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autores - Rúben Azevedo

A morte é uma doença da imaginação

| 01/11/2024

Vida e Morte

“Se a morte é uma passagem para uma outra realidade existencial, para uma outra vida, então continua a ser vida, e uma vez mais não tem a morte em si qualquer mistério, uma vez que realmente não existe e só há vida.” Pintura Vida e Morte de Gustav Klimt (1915). Museu Leopold, Viena.

 

Em si mesma, não sabemos o que é a morte. Sabemos apenas que a vida física, exterior, empírica, estiola e cessa, dissolvendo-se nos seus elementos bioquímicos. Um corpo, um organismo, deixa de funcionar, torna-se matéria sem unidade orgânica, sem identidade, pronta a ser dispersa e logo reaproveitada – porque na natureza, nada se perde, tudo se transforma.

Mas a morte em si, o que é?

Que ela seja queda no Nada Absoluto, aniquilação total, ou antes passagem para outra forma de existência, mais ou menos plena, ninguém saberá dizer com absoluta certeza, se for intelectualmente honesto. Também ninguém pode dizer, com toda a positividade, que ela seja absurda, como a própria vida é absurda, como defendeu, por exemplo, um Sartre. São afirmações de caráter metafísico, definitivo, que subentendem um conhecimento da própria essência da existência. Mas esta é-nos francamente inacessível; porque a Vida, enquanto realidade “englobante” (Jaspers), ou seja, enquanto existência, não é passível de conhecimento objetivo, total. A vida é, para nós, em nós, por nós, em torno de nós, tudo. E nesse sentido, é impossível de abranger com o intelecto, e muito menos com a experiência empírica. É incognoscível como o próprio Deus (talvez ela seja para nós a face visível de Deus, ainda que parcial e limitada).

Trata-se, por conseguinte, de um mistério sobre o qual nada pode ser dito de definitivo, senão que é. É o Ser que se revela insofismavelmente, mas também se oculta.

Também cada um de nós é, com força absoluta, fundada na necessidade absoluta do próprio Ser, quer dizer, do próprio fundamento absoluto do real.

A Vida é realmente o grande mistério, porque vida é consciência, e consciência é realidade a ser-para-si. Ou seja, interioridade. Disso temos a mais plena e direta evidência. Já a morte, se for mergulho no Nada, ou seja, pura e simples aniquilação de toda a vida exterior e interior, então não é, de facto, mistério nenhum. Ou talvez aí o seu mistério resida na aparente possibilidade de que algo tão pessoal, íntimo e substantivo como a vida interior pudesse ser simplesmente aniquilado como se nunca tivesse existido. Um mistério que sabe a absurdo. Como é que o facto total, absoluto para si mesmo, de uma existência existindo, isto é, sendo para si própria, em si própria, mas também aberta e projetada nessa realidade chamada mundo feita de alteridade, experiências e significados, pode alguma vez desaparecer, fazer-se coisa nenhuma, esvaziar-se em absoluto? Como é possível que a morte de um organismo, um corpo, conduza à aniquilação de um “dentro”, de uma subjetividade que, na sua essência de direta-perceção-de-si-a-partir-de-dentro, não parece ser redutível à pura exterioridade de um funcionamento bio e electroquímico objetivamente observável e mensurável?

Por outro lado, se a morte é uma passagem para uma outra realidade existencial, para uma outra vida, então continua a ser vida, e uma vez mais não tem a morte em si qualquer mistério, uma vez que realmente não existe e só há vida.

Na realidade, na maior parte do tempo, não é da morte que falamos, mas antes da ideia que dela fazemos, a partir da realidade exterior da cessação da vida biológica. O medo do desconhecido, o facto de vermos aqueles que amamos nos serem tirados sem apelo nem agravo, o sofrimento muitas vezes a ela associado, mas também a própria possibilidade de, na morte, nos perdermos de nós mesmos e de tudo o que somos ou julgamos ser, do nosso tão amado eu, faz com que, desde tempos imemoriais, a tenhamos diabolizado e transformado num monstro. Mas a morte é tão-só um limiar entre a vida tal como a conhecemos e outra coisa qualquer que, enfim, decorre naturalmente da própria vida, faz parte dela, como o próprio nascimento e tudo o resto que a vida contém e implica. Porque há-de ser necessariamente um mal? Ou significar necessariamente o oposto absoluto da vida como experiência total de uma interioridade, negando-se assim a vida a si própria, autoaniquilando-se em absoluto? É tal contradição sustentável ontologicamente na essência do Real, a vida emergindo do nada para ao nada retornar, ela que nos surge dentro e fora de nós como uma realidade total e absoluta, insofismável e tão incontornavelmente íntima e pessoal?

Porque não hão a vida e a morte de ser manifestações de uma continuidade ontológica mais fundamental, ou seja, de uma realidade mais fundamental e perene, para não dizer eterna?

Rilke, o poeta alemão, dizia que vida e morte são expressões da mesma unidade. É, de resto, uma intuição muito antiga, partilhada por filósofos gregos pré e pós socráticos, pelo neoplatonismo e outras correntes filosóficas de outras tradições, como a védica. E, salvo erro, por todas as religiões.

Universo. Galáxias

‘Ninguém sabe, e provavelmente não pode saber, no estado atual, qual a essência do próprio tecido espaciotemporal que constitui o universo, e menos ainda da tal “energia” a que se reduz, no fim de contas, toda a matéria. São inúmeros os mistérios e os limites da nossa faculdade de conhecer.’  Foto © Jeremy Thomas / Unsplash

 

Da natureza da consciência pouco ou nada sabemos. Digo da consciência enquanto vida interior, experiência subjetiva, interioridade. Além do mais, é a própria ciência física e cosmológica a admitir que a exígua percentagem de matéria que é possível conhecer e estudar, em todo o universo conhecido, é da ordem dos 4%, se tanto. E que, se os cálculos que remontam a Einstein estiverem certos, mais de 96% da matéria-energia do nosso universo não é, no momento atual do nosso progresso tecnológico, detetável diretamente, quanto mais estudável. Já para não dizer que ninguém sabe, e provavelmente não pode saber, no estado atual, qual a essência do próprio tecido espaciotemporal que constitui o universo, e menos ainda da tal “energia” a que se reduz, no fim de contas, toda a matéria. São inúmeros os mistérios e os limites da nossa faculdade de conhecer. Quanto mais sabemos, mais há a saber. Por conseguinte, também quanto ao fenómeno da consciência e, portanto, quanto à própria natureza ou essência da vida e da morte, devemos refrear a tendência para juízos definitivos e manter a mente e o espírito abertos.

Onde há consciência poderá alguma vez vir a existir pura inconsciência? Onde há sujeito poderá chegar a haver puro objeto? Onde há interioridade pode chegar a haver pura exterioridade sem dentro? Pode o “dentro” metafísico de uma interioridade fechar-se para sempre? Então como chega a “abrir-se”, se não há, a priori, no Real, espaço para ele?

Pode a hipotética pura e cega objetividade sem dentro “dar à luz”, no interior de si própria, aquilo que lhe é absolutamente contrário, isto é, a subjetividade, a alma, a interioridade? Faz lembrar uma citação do Evangelho apócrifo de Tomé, na qual Jesus diz: “Seria uma maravilha se a carne tivesse surgido por causa do espírito. Mas seria a maior das maravilhas se o espírito tivesse surgido por causa do corpo.”

Realmente, uma matéria puramente destituída de interioridade que fosse capaz de gerá-la seria uma espécie de espantoso milagre.

Talvez simplesmente não exista tal coisa como uma “pura objetividade material”, e a matéria seja atravessada pela Consciência, e essa seja, afinal, a realidade última de todas as coisas. O Uno, o Absoluto, o Eu sou aquele que Sou. Subjetividade Absoluta, Ser-Para-Si, Ato Puro, Abismo de infinito e eternidade. Se assim for, como é razoável que seja, não há outra coisa senão Vida, eterna e infinita, e a morte não passa de uma aparência, uma doença da imaginação, para falar como o filósofo Alain, mestre de Simon Weil.

Muitos e bons filósofos parecem ter caído neste erro de conferir à morte um caráter nadificador, alguns incompreensivelmente, porque se contradisseram. Jaspers, um dos “pais” do existencialismo, que muito aprecio, e que fala muitas vezes de Deus e do caráter incognoscível do englobante, parece cair na esparrela epicurista ao escrever que “Trata-se de se dar claramente conta de que quando eu sou, a minha morte não é e, quando a minha morte é, eu já não sou; portanto, a minha morte não me diz respeito em absoluto.”

A não ser que ele considerasse o momento da morte como um de perda temporária da consciência, eventualmente retomável mais tarde numa outra dimensão, como quando se adormece e depois se “acorda” dentro de um sonho. Nesse sentido, o momento da morte seria algo que, de uma certa forma, já não me diria respeito, visto que estaria adormecido, embora aí não fosse correto dizer-se, em termos absolutos, que eu tinha deixado de ser, pois a essência da minha interioridade e ponto de vista subjetivo continuaria presente, embora latente.

J. P. Sartre – o que já é mais compreensível, pois era ateu – também caracterizou a morte como um “outro” que não me diz respeito, no sentido de que se trata de um limiar para além do qual já não sou: “É absurdo que tenhamos nascido, é absurdo que morramos; por outro lado, este absurdo apresenta-se como alienação do meu ser, possibilidade que já não é a minha possibilidade, mas a do outro. É portanto um limite externo e de facto da minha subjetividade.”

Dá vontade de perguntar: como sabe tudo isso? Conhece a essência da vida? Colocou-se do lado de lá da morte, ou seja, no exterior da vida, para lhe ver os “limites externos”? Como pode estar tão certo de que nascer e morrer constituam um absurdo ontológico? Eis um exemplo de como, por vezes, filósofos que se dizem antimetafísicos fazem afirmações tão profundamente metafísicas.

Por um lado, reduzem a vida e a realidade àquilo que pode ser empiricamente experimentado e demonstrado, visto que não existe Deus nem alma nem nada que se pareça (“A existência precede a essência”, é a fórmula do humanismo sartreano); por outro lado, afirmam como certezas a natureza absurda da vida e da morte, como se pudessem abarcar, com o intelecto, toda a esfera da realidade. Mas nós estamos e somos dentro da vida, não podemos abarcá-la com a visão intelectual, não podemos sair dela para lhe ver os contornos e limites, se é que os tem. Fazem da vida e da morte duas realidades distintas e estanques, uma sendo a negação absoluta da outra, uma não dizendo respeito à outra, uma sendo o outro da outra, embora tal não se pode justificar racionalmente, como já vimos.

Ao mesmo tempo, pelo facto de afirmarem positivamente a morte como aniquilação total ou transição para o absoluto nada, acabam por contaminar ontologicamente a vida com esse mesmo nada; o esvaziamento ontológico da morte esvazia ontologicamente a própria vida, tornando-a essencialmente absurda. Sartre não se coibiu de escrever, no prefácio à obra de Camus, O homem revoltado, que “tudo é permitido, visto que Deus não existe e viste que se morre. Todas as experiências são equivalentes, convém somente adquirir a maior parte delas.” Dito de outro modo, a vida é oca metafisicamente a todos os títulos. Não há nada de objetiva e universalmente válido, como valores e sentidos. Portanto, tudo é permitido, e tudo deve ser feito, desde que se tenha oportunidade. Querer é poder e poder é querer.

Ora, é evidente que tais afirmações estão manifestamente além do poder da análise filosófica, extravasam o que, em rigor e verdade, podemos conhecer. Dependem, certamente, de uma fé, ainda que em sentido negativo – uma fé no Nada, um niilismo. Se fossem verdadeiras, esvaziariam a vida de todo o seu mistério essencial, tornando-a opaca e asfixiante. Faço minhas as palavras de uma das personagens de uma peça de teatro escrita por Gabriel Marcel, o filósofo existencialista francês contemporâneo de Sartre, e dele muito crítico: “Sem mistério a vida seria irrespirável”.

O que a vida realmente significa, e bem assim a sua realidade correlativa, que é a morte, está muito para além da nossa capacidade de compreender, pelo menos ao nível do nosso nível normal de consciência. A mística nas suas várias expressões, desde os neoplatónicos às místicas judaica, islâmica e cristã, terá porventura chegado um pouco mais longe nessa compreensão, mas nunca no sentido do nada, o que é revelador. Não de um nada definitivo, pelo menos, senão como fase transitória para a revelação de um vínculo ontológico indestrutível entre a consciência individual e a realidade fundamental do Ser-Uno-Absoluto inscrita no coração mesmo do Real. No Cristianismo, a teologia negativa visou lograr precisamente essa ascese que, ao eliminar todo o contingente, pretendia chegar à visão do universal e necessário, ainda que apenas como uma intuição do Infinito de Deus, já que este não pode ser conhecido diretamente. Ou pelo menos como douta ignorantia (Nicolau de Cusa), ou seja, ignorância que se sabe ao reconhecer-se no pano de fundo da intuição do Infinito de Deus, Ser absolutamente necessário e irredutível a qualquer conceito ou ideia. Diga-se, de passagem, quão próximo é o parentesco entre a teologia negativa e a dúvida metódica cartesiana. Também esta procurou lograr o conhecimento intelectual direto do ser necessário (primeiro o Cogito e depois Deus) a partir de uma auto-imposta “noite mental”, pondo de lado, como duvidoso, todo o conhecimento contingente e suas fontes. E isto naquele que se diz ter sido o método fundador da filosofia moderna!

Apocalipse. A Árvore da VIda - O Combate.. Pintura de Emília Nadal.

“A vida, segundo dão a entender a mística filosófica ou a filosofia mística, longe de ser um sistema fechado, redutível à biologia e à química, é uma realidade aberta a uma outra realidade mais fundamental e cuja existência não só é necessária como infinita e eterna.” Apocalipse. A Árvore da Vida – O Combate.. Pintura de Emília Nadal.

 

A vida, segundo dão a entender a mística filosófica ou a filosofia mística, longe de ser um sistema fechado, redutível à biologia e à química, é uma realidade aberta a uma outra realidade mais fundamental e cuja existência não só é necessária como infinita e eterna. E, na medida em que essa realidade é, pelo menos até certo ponto, passível de experiência interior e subjetiva, ela é também autêntica, ampla e plenamente vida. Não há nela espaço para o nada metafísico, nem uma nesga. Se qualquer consciência individual está vinculada necessária e ontologicamente à mais vasta Consciência, i.e., à Vida como realidade fundamental, una, necessária e infinita; se dela participa, então não pode, em absoluto, morrer.

Neste contexto, o que morre é sempre uma forma de existência, quer dizer, uma forma singular de mundo e de ser-no-mundo. Dito de outra forma, o que morre é essa unidade que cada um de nós é e que nunca cessa, até à morte, de se construir, misto de interioridade e exterioridade, vida interior e mundo, consciência-de-si (ou si-da-consciência) e identidade social e histórica, universal e particular, contemplação e ação, infinitude e finitude. Nós estamos no mundo, mas o mundo também está em nós e nos define. Logo que entramos no mundo, o mundo começa a entrar em nós e a definir-nos. Quando tivermos de sair dele, é possível que ele também saia de nós, talvez para dar lugar a um outro mundo. Mas não deixaremos, segundo creio, de ser, no essencial, uma consciência, uma subjetividade, um ponto de vista irredutível inscrito no coração do Real. Não sei se tratará de um lugar ou apenas de um sentimento, isso onde havemos de chegar, pois talvez haja incontáveis modos de existir, muitas moradas nesta realidade múltipla, misteriosa e certamente plena de regiões desconhecidas e dimensões insuspeitadas que é a nossa.

Sim, há-de morrer essa existência comprometida num tempo e num espaço, esse projeto pessoal, essa história, esse misto de circunstâncias e de liberdade em busca de si mesmo. Mas tal está longe de significar um fim absoluto.

Sim, a morte como aniquilação é absurda, precisamente enquanto entendida como aniquilação, e não no sentido do niilismo existencial. A consciência que temos do nosso próprio ser, da nossa vida, revolta-se com tal ideia (porque é mesmo de uma ideia que se trata, e talvez não passe disso. Uma variante da doença da imaginação diagnosticada por Alain).

Com efeito, a nossa existência pessoal é, para nós mesmos, um facto assombroso, na mesma medida em que nos surge como irredutível e incontornável. Porque eu cheguei de facto a ser eu mesmo, e não outro! Que força tem esta evidência de ser-para-mim, no reduto da minha, tão minha intimidade, irredutível e intransmissível intimidade, às vezes desabrochando em sentimentos tão meus, fiapos de sonho a dormir ou acordado…

Tudo isso, quando devidamente considerado, parece dizer-nos, do fundo de nós mesmos, que a nossa existência singular é necessária, e não produto de um acaso ou contingência.  Quer dizer, eu tinha de vir a ser; eu tenho de continuar a ser, ainda que não saiba exatamente o quê nem como.

Espinosa terá escrito que vivemos e sentimos como se fossemos eternos. Há, com efeito, em todos nós, uma pulsão vital de permanência e persistência do ser, que é instintiva. Mas no ser humano ela vai mais longe, torna-se espiritual, na medida em que se manifesta nas experiências do universal ou suprapessoal, ou seja, no conhecimento, na experiência estética do belo e do sublime, no amor e no sentido de Deus. Como não haveriamos, neste contexto, de nos sentirmos participantes da eternidade? A vida aborrece o vazio, isto é, o nada enquanto possibilidade, porque a vida é uma experiência total vivida a partir de uma unidade de consciência ou aperceção (Kant). Não é o nada que ela procura, mas antes a totalização, a plenitude de si mesma (Unamuno dizia ser esta a essência da religião, a vontade de totalização, e não de nadificação, do ser humano). Com efeito, a vida singular quer totalizar-se, universalizar-se, imortalizar-se (Rilke dizia: nascemos para nos imortalizarmos). Temos sede – de Deus, de Infinito, de Absoluto. De onde pode ela vir senão de algo mais fundo que não se compadece com uma estrita e estanque finitude da existência humana?

Não nos é possível por conseguinte, aceitar, sem uma certa revolta, a possibilidade do fim absoluto, da morte total. A vida instintiva nunca pensa na morte, não na própria, pelo menos, e talvez haja aí um fundo essencial de verdade e racionalidade vital. Só o ser humano se tornou plenamente consciente desse limiar, mas, desde as origens, nunca se conformou com a possibilidade de uma aniquilação total do ser falecido. Daí que já na remota época dos Neandertais e de outras espécies humanas contemporâneas possamos encontrar enterramentos rituais que parecem sugerir a crença na vida do além. Cadáver coberto de ocre vermelho, posição fetal, presença de objetos de cerâmica, pedra, osso, etc. oferecidos ritualmente ao falecido, quiçá para o acompanharem na vida do além, ou tão-só para que não se sinta só no túmulo…

Em conclusão, tudo o que nós conhecemos e podemos conhecer está dentro do englobante da vida. Se pudéssemos conhecer qualquer outra coisa objetivamente, isso seria ainda vida. O nada não é passível de conhecimento objetivo, e portanto não é passível de afirmações e conclusões definitivas. Pode bem ser que a morte não seja senão uma passagem para uma outra forma de existência completamente diversa da atual, um “lugar” ou um sentimento, em todo caso um mundo e uma forma de ser-no-mundo.

 

Ruben Azevedo é professor e autor de vários livros.

 

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