimédia do Grupo Impresa, apresentou a carta de princípios para a utilização de inteligência artificial (IA), que está em elaboração nas redacções daquele jornal e da SIC. Uma carta baseada em sete princípios: qualidade e responsabilidade pelo conteúdo; a IA como ferramenta de apoio em tarefas de suporte (tradução, legendagem…) e não para fazer notícias; uso transparente; respeito pela propriedade intelectual; o mesmo pela privacidade e confidencialidade; e ainda pelas fontes de informação; e qualquer alteração à carta deve ser aprovada pelas direcções do Expresso e da SIC depois de consultas às redacções.
Na conferência de encerramento, Mara de Sousa Freitas, directora do Instituto de Bioética da UCP referiu que a IA é “uma oportunidade única de pensarmos o que queremos e para onde queremos caminhar”.
Falando sobre “Inteligência artificial: desafios éticos”, a investigadora afirmou a IA “deve ser centrada na pessoa”, mas evoluirá e dependerá “do que é a actividade humana”. É necessária “uma nova gramática” numa “sociedade cada vez mais individual e polarizada”, acrescentou, citando depois a mensagem do Papa Francisco para o último Dia Mundial da Paz, em 1 de Janeiro passado: “Este processo de discernimento ético e jurídico pode revelar-se preciosa ocasião para uma reflexão compartilhada sobre o papel que a tecnologia deveria ter na nossa vida individual e comunitária e sobre a forma como a sua utilização possa contribuir para a criação dum mundo mais equitativo e humano.”










